O Benevento aceitou o dinheiro. O que o Perugia ainda não tem é o homem, e entre aqui e a fotografia há uma conversa sobre salários que os dois lados temem.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Perugia podem fingir não ter ouvido.
Plantel14/01/2036
Moustapha Yabré desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Michelangelo Conti e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Uma sondagem ao Fiorentina para um empréstimo: cobertura, ou uma vista de olhos a alguém que o clube ainda não pode comprar. De qualquer maneira, a resposta chega dentro de uma semana.
56 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Perugia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
$3.1M era o máximo que o clube pagaria, e o Inter pedia mais. Negócios destes ressuscitam na última semana do mercado mais ou menos metade das vezes, e todos os envolvidos o sabem.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Mario Mariani será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Perugia as despedidas começaram em silêncio.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Moustapha Yabré estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
A papelada fica pronta muito antes do jogador. Carlos Diaz acertou vir quando o contrato atual terminar, o que significa que o Perugia substituiu um orçamento de verão por um telefonema.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Matthew Burns tem a sua resposta do Perugia; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Matteo Angeli. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Faltam 2 meses, e ambos os lados sabem o que isso significa: cada semana sem assinatura baixa o valor que o Perugia pode pedir e sobe o salário que Stanislas Kielt pode exigir.
63 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Perugia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
A proposta seguiu esta semana para o Inter, e a resposta é deles. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Perugia, e não vai ser retirado.
Direção03/09/2035
O Perugia fecha o mercado com um plantel feito por si
8 entradas e 29 saídas, e nenhuma mudança durante meses. O treinador tem o que tem, os adeptos têm a sua opinião sobre isso, e a tabela terá a última palavra.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Perugia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Moustapha Yabré estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 140 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Perugia já se começa a dizer o nome dele no passado.
Exames médicos, uma assinatura, uma camisola levantada à frente de um painel de patrocinadores. O Perugia fez a parte difícil com o Cremonese, e a parte que falta é a única que os adeptos veem.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Moustapha Yabré está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.
Em resumo
O bancoMatthew Burns pede uma conversa com o treinador
Orazio Mazza desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Toda a gente no Perugia viu antes de alguém o dizer, que é como isto vai sempre. Aos 35 o declínio é real e mensurável — 3 pontos — e só falta saber como o clube trata alguém a quem deve muitíssimo.
Arnau Bargalló e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Arnau Bargalló, e o treinador deixou.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Matteo Angeli. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Emprestados23/04/2035
O empréstimo de Daniel Çuli mede-se pelo que não acontece
5 balizas a zeros em 17 jogos no Livorno. É o ofício inteiro de um guarda-redes bem cumprido, e está a ser cumprido muito longe do clube que o detém.
Nada por escrito e nada em público: uma palavra sobre minutos, dada cara a cara no Perugia. As fichas de jogo do próximo mês dirão se valia a pena tê-la.
Os centrais têm licença para subir duas vezes por época e são julgados pelo que fazem quando lá chegam. Riccardo Ladinetti marcou, foi avaliado com 7.44 e voltou antes de alguém dar pela falta.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Moustapha Yabré está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Tem 22 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Um jogador que contava ser titular assistiu de fora. O treinador vai chamar-lhe uma decisão pela equipa; Benjamín Giachero chama-lhe outra coisa em privado.
Avaliado com 7.98. Pergunte a qualquer pessoa à saída do estádio o que decidiu aquilo e receberá um nome, que é o único prémio que alguma vez contou a sério.
O prémio é pouca coisa com um significado pesado: durante quatro semanas ninguém neste escalão fez melhor o seu trabalho. Perugia têm o troféu numa prateleira e o jogador na equipa.
17 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Perugia ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Perugia, e não vai ser retirado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Orazio Mazza estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Arnau Bargalló esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Nota 7.68 numa tarde que correu do primeiro ao último apito. Falhasse o que falhasse ao Perugia, o melhor em campo era deles.
O banco23/10/2034
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Ruggero Orlando foi breve depois da vitória por 1‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Orazio Mazza estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Perugia sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
Faltam 1 meses, e ambos os lados sabem o que isso significa: cada semana sem assinatura baixa o valor que o Perugia pode pedir e sobe o salário que Jair Tavares pode exigir.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Hjalte Kropp apontou a data.
A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Perugia perdeu-o em tudo menos nos papéis.
O Perugia perguntou e o Young Boys disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Hjalte Kropp está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Arnau Bargalló e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
5 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Arnau Bargalló, e o treinador deixou.
Verba acordada, salário acordado, e o Renate à espera com uma camisola. No Perugia ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
O Perugia foi ao Torino com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Perugia ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
O Perugia perguntou e o AS Roma disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
61 dias, diz o departamento médico, e os departamentos médicos são otimistas por profissão. A ficha de jogo vai parecer errada sem ele.
Plantel14/08/2034
Hjalte Kropp desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Arnau Bargalló e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
6 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.