30 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Flamengo perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Jogo21/11/2026
Ninguém quer jogar contra o Flamengo neste momento
3 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Andrew e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Jorginho está nela.
O banco23/11/2026
A vista do banco
“Controlámos o jogo. Houve períodos de que não gostei e vamos vê-los, mas o grupo mostrou-me alguma coisa.” Danilo Porto, sobre uma vitória por 1‑0 que já ia a desmontar a caminho da sala de imprensa.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Samuel Lino assinar alguma coisa — um contrato no Flamengo ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
41 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Flamengo perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Não dá grande título e é a razão por que os jogadores acreditam na promessa seguinte. O Flamengo disse a Jorge Carrascal que algo iria acontecer e aconteceu, o que nesta indústria já passa por notável.
O banco16/11/2026
Samuel Lino tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Flamengo dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Segue-se o Mirassol, e há um homem no balneário do Flamengo que conhece o centro de treinos deles melhor do que o seu. A receção vai dizer-lhe o que pensavam dele.
Emprestados16/11/2026
Os golos continuam a chegar do exílio de Wallace Yan
5 golos em 11 jogos no Pacos de Ferreira — números que viajam para casa mais depressa do que ele. No Flamengo alguém atualiza uma folha de cálculo todas as segundas, e cada semana lê-se melhor.
3‑0 frente ao Union La Calera, e uma exibição que vai mudar a forma como o resto da competição fala deste clube. No futebol continental as reputações constroem-se em noites soltas, e esta foi uma.
Plantel09/11/2026
Erick Pulgar lesiona os ligamentos do joelho — 50 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 50 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Jorginho e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Jorge Carrascal e o Flamengo acertam mais 4 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Uma exibição de 8.28 não aparece com frequência e, quando aparece, o resto da equipa passa a cenário. Esteve magnífico.
O banco09/11/2026
Pedro tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Flamengo dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
58 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Flamengo perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Um médio mede-se por saber se a equipa funciona quando ele está em campo, algo quase impossível de ver e completamente óbvio em retrospetiva. 16 ações, 7.11, e um treinador que não o vai substituir tão cedo.
200 jogos com a camisola. Ninguém se propõe construir um registo assim; acontece a um certo tipo de jogador num certo tipo de clube, e esta cidade sabe o que tem.
Duas equipas do topo da tabela, uma tarde, e um mês de conversa decidido em noventa minutos. O Flamengo não vai usar a palavra título esta semana e não vai deixar de a pensar.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Luiz Araújo tem a sua resposta do Flamengo; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
O banco02/11/2026
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 Danilo Porto saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
68 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Flamengo perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
3‑0. É por noites destas que os clubes passam décadas a tentar qualificar-se para esta competição, e elas chegam talvez duas vezes nesse período. Quem esteve no estádio vai descrevê-la mal durante anos.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O Flamengo pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Jogo24/10/2026
Ninguém quer jogar contra o Flamengo neste momento
3 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Aos 21 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
200 jogos com a camisola. Ninguém se propõe construir um registo assim; acontece a um certo tipo de jogador num certo tipo de clube, e esta cidade sabe o que tem.
Erick Pulgar lesiona os ligamentos do joelho — 76 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 76 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
27 pontos, e o resto da divisão a olhar para cima. Todas as equipas que acabam em primeiro passam a época a fingir que não pensam nisso, e esta começou a fingir.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Jorginho. 2‑0 sobre o Juventude, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Um médio mede-se por saber se a equipa funciona quando ele está em campo, algo quase impossível de ver e completamente óbvio em retrospetiva. 10 ações, 6.70, e um treinador que não o vai substituir tão cedo.
94 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Flamengo perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
2‑0 frente ao Defensor Sporting, sob os holofotes, contra gente que não fala a mesma língua que a bancada. É nestas noites que um clube mede a sua década, e nunca são tantas quantas se espera.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
110 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Flamengo perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
3‑0. É por noites destas que os clubes passam décadas a tentar qualificar-se para esta competição, e elas chegam talvez duas vezes nesse período. Quem esteve no estádio vai descrevê-la mal durante anos.
Já são 12 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Aos 35 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 7.89 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Jorginho e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Jogo19/09/2026
O Flamengo torna a sua casa um sítio difícil de visitar
8 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
118 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Flamengo perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Vitória por 3‑0 sobre o Nova Iguaçu, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Flamengo, e não vai ser retirado.
Mercado14/09/2026
Tão perto: a transferência de Samuel Lino morre em cima da hora
O valor estava acertado e o voo já tinha sido visto — e então o telefone deixou de tocar. O Burnley seguiu em frente, Samuel Lino apresenta-se de volta no Flamengo, e todos fingem que segunda-feira é só uma segunda-feira.
“Sei o que as pessoas vão dizer. Sei o que quero, e é aqui.” O Ismaily tinha a verba acordada e a camisola pronta; não tinha o jogador, e agora não o vai ter.
A série sem derrotas chega aos 10 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.30 aos 35, e ninguém no campo esteve melhor.
“Não era o certo para mim. Não vou explicar porquê a ninguém, a não ser às pessoas a quem devo uma explicação.” Um negócio acordado entre dois clubes, e um jogador que se recusou a fazer parte dele.
Aos 35 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.16 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 19 anos que sente como seu. Diego Reyes tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.