Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Edílson será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Noah-2 as despedidas começaram em silêncio.
O mais difícil de ter 20 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Seydou Sy não precisou: 7.73, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Noah-2, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 6 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Quatro ou cinco jornadas de regularidade, medidas contra todos os da divisão que fazem o seu trabalho. Seydou Sy sai dessa comparação dentro da equipa, e o Noah-2 beneficiou de cada uma dessas tardes.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Edílson assinar alguma coisa — um contrato no Noah-2 ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Um 0‑11 imposto pelo Araks Ararat é o tipo de resultado que esvazia o estádio muito antes do apito final.
Jogo20/03/2027
Ninguém conseguiu parar de marcar
11 golos. Os dois bancos passaram a segunda parte a olhar um para o outro mais do que para o relvado. Os puristas vão queixar-se do Noah-2 e do Araks Ararat por igual; os restantes divertiram-se imenso.
Seydou Sy tem 20 anos e, por um fim de semana, foi o melhor de todos os da sua idade na divisão. Ninguém devia construir uma carreira sobre isso, e toda a gente o faz em silêncio.
O BKMA-2 vai querer esquecer isto depressa: 5‑0, todos os duelos perdidos e uma viagem longa para casa. O Noah-2 foi impiedoso como as boas equipas sabem ser.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Demba Dièye produziu-o, e o 8.55 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
Notas dos jogadores15/03/2027
Seydou Sy, 20 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.88
Um 7.88 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 20. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No Noah-2 ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
Um fim de semana, avaliado contra o de todos os outros. Demba Dièye ficou por cima, e para a maioria dos futebolistas um prémio semanal é o único troféu que uma carreira produz.
Aos 20 anos está a ser medido contra os restantes jovens da divisão e sai à frente. A versão sénior deste prémio é onde o clube gostaria que isto levasse.
Em resumo
MercadoContinua sem haver assinatura de Demba Dièye
“Sei o que as pessoas vão dizer. Sei o que quero, e é aqui.” O Ararat-Armenia tinha a verba acordada e a camisola pronta; não tinha o jogador, e agora não o vai ter.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Demba Dièye treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Artiom Zabun. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Uma transferência que Seydou Sy teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Seydou Sy está a viver essa versão no Noah-2, e costuma notar-se no primeiro mês.
Tem 20 anos e ninguém em Noah-2 o contratou para esta época. Negócios destes julgam-se daqui a quatro anos, por gente que talvez já não esteja na casa.