Faltavam 85 minutos e o San Telmo tinha o ponto praticamente guardado. O futebol raramente lê o ambiente, e o Defensores não parou para dar explicações.
13 golos e uma média de 7.36 na época têm esse efeito. O espaço que ele costumava encontrar desapareceu; continua a marcar na mesma, que é a marca dos verdadeiros.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Defensores coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Já são 100 golos com estas cores, cada um deles a memória de alguém. Há um adepto na bancada capaz de dizer onde estava na maioria deles.
Plantel19/05/2031
Palavras no treino do Defensores sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Gonzalo Gamarra está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Tem 17 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Brandon Verón esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel31/03/2031
Gonzalo Gamarra desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Enzo González. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
“Fiz tudo o que me pediram nos treinos e ao sábado não mudou nada.” A queixa mais conhecida do futebol, e uma a que o Defensores terá de responder com minutos ou com uma transferência.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 8 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
O golo que pôs o Mitre na frente ainda passava nos ecrãs do corredor quando o Defensores empatou, 2 minutos depois. Uma vantagem vale o que se fizer com ela.
Dario Pio D'Amico esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
O banco03/03/2031
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 1‑2, ditas por Interim Coach a uma sala que já as tinha ouvido.
Nem contrato novo nem número novo: um lugar novo na cabeça do treinador, que é a única promoção no futebol que conta de verdade. Máximo Machado subiu nela.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Enzo González. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Gonzalo Gamarra estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Diego Magallanes e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Uma nota de 7.77, e ninguém no estádio a contestaria. Esteve em tudo o que importava e em quase tudo o que não.
O banco17/02/2031
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Interim Coach não o escondia depois do 0‑0, e no balneário do Defensores também ninguém o escondia.
Dribles concretizados: 13. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Aqui não há queixa possível e todos os envolvidos sabem, o que não encurta o caminho até ao banco. A forma é a única moeda do futebol sobre a qual não se pode pedir emprestado.
Não acontece nada durante meses e depois ele simplesmente chega, a custo zero, tendo assinado um pré-contrato enquanto ainda jogava por outro. É a forma menos dramática de contratar um futebolista e muitas vezes a mais esperta.
Dario Pio D'Amico e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Uma cara nova na sua posição e, de repente, Gonzalo Gamarra tem de reconquistar o que julgava seu. O Defensores não prometeu nada — nesta fase raramente promete.