A proposta ficou longe e foi recusada quase sem discussão. Se a segunda for recusada com a mesma rapidez já é outra conversa.
Plantel02/06/2036
Uma transferência que Ronan Kpakio teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Ronan Kpakio está a viver essa versão no Rapid Wien, e costuma notar-se no primeiro mês.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
O telefone voltou a tocar por causa de Cheveyo Tsawa, e desta vez do outro lado está o St. Pölten. No Rapid Wien ouvem com educação e não prometem nada.
Não há pior forma de perder um futebolista. Fabio Pandolfi pré-acordou a saída, o que significa que cada jogo daqui até junho é feito por um homem que o clube já não pode vender, e alguém lá em cima vai ter de explicar como se chegou aqui.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Rapid Wien coisas que levam mais de uma semana a retirar.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Rapid Wien falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
É a ambição mais legítima do desporto e a mais difícil de satisfazer para a maioria dos clubes. Harald Woxen quer futebol continental; se o Rapid Wien o consegue oferecer é uma pergunta sobre as próximas duas épocas, não sobre ele.
Phillip Verhounig e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Harrison Armstrong está nela.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Fabio Pandolfi estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.
Há um nível em que um futebolista deixa de ser posto à prova e passa apenas a ser contido, e ele chegou lá há algum tempo. No Rapid Wien sabem-no, e também todos os que o veem.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Rapid Wien falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
É a ambição mais legítima do desporto e a mais difícil de satisfazer para a maioria dos clubes. Izan González quer futebol continental; se o Rapid Wien o consegue oferecer é uma pergunta sobre as próximas duas épocas, não sobre ele.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no Rapid Wien a ouviu como outra coisa.
Ange Ahoussou e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Plantel21/04/2036
Uma lesão muscular afasta Felix Fischer durante 14 dias
Ninguém faz um documentário sobre um isquiotibial e toda a gente nisto o teme. No Rapid Wien vão ter cuidado com a data de regresso, porque a segunda é sempre pior do que a primeira.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Tomás Viera agiu, no Rapid Wien, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
O Blau-Weiß Linz vai continuar a utilizá-lo até junho e não receberá nada por ele depois. Mert Kömür pré-acordou a mudança para o Rapid Wien, e os únicos que perdem nesse arranjo são os que deixaram o contrato correr.
Ninguém no Rapid Wien dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Daniel Sumbu treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
49 dias de fora para Felix Fischer depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Rapid Wien vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Posição 2, 51 pontos, e o resultado que todos procuram primeiro agora é o deles. A palavra continua a não se dizer à volta do estádio — e é assim que se sabe que todos a pensam.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Rapid Wien já se começa a dizer o nome dele no passado.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Rapid Wien ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Rapid Wien coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.