Os dérbis fazem nomes, e Luuk de Jong fez o seu contra o Benfica. 4‑1, o orgulho está seguro — e a outra metade da cidade vai estar farta de ouvir falar dele já na terça-feira.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 6 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Tem 20 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Uma média de 7.23 na época, com 11 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
Notas dos jogadores21/12/2026
Gabriel Veron jogou uma tarde diferente da de toda a gente
8.25. Há exibições que um adepto descreve a quem não esteve lá e não consegue transmitir; esta foi uma, e o número também não ajuda.
Não é uma queixa nem uma exigência: quer jogar futebol europeu, e deixou de o esconder. Se o Porto lho pode dar é uma pergunta sobre o clube, não sobre ele.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
Borja Sainz e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Francisco Moura tem a sua resposta do Porto; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
O banco16/11/2026
Jakub Kiwior tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Porto dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Alan Varela apontou a data.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Francisco Moura treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Gabriel Veron. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
36 dias de fora para Cláudio Ramos depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Porto vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Já são 10 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Borja Sainz e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Jakub Kiwior está nela.
O banco19/10/2026
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Pedro Carvalho escolheu a versão do copo meio cheio do 0‑0; os adeptos saíram com a outra.
«Disseram-mo com clareza, e prefiro assim.» O treinador de Porto foi explícito quanto à situação de Martim Fernandes, o que é mais do que muitos recebem.
A única versão de ficar de fora contra a qual um jogador não pode argumentar, e a que pior aceita. Outro tem estado melhor e a ficha de jogo di-lo, em público, todas as semanas até mudar.
Em resumo
Notas dos jogadoresAs ocasiões vieram e foram-se para Borja Sainz
45 dias de fora para Cláudio Ramos depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Porto vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
O banco12/10/2026
Borja Sainz tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Porto dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Segue-se o Famalicao, e há um homem no balneário do Porto que conhece o centro de treinos deles melhor do que o seu. A receção vai dizer-lhe o que pensavam dele.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Alan Varela apontou a data.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Gabriel Veron assinar alguma coisa — um contrato no Porto ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
A língua chegou, o encolher de ombros foi-se, e discute nos treinos como um homem que conta estar cá para o ano. Nada disto aparece num valor de transferência, e tudo isto aparece no relvado.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Rio Ave fica com o seu homem, e o Porto volta a uma lista com um nome riscado.
Oportunidades criadas: 13. Nada na lista dos marcadores e tudo no jogo: o passe antes do passe, vez após vez, até a defesa deixar de acertar.
O banco14/09/2026
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Pedro Carvalho foi breve depois da vitória por 2‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 9 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
“Não era o certo para mim. Não vou explicar porquê a ninguém, a não ser às pessoas a quem devo uma explicação.” Um negócio acordado entre dois clubes, e um jogador que se recusou a fazer parte dele.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Braga fica com o seu homem, e o Porto volta a uma lista com um nome riscado.
O mais difícil de ter 20 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Trofim Melnichenko não precisou: 7.74, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
A versão geral desta queixa é que um jogador quer mais. A versão concreta dá-lhe nome: quer entrar sob os holofotes contra clubes de outros países, e deixou de fingir o contrário.
O valor aprovado não chegava. A direção foi consultada de novo e subiu a sua própria proposta para $14.7M — um clube que quer Sikou Niakaté ao ponto de perguntar duas vezes.
Borja Sainz e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
A proposta do Braga por Borja Sainz foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Dois golos e um 9.00 a acompanhar. Os avançados são julgados por tardes como esta e recordados por muito menos delas do que se imagina.
Notas dos jogadores17/08/2026
Souza, 20 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.95
Um 7.95 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 20. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.