O Carrarese torna a sua casa um sítio difícil de visitar
20 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
7.79, 1 na ficha e a comédia muito própria de um jogador da linha defensiva a festejar como quem faz isto todas as semanas. Não faz, e é exatamente por isso que o estádio reagiu como reagiu.
Jogo29/12/2035
Ninguém quer jogar contra o Carrarese neste momento
3 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Francesco Versari será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Carrarese as despedidas começaram em silêncio.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Carrarese coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel31/12/2035
Palavras no treino do Carrarese sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Lorenzo Vigiani está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Christian Rinaldi. 2‑0 sobre o Casarano, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Já são 50 pelo clube, cada um arquivado na memória de alguém com uma data e um resultado. É sobre números assim que os adeptos vão discutir daqui a vinte anos.
Dribles concretizados: 18. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Em resumo
Notas dos jogadoresChristian Rinaldi jogou uma tarde diferente da de toda a gente
A série sem derrotas chega aos 20 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
20 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Carrarese perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
18 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Carrarese, e não vai ser retirado.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Lorenzo Vigiani e o Carrarese acertam mais 3 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Carrarese coisas que levam mais de uma semana a retirar.
A série sem derrotas chega aos 17 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Vitória por 1‑0 sobre o Pisa, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
Notas dos jogadores05/11/2035
Michele Greco não podia pedir mais na estreia — 7.45
As estreias sobrevivem-se, não se desfrutam. Esta desfrutou-se: 7.45, 0 golos, e um treinador a quem já perguntam se ele é titular outra vez para a semana.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Carrarese ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Carrarese coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel05/11/2035
Palavras no treino do Carrarese sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Lorenzo Vigiani está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Aos 21 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
15 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Os centrais têm licença para subir duas vezes por época e são julgados pelo que fazem quando lá chegam. Jacopo Martini marcou, foi avaliado com 7.66 e voltou antes de alguém dar pela falta.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Carrarese ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Lorenzo Vigiani e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Stefano Precupanu e o Carrarese acertam mais 4 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
O prémio é pouca coisa com um significado pesado: durante quatro semanas ninguém neste escalão fez melhor o seu trabalho. Carrarese têm o troféu numa prateleira e o jogador na equipa.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Francesco Versari será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Carrarese as despedidas começaram em silêncio.
Jacopo Martini e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
O Carrarese perguntou e o Como disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Plantel10/09/2035
Lorenzo Vigiani desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Kostas Myrtollari e o Carrarese acertam mais 1 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Carrarese sabem-no.
«Estamos muito longe um do outro, e fingir o contrário não ajuda ninguém.» Nada se moveu, e o calendário não joga a favor do clube.
O banco10/09/2035
O treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Simone Zanon
Em público está ultrapassado para toda a gente. Não está para quem faz a equipa, e o único sítio onde isso se vê é uma ficha de jogo. Vai ter outra oportunidade: vai tê-la num jogo que importe menos.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Jean Carlos Polo está nela.
16 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Carrarese perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
O negócio que levaria Gabriele Russi para o Catania caiu na fase final e ele reapresenta-se no Carrarese com um verão para esquecer e uma época inteira para jogar. Ninguém diz quem se levantou da mesa.
13 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Carrarese, e não vai ser retirado.
A série sem derrotas chega aos 9 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Davide Bassanello será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Carrarese as despedidas começaram em silêncio.
Em resumo
DireçãoO prazo passa com 14 contratações e 17 saídas
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 52 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Já são 9 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Carrarese coisas que levam mais de uma semana a retirar.
O Carrarese perguntou e o Cosenza disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Francesco Versari está a viver essa versão no Carrarese, e costuma notar-se no primeiro mês.
O Casarano vai continuar a utilizá-lo até junho e não receberá nada por ele depois. Adam Claesson pré-acordou a mudança para o Carrarese, e os únicos que perdem nesse arranjo são os que deixaram o contrato correr.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Lorenzo Vigiani estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Há futebolistas que fazem uma boa temporada e futebolistas por quem uma temporada é recordada; aos segundos leem-lhes o nome num salão no verão. No Pogradeci estarão discretamente encantados e, em privado, nervosos.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Pasquale Iaccarino estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Os clubes de futebol endividam-se; isso não é notícia. Endividarem-se acima do que lhes foi concedido é, porque a partir daqui é o dinheiro do dono ou a decisão de outra pessoa, e nenhuma das duas coisas pertence à direção.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Pogradeci, mais uma semana sem a assinatura de Niño Schepers.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Pasquale Iaccarino treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.