50 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Paide perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Verba acordada, salário acordado, e o FCI Tallinn à espera com uma camisola. No Paide ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.18 aos 38, e ninguém no campo esteve melhor.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 23 anos que sente como seu. Momodou Jobarteh tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Paide coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Dribles concretizados: 16. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
“O mérito é dos jogadores. Hoje o meu trabalho foi fácil.” Não foi, e toda a gente na sala o sabia; depois do 2‑1, Sander Kallaste podia dar-se ao luxo de ser generoso.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Edgar Tur: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o Paide a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Markus Kallaste é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Nada por escrito e nada em público: uma palavra sobre minutos, dada cara a cara no Paide. As fichas de jogo do próximo mês dirão se valia a pena tê-la.