Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Horizonte vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Notas dos jogadores23/11/2026
André Soares, 19 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.72
Um 7.72 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 19. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Horizonte coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Já são 6 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Martín Espinoza estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Tem 22 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Martín Espinoza, e o treinador deixou.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Horizonte falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Faltavam 85 minutos e o Jequié tinha o ponto praticamente guardado. O futebol raramente lê o ambiente, e o Horizonte não parou para dar explicações.
Notas dos jogadores09/11/2026
Paulo Silva, 19 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.98
Um 7.98 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 19. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Aos 37 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 7.84 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Uma média de 7.02 numa equipa principal para a qual lhe sobram vários anos de juventude. Horizonte têm alguma coisa, e a esta altura o escalão inteiro já reparou.
José Santos esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 19 anos que sente como seu. André Soares tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Horizonte vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
31 pontos, e o resto da divisão a olhar para cima. Todas as equipas que acabam em primeiro passam a época a fingir que não pensam nisso, e esta começou a fingir.
«Dei tudo aqui e preciso de um desafio novo.» O pedido é formal, e a relação nunca mais vai ser exatamente a mesma.
Plantel02/11/2026
Martín Espinoza desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Dribles concretizados: 19. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
O prémio de melhor jovem do mês vai para um jogador de 18 anos do Horizonte que pareceu um produto acabado durante quatro jornadas seguidas. As quatro seguintes é que decidem se é.
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Horizonte vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
24 pontos, e o resto da divisão a olhar para cima. Todas as equipas que acabam em primeiro passam a época a fingir que não pensam nisso, e esta começou a fingir.
O mais difícil de ter 19 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. André Soares não precisou: 7.87, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: André Soares. 1‑0 sobre o Ferroviