A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O CotonTchad perdeu-o em tudo menos nos papéis.
A proposta do PWD Bamenda por Vladimir Mendes foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do CotonTchad, e não vai ser retirado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no CotonTchad coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Toda a gente no CotonTchad viu antes de alguém o dizer, que é como isto vai sempre. Aos 34 o declínio é real e mensurável — 3 pontos — e só falta saber como o clube trata alguém a quem deve muitíssimo.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Vladimir Mendes estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
O banco21/07/2036
Melayro Bogarde tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no CotonTchad dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Emmanuel Kakou, e o treinador deixou.
“Não era o certo para mim. Não vou explicar porquê a ninguém, a não ser às pessoas a quem devo uma explicação.” Um negócio acordado entre dois clubes, e um jogador que se recusou a fazer parte dele.
A proposta do AS PSI por Fadi Arrache foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Melayro Bogarde e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Direção14/07/2036
Em CotonTchad, 211% das receitas vão para salários
Todos os clubes de futebol pagam aos jogadores a maior parte do que recebem. Pagar-lhes quase tudo é outro arranjo, e acabou da mesma maneira todas as vezes que alguém tentou.
O treinador pode falar com quem quiser e não pode pagar a ninguém. Um plantel sobrevive a um mercado destes com empréstimos, com miúdos da casa e com a esperança de que as lesões caiam noutro sítio.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Vladimir Mendes estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
29 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O CotonTchad perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Adams Sanut será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no CotonTchad as despedidas começaram em silêncio.
Mike Bettinger e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Diabel Ndoye estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Mike Bettinger está nela.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Adama Méïté assinar alguma coisa — um contrato no CotonTchad ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Faltam 4 meses, e ambos os lados sabem o que isso significa: cada semana sem assinatura baixa o valor que o CotonTchad pode pedir e sobe o salário que Pape Führer pode exigir.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.
Em resumo
MercadoDylan Collard colocado na lista de transferências
36 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O CotonTchad perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Verba acordada, salário acordado, e o Elect Sport à espera com uma camisola. No CotonTchad ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Entre clubes está tudo fechado e o que falta são papéis e uma fotografia. Em CotonTchad já falam dele no passado.
Plantel17/09/2035
Uma transferência que Loick Ayina teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Loick Ayina está a viver essa versão no CotonTchad, e costuma notar-se no primeiro mês.
Plantel17/09/2035
Palavras no treino do CotonTchad sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mike Bettinger está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
Não pode pagar-se um valor por ninguém, precise o plantel do que precisar. Todos os rumores sobre este clube até o embargo ser levantado são rumores sobre um negócio que não se pode fazer.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no CotonTchad coisas que levam mais de uma semana a retirar.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no CotonTchad, mais uma semana sem a assinatura de Ahmed Magdy.
Emmanuel Kakou lesiona os ligamentos do joelho — 43 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 43 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Lá em cima ninguém disse nada, que é a coisa mais barulhenta que podiam fazer. Os resultados compram silêncio neste ofício; a conta do CotonTchad está a esgotar-se.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do CotonTchad já se começa a dizer o nome dele no passado.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Jason Dalle Molle acabou de assinar pelo CotonTchad e, por uma vez, a resposta importava.
Plantel10/09/2035
Palavras no treino do CotonTchad sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mike Bettinger está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
A formação existe exatamente para esta manhã. Narcisse Tokindang passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Saleh Mbaiguedem é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Moussa Haroun está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Emmanuel Kakou lesiona os ligamentos do joelho — 51 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 51 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
O que se dizia à porta fechada passou a dizer-se diante de um microfone. Em CotonTchad toda a gente sabe fazer a conta, incluindo o homem a quem se dirige.
Nada foi anunciado e toda a gente percebe o que significa. Uma direção que convoca todo o departamento de futebol numa terça de manhã é uma direção que deixou de acreditar que o problema se resolve sozinho.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do CotonTchad já se começa a dizer o nome dele no passado.
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Kylan Chasseport está a viver essa versão no CotonTchad, e costuma notar-se no primeiro mês.
Direção03/09/2035
O CotonTchad fecha o mercado com um plantel feito por si
10 entradas e 25 saídas, e nenhuma mudança durante meses. O treinador tem o que tem, os adeptos têm a sua opinião sobre isso, e a tabela terá a última palavra.
Mike Bettinger e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
60 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O CotonTchad perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Verba acordada, salário acordado, e o AS Etat Major à espera com uma camisola. No CotonTchad ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Louis Albert Cissé e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel27/08/2035
Mike Bettinger desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Toda a gente deixou de fingir: o Foullah Edifice vai fazer a chamada por Adams Sanut esta semana. O CotonTchad tem um número em mente, e o número não é tímido.
O banco27/08/2035
Mike Bettinger tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no CotonTchad dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Faltam 1 meses, e ambos os lados sabem o que isso significa: cada semana sem assinatura baixa o valor que o CotonTchad pode pedir e sobe o salário que Louis Albert Cissé pode exigir.
Emmanuel Kakou lesiona os ligamentos do joelho — 69 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 69 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
“Não era o certo para mim. Não vou explicar porquê a ninguém, a não ser às pessoas a quem devo uma explicação.” Um negócio acordado entre dois clubes, e um jogador que se recusou a fazer parte dele.
Verba acordada, salário acordado, e o Stars Jeunes Talents à espera com uma camisola. No CotonTchad ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Louis Albert Cissé e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Plantel20/08/2035
Palavras no treino do CotonTchad sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mike Bettinger está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
A proibição impede o pagamento de qualquer verba por um jogador, pense o treinador o que pensar. Cada rumor publicado sobre este clube até ela ser levantada é um rumor sobre um negócio impossível.
A lesão mais comum do futebol e aquela de que mais se volta à pressa. O CotonTchad vai falar em 15 dias e vai ter cuidado, porque a segunda é sempre pior do que a primeira.
76 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O CotonTchad perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Direção13/08/2035
O silêncio lá de cima começa a ouvir-se em CotonTchad
Ninguém na direção disse nada contra o treinador — e é esse o problema: também já não dizem nada a favor.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do CotonTchad já se começa a dizer o nome dele no passado.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do CotonTchad, e não vai ser retirado.
A proposta do AS Etat Major por Quentin Lhomme foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Mike Bettinger e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Emmanuel Kakou agiu, no CotonTchad, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Stars Jeunes Talents fica com o seu homem, e o CotonTchad volta a uma lista com um nome riscado.
Plantel13/08/2035
Basel Medhat desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.