A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Cascavel perdeu-o em tudo menos nos papéis.
Estava tudo acordado com o Portuguesa, e então o médico falou. O Cascavel desistiu de uma contratação por conselho de alguém que nunca o viu jogar, que é exatamente como deve funcionar.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Cascavel coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel19/06/2028
Palavras no treino do Cascavel sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Victor Hugo está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
14 jogos sem derrota aqui. A cada treinador visitante perguntam-lhe por isso na semana anterior, que é exatamente a razão por que a série continua.
Plantel29/05/2028
Victor Hugo desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Thalys e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
«Disseram-mo com clareza, e prefiro assim.» O treinador de Cascavel foi explícito quanto à situação de Aldo Torres, o que é mais do que muitos recebem.
Os salários ultrapassaram as receitas e a contabilidade começou a aparecer em reuniões a que antes mandava desculpas. Numa época destas, a ambição vem em segundo.
“Há coisas de que gostei e coisas que vamos repetir na terça-feira até saírem bem.” 0‑0, e um treinador que já tinha decidido como seria a terça-feira.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Estevan, e o treinador deixou.
As bancadas esperaram por um golo que nunca chegou. O São Luiz defendeu com muita gente e levou aquilo que veio buscar, e as duas equipas podiam ainda estar a jogar sem incomodar o marcador.
Em resumo
Notas dos jogadoresA única coisa que Alexsandro não conseguiu
12 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Jogo06/05/2028
Não se vê o fim da espera do Cascavel por uma vitória
Já são 5 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Cascavel tem de arrancar um resultado de algum lado.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Renyer e o Cascavel acertam mais 4 anos.
Plantel08/05/2028
Victor Hugo desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Cascavel coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Minuto 89, frente ao Operário-MS, e um golo que soube a vitória a toda a gente que ficou. Foi um empate. Ninguém à saída do estádio o vai descrever assim.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
18 dias de fora para Renatinho depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Cascavel vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Jogo22/04/2028
O Cascavel torna a sua casa um sítio difícil de visitar
11 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Cascavel coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel24/04/2028
Palavras no treino do Cascavel sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Ericson está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Dribles concretizados: 16. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Matheus Monteiro depois do empate por 2‑2, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
Em resumo
MercadoA história de Bruno Souza recusa-se a morrer
94 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Cascavel perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Renyer esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel10/01/2028
Ericson desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Faz aos sábados coisas a que ninguém à sua volta consegue responder: durante uma temporada é lisonjeiro e depois é um problema. O Cascavel não o segura a fingir o contrário.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Daniel Orduz treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Cascavel sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
5.º lugar, 48 pontos, e uma reta final que decide se a próxima época tem noites de quinta-feira. Ninguém lhe chama ainda uma corrida, que é o que se diz durante uma.
101 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Cascavel perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Há futebolistas que fazem uma boa temporada e futebolistas por quem uma temporada é recordada; aos segundos leem-lhes o nome num salão no verão. No Cascavel estarão discretamente encantados e, em privado, nervosos.
Mercado03/01/2028
Tão perto: a transferência de Aldo Torres morre em cima da hora
O valor estava acertado e o voo já tinha sido visto — e então o telefone deixou de tocar. O Amazonas seguiu em frente, Aldo Torres apresenta-se de volta no Cascavel, e todos fingem que segunda-feira é só uma segunda-feira.
Uma média de 7.10 numa equipa principal para a qual lhe sobram vários anos de juventude. Cascavel têm alguma coisa, e a esta altura o escalão inteiro já reparou.
Plantel03/01/2028
Palavras no treino do Cascavel sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Victor Hugo está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
O Cascavel perguntou e o Polissia disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Em resumo
O bancoDaniel Orduz pede uma conversa com o treinador
Júnior Carvalho lesiona os ligamentos do joelho — 29 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 29 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Guilherme Gomes e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Avaliado com 7.81. Pergunte a qualquer pessoa à saída do estádio o que decidiu aquilo e receberá um nome, que é o único prémio que alguma vez contou a sério.
