38 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Retrô perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Jogo31/10/2026
Não se vê o fim da espera do Retrô por uma vitória
Já são 11 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Retrô tem de arrancar um resultado de algum lado.
0‑3 para o Figueirense, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
Dudu Hatamoto e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Tem 23 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Willian Daltro lesiona os ligamentos do joelho — 45 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 45 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
O mais difícil de ter 17 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Victor Rocha não precisou: 7.60, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Um 2‑2 com o Ypiranga deixa o balneário entre o alívio e a frustração.
O banco26/10/2026
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” João Souza escolheu a versão do copo meio cheio do 2‑2; os adeptos saíram com a outra.
54 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Retrô perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 6 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
Dudu Hatamoto esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Ben-Hur, e o treinador deixou.
O São Bernardo levou os pontos após um 0‑1 que será difícil de explicar nas bancadas.
O banco19/10/2026
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑1, ditas por João Souza a uma sala que já as tinha ouvido.
69 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Retrô perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Rayan e o Retrô acertam mais 1 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
8 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” João Souza depois do 0‑2, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Daniel Farias, e o treinador deixou.
79 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Retrô perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
0‑3 para o Náutico, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
“Os adeptos têm todo o direito de estar zangados. Eu também estou. Vamos corrigir isto.” 0‑3, um treinador a dizer as coisas necessárias, e um balneário que ouviu outra versão delas.
O banco28/09/2026
O treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Dudu Hatamoto
Em público está ultrapassado para toda a gente. Não está para quem faz a equipa, e o único sítio onde isso se vê é uma ficha de jogo. Vai ter outra oportunidade: vai tê-la num jogo que importe menos.
Willian Daltro lesiona os ligamentos do joelho — 86 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 86 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 9 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Os centrais têm licença para subir duas vezes por época e são julgados pelo que fazem quando lá chegam. Ben-Hur marcou, foi avaliado com 7.51 e voltou antes de alguém dar pela falta.
Dudu Hatamoto esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
“Não é o fim do mundo e não chega. As duas coisas são verdade.” O treinador, depois de um empate por 1‑1, disse a coisa honesta e foi dizê-la outra vez lá dentro.
O Náutico chega como líder. Uma equipa no topo perde mais ou menos uma vez por mês, e o clube que o consegue ganha uma semana de que se lembra durante um ano.
94 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Retrô perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Retrô coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Dois ou mais sofridos em cada um dos últimos 4 jogos. Não é um erro a repetir-se, o que seria mais fácil de corrigir; é um diferente todas as semanas.
Mercado14/09/2026
Um dos nossos: Rafão junta-se à equipa principal do Retrô
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Rafão é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
A formação existe exatamente para esta manhã. Sérgio Soares passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.
A formação existe exatamente para esta manhã. Caio Rodrigues passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.
Um erro de guarda-redes não tem defesa atrás que o limpe. Soube-o antes de a bola passar a linha, o estádio soube-o um segundo depois, e esta noite não há nada que alguém possa dizer.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Digão acabou de assinar pelo Retrô e, por uma vez, a resposta importava.
A camisola ainda lhe serve. Rayan Ribeiro está de volta ao Retrô, e metade do estádio ainda o lembra com estas cores. Há contratações que é preciso vender à cidade; esta vendeu-se sozinha.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Retrô joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
Há um alívio muito próprio quando um clube trata exatamente daquilo por que a sua própria bancada anda a gritar. Dudu Hatamoto chega precisamente para esse trabalho, e agora tem de o fazer.
1‑4 para o Brusque, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
0‑3 para o Confiança, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
Notas dos jogadores24/08/2026
Júnior Farias fez o trabalho que ninguém conta — 6.11
10 ações combinadas e 6.11. O trabalho dele aparece sob a forma de outros parecerem bons, e a única maneira fiável de o notar é ver o que acontece nas tardes em que ele falta.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” João Souza depois do 1‑4, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Daniel Farias e o Retrô acertam mais 3 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Carlos Pacheco tem 16 anos e, por um fim de semana, foi o melhor de todos os da sua idade na divisão. Ninguém devia construir uma carreira sobre isso, e toda a gente o faz em silêncio.
O mais difícil de ter 16 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Carlos Pacheco não precisou: 7.88, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Tem 14 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Um erro na defesa é um momento; um erro na baliza é um golo. Nene sabe-o, a bancada percebeu-o de imediato, e não havia mais ninguém atrás dele para o transformar noutra coisa.
Um descuido, um golo, e noventa minutos de trabalho honesto que não valem nada. É esse o ofício no Retrô, e é cruel.
O banco17/08/2026
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” João Souza foi breve depois da vitória por 1‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 8 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
As bancadas10/08/2026
Os assobios descem de três lados
«Pagamos isto de quinze em quinze dias. O mínimo é alguém a quem se note que lhe importa.» 11 dos 14 do plantel principal saíram para aquilo; os outros não jogaram.
A formação existe exatamente para esta manhã. Daniel Farias passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Victor Teixeira está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Júnior Farias é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Em resumo
MercadoUm dos nossos: André Araujo junta-se à equipa principal do Retrô
DireçãoNinguém saiu depressa do balneário de Retrô