“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do São Bernardo, e não vai ser retirado.
“Sei o que as pessoas vão dizer. Sei o que quero, e é aqui.” O Porto Vitória tinha a verba acordada e a camisola pronta; não tinha o jogador, e agora não o vai ter.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No São Bernardo ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Isaac Lira e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e João Gabriel estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Avaí fica com o seu homem, e o São Bernardo volta a uma lista com um nome riscado.
Acontece a todos e continua a ser o parágrafo mais difícil que um jornal local tem de escrever. 37 anos, 3 pontos abaixo do que era, e um corpo que começou a cobrar juros sobre uma carreira.
Aos 37 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.02 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no São Bernardo coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Rhyan estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Aos 20 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
25 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O São Bernardo perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Jogo21/04/2035
Aconteça o que acontecer, o São Bernardo não perde
Já são 9 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no São Bernardo coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Dribles concretizados: 20. Havia sempre um defesa à frente dele, e nunca houve um defesa à frente dele por muito tempo.
Plantel23/04/2035
Gustavo Silveira desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Acontece a todos e continua a ser o parágrafo mais difícil que um jornal local tem de escrever. 37 anos, 3 pontos abaixo do que era, e um corpo que começou a cobrar juros sobre uma carreira.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no São Bernardo, mais uma semana sem a assinatura de Rhyan.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Interim Coach depois do empate por 0‑0, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
32 dias de fora para Daniel Viana depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O São Bernardo vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Jhon Collazos e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel22/01/2035
Palavras no treino do São Bernardo sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. João Gabriel está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Toda a gente no São Bernardo viu antes de alguém o dizer, que é como isto vai sempre. Aos 37 o declínio é real e mensurável — 3 pontos — e só falta saber como o clube trata alguém a quem deve muitíssimo.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Samuel Peixoto assinar alguma coisa — um contrato no São Bernardo ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Tiago Figueiredo está nela.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Elçin Mustafayev treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
11.º lugar com 50 pontos. Todas as épocas são uma história e esta é a última linha dela, e agora o clube tem três meses para decidir de que fala a próxima.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No São Bernardo ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do São Bernardo, e não vai ser retirado.
João Gabriel esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel04/12/2034
Rhyan desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
8 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Há exatamente uma destas por carreira e normalmente não corre assim. 2 no marcador, 8.36 ao lado do nome e uma bancada que nunca o tinha visto a cantá-lo no final.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no São Bernardo falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
João Gabriel e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Jogo11/11/2034
Aconteça o que acontecer, o São Bernardo não perde
Já são 6 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Isto não é rotação. Nathan Cruz está fora dos planos do treinador há algum tempo, e ninguém no São Bernardo finge o contrário.
Plantel13/11/2034
Rhyan desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Fernando Farias. 2‑1 sobre o Chapecoense, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 17 anos que sente como seu. Fernando Farias tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.