65 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O CR Belouizdad perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no CR Belouizdad coisas que levam mais de uma semana a retirar.
O jogo que o resto da divisão espera com mais vontade do que qualquer das duas equipas envolvidas. Ambas sabem que uma vitória muda a época e uma derrota não a acaba, e é isso que o torna difícil de jogar.
141 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O CR Belouizdad perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
1‑2 frente ao ES Setif, e a estrada acaba aqui. As eliminações da taça são mortes rápidas — sem segunda mão, sem próxima semana, só o campeonato daqui até maio.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que CR Belouizdad podem fingir não ter ouvido.
Um prémio individual é coisa estranha num desporto de equipa, e os melhores não se discutem. Teve o tipo de ano que acaba com o seu nome lido em voz alta, e o CR Belouizdad beneficiou disso.
Naoufel Khacef e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” Omar Haddad depois do 1‑2, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
O banco14/12/2026
O treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Moustapha Zeghba
Em público está ultrapassado para toda a gente. Não está para quem faz a equipa, e o único sítio onde isso se vê é uma ficha de jogo. Vai ter outra oportunidade: vai tê-la num jogo que importe menos.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Mehdi Boudjemaa: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o CR Belouizdad a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Siriman Konaté está nela.
“Não assinei para ver. Ninguém assina.” A queixa mais antiga do futebol, e o CR Belouizdad vai ter de lhe responder com minutos ou com uma transferência.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no CR Belouizdad coisas que levam mais de uma semana a retirar.
2 golos antes de o estádio acabar de chegar. O MC El Bayadh passou o resto da tarde a jogar um jogo já decidido, e toda a gente nas bancadas sabia disso.
Dribles concretizados: 15. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Os jogos da taça esperam que alguém os agarre, e Siriman Konaté agarrou este contra o USM Khenchela. 1‑0 no fim, e no sorteio da próxima ronda está o nome do CR Belouizdad.
Aos 22 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Um médio mede-se por saber se a equipa funciona quando ele está em campo, algo quase impossível de ver e completamente óbvio em retrospetiva. 11 ações, 6.57, e um treinador que não o vai substituir tão cedo.
Dribles concretizados: 18. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.