Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Kadi está a viver essa versão no Sampaio Corrêa, e costuma notar-se no primeiro mês.
Cristian Tassano e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
O Novorizontino vai continuar a utilizá-lo até junho e não receberá nada por ele depois. Scapin pré-acordou a mudança para o Sampaio Corrêa, e os únicos que perdem nesse arranjo são os que deixaram o contrato correr.
Plantel14/09/2026
Palavras no treino do Sampaio Corrêa sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Daniel Molina está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Gustavo Furtado. 2‑1 sobre o Maranhão, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Cristian Tassano esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Há um nível em que um futebolista deixa de ser posto à prova e passa apenas a ser contido, e ele chegou lá há algum tempo. No Sampaio Corrêa sabem-no, e também todos os que o veem.
O treinador reorganizou as ideias e Alex Sandre saiu delas mais abaixo. Vão dizer-lhe que é temporário, e os jogadores que já ouviram isso antes vão desviar o olhar.
Plantel07/09/2026
No Sampaio Corrêa ainda são estranhos uns para os outros
17 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Luan Andrey está nela.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Wellerson. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
O Parnahyba vai querer esquecer isto depressa: 5‑0, todos os duelos perdidos e uma viagem longa para casa. O Sampaio Corrêa foi impiedoso como as boas equipas sabem ser.
Já são 5 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
O mais difícil de ter 21 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Alex Servián não precisou: 7.98, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Os clubes tinham acordado e o jogador não. Uma nega, e pública: o outro clube fica com ele, e os adeptos daqui ficam a perguntar-se o que lhe terão dito sobre esta casa.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Cristian Tassano e o Sampaio Corrêa acertam mais 2 anos.
Cristian Tassano e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel24/08/2026
Patrick desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Aos 21 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
A bola do jogo é de Adriano Rodrigues, cujos 4 golos transformaram uma tarde difícil num passeio.
Notas dos jogadores03/08/2026
Adriano Rodrigues, 21 anos, joga como se cá estivesse há anos — 9.89
Um 9.89 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 21. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Gustavo Furtado e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
7 golos. Os dois bancos passaram a segunda parte a olhar um para o outro mais do que para o relvado. Os puristas vão queixar-se do Sampaio Corrêa e do Humaitá por igual; os restantes divertiram-se imenso.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 22 anos que sente como seu. Daniel Mazerochi tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.