Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 12 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
O treinador reorganizou as ideias e João Schmidt saiu delas mais abaixo. Vão dizer-lhe que é temporário, e os jogadores que já ouviram isso antes vão desviar o olhar.
Aos 35 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.41 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Santos coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Matheus Henrique. 3‑1 sobre o Bahia, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Uma exibição de 8.05 não aparece com frequência e, quando aparece, o resto da equipa passa a cenário. Esteve magnífico.
Emprestados25/10/2027
O empréstimo de João Pedro mede-se pelo que não acontece
11 balizas a zeros em 21 jogos no Londrina. É o ofício inteiro de um guarda-redes bem cumprido, e está a ser cumprido muito longe do clube que o detém.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Pedro Raul produziu-o, e o 8.71 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
7.73, 1 na ficha e a comédia muito própria de um jogador da linha defensiva a festejar como quem faz isto todas as semanas. Não faz, e é exatamente por isso que o estádio reagiu como reagiu.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
Gabriel Barbosa e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Willian Arão lesiona os ligamentos do joelho — 46 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 46 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Santos, e não vai ser retirado.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para João Schmidt, e o treinador deixou.
Não dá grande título e é a razão por que os jogadores acreditam na promessa seguinte. O Santos disse a Lucas Romero que algo iria acontecer e aconteceu, o que nesta indústria já passa por notável.
Quatro ou cinco jornadas de regularidade, medidas contra todos os da divisão que fazem o seu trabalho. Matheus Henrique sai dessa comparação dentro da equipa, e o Santos beneficiou de cada uma dessas tardes.
Willian Arão lesiona os ligamentos do joelho — 81 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 81 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Santos já se começa a dizer o nome dele no passado.
1 para Matheus Henrique, avaliado com 7.88, e o nome de um central na parte da crónica a que normalmente só chega por engano. No balneário não o vão deixar esquecer durante um mês.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Pepê Fermino será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Santos as despedidas começaram em silêncio.
Gabriel Barbosa e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
105 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Santos perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
O painel já tinha subido, os protestos já tinham começado, e então a bola entrou ao minuto 90. O Palmeiras vai rever cada segundo do tempo extra durante uma semana.
A perseguição a Alan Franco terminou com $9.2M a mudar de mãos e o Atlético Mineiro sem razões para dizer que não. Os adeptos julgarão o valor da única maneira que conta: aos sábados.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Santos já se começa a dizer o nome dele no passado.
“Não era o certo para mim. Não vou explicar porquê a ninguém, a não ser às pessoas a quem devo uma explicação.” Um negócio acordado entre dois clubes, e um jogador que se recusou a fazer parte dele.
O negócio mais incómodo que um clube faz é contratar a resposta de amanhã enquanto a de hoje ainda está no edifício. Robert Santos vem do Atlético Mineiro exatamente para isso, e da passagem de testemunho ninguém falará em público.
O Santos perguntou e o Náutico disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Lucas Romero esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Em resumo
As bancadasO Santos gasta $9.2M na contratação que a cidade queria
120 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Santos perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Vitória por 4‑0 sobre o Maringá, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
O Atlético Mineiro não queria vender e o número é a razão por que o fez. $6.0M por Lyanco, e a expectativa que chega com ele não é suavizada por nenhum período de adaptação.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 7 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
O aperto de mão com o Monza está dado; o do jogador ainda não. Seguem-se as condições pessoais, e é nas condições pessoais que morrem mais negócios do que alguém imprime.
A verba é $4.3M, o contrato está assinado, e a discussão sobre se ele vale o preço pode começar. O Corinthians negociou duro; o tempo dirá quem ganhou.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 7.82 aos 35, e ninguém no campo esteve melhor.