44 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Brighton perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Kaoru Mitoma. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Kaoru Mitoma esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel24/05/2027
Pascal Struijk desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Mats Wieffer assinar alguma coisa — um contrato no Brighton ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.
Emprestados24/05/2027
Os golos continuam a chegar do exílio de Evan Ferguson
3 golos em 12 jogos no AS Roma — números que viajam para casa mais depressa do que ele. No Brighton alguém atualiza uma folha de cálculo todas as segundas, e cada semana lê-se melhor.
Kaoru Mitoma esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
3 jogos, nenhum golo e um centro de treinos que já tentou tudo. Vai acabar — as secas acabam sempre — mas ninguém no Brighton sabe dizer em que semana.
Dribles concretizados: 19. Havia sempre um defesa à frente dele, e nunca houve um defesa à frente dele por muito tempo.
Plantel22/03/2027
Jason Steele desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
9 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
O banco22/03/2027
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑3, ditas por Samuel Collins a uma sala que já as tinha ouvido.
1 para Yasin Ayari, avaliado com 7.81, e o nome de um central na parte da crónica a que normalmente só chega por engano. No balneário não o vão deixar esquecer durante um mês.
Kaoru Mitoma e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Com 6 jogadores ao serviço das seleções, os treinos são pequenos e o treinador até consegue ouvir-se. É a única pausa da época, e nunca sabe bem a uma.
Plantel16/11/2026
Palavras no treino do Brighton sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Rossi está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Agradeço os jogos, mas não me fiz futebolista para ser a peça sobresselente de alguém.» Quer estar em Brighton, e 0 jogos em 13 dizem que merece ser ouvido.
Vitória por 2‑0 sobre o Rotherham United, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
Dribles concretizados: 34. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
O mais difícil de ter 19 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Shane Nti não precisou: 7.79, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Aos 33 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.06 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
Kaoru Mitoma esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Não é uma queixa nem uma exigência: quer jogar futebol europeu, e deixou de o esconder. Se o Brighton lho pode dar é uma pergunta sobre o clube, não sobre ele.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 23 anos que sente como seu. Jaouen Hadjam tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Kaoru Mitoma esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Não é uma fase — é um salto a sério, mantido durante meses. Aos 19 anos faz a este nível coisas que não fazia no início da época, e a equipa técnica dir-lhe-á exatamente quais.
Plantel05/10/2026
Yankuba Minteh desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
«Agradeço os jogos, mas não me fiz futebolista para ser a peça sobresselente de alguém.» Quer estar em Brighton, e 0 jogos em 8 dizem que merece ser ouvido.
Tem 23 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Kaoru Mitoma. 2‑0 sobre o Brentford, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.