6 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
“O mérito é dos jogadores. Hoje o meu trabalho foi fácil.” Não foi, e toda a gente na sala o sabia; depois do 1‑0, Bruno Nogueira podia dar-se ao luxo de ser generoso.
Carlos Silva lesiona os ligamentos do joelho — 25 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 25 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Dribles concretizados: 21. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Brasil de Pelotas coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Aos 21 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
6 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
19 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Brasil de Pelotas perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Brasil de Pelotas podem fingir não ter ouvido.
Notas dos jogadores12/07/2027
Guilherme Gomes, 21 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.97
Um 7.97 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 21. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Leonardo Cavalcante esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Brasil de Pelotas, e não vai ser retirado.
O negócio que levaria Luiz Carvalho para o CSA caiu na fase final e ele reapresenta-se no Brasil de Pelotas com um verão para esquecer e uma época inteira para jogar. Ninguém diz quem se levantou da mesa.
Um prémio individual é coisa estranha num desporto de equipa, e os melhores não se discutem. Teve o tipo de ano que acaba com o seu nome lido em voz alta, e o Brasil de Pelotas beneficiou disso.
Aos 20 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Luiz Carvalho esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Chapecoense fica com o seu homem, e o Brasil de Pelotas volta a uma lista com um nome riscado.
Perguntou-se ao Inter de Limeira se o emprestaria. Os empréstimos acertam-se depressa ou não se acertam, e este será uma coisa ou outra até ao fim de semana.
Perguntou-se ao Botafogo-SP se o emprestaria. Os empréstimos acertam-se depressa ou não se acertam, e este será uma coisa ou outra até ao fim de semana.
“Ouvi, pensei, e fico. É essa a história toda.” Os clubes tinham acordado uma verba. Vinícius Fonseca não tinha acordado ir, e afinal era essa a parte que contava.
O tipo de ano que acaba com um nome a ser lido num salão. O Brasil de Pelotas aproveitou-o todas as semanas e tem agora o problema de todos os outros saberem.
Os clubes tinham acordado e o jogador não. Uma nega, e pública: o Cruzeiro fica com ele, e os adeptos daqui ficam a perguntar-se o que lhe terão dito sobre esta casa.
Faz todos os sábados coisas a que ninguém à volta dele consegue responder. É lisonjeiro durante uma época e um problema a partir daí, e o Brasil de Pelotas sabe em que fase está.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Eduardo Monteiro treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Brasil de Pelotas, e não vai ser retirado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Brasil de Pelotas coisas que levam mais de uma semana a retirar.
“O mérito é dos jogadores. Hoje o meu trabalho foi fácil.” Não foi, e toda a gente na sala o sabia; depois do 1‑0, Bruno Nogueira podia dar-se ao luxo de ser generoso.
Aos 17 anos foi o melhor de todos da sua idade na divisão durante um fim de semana. Ninguém devia construir uma carreira em cima disso, e toda a gente o faz sem dizer.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Brasil de Pelotas, e não vai ser retirado.
Um mês é longo o suficiente para ninguém entrar por acaso. Murilo está no melhor onze da divisão, o que é um elogio mais discreto do que um prémio e mais fiável.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Luiz Carvalho. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
“Jogo enquanto o corpo deixar e paro no dia em que não deixar.” Tem 31 anos e 1 jogos atrás de si, e o clube tem de planear para uma decisão que ainda não está tomada.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Brasil de Pelotas, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Luiz Peixoto apontou a data.
Dribles concretizados: 30. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 6 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
Outro tem estado melhor, o treinador disse-o com uma ficha de jogo, e não há discussão possível. Vai recuperar a camisola da única maneira que ela se recupera.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Bruno Nogueira sobre uma tarde de 1‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Brasil de Pelotas sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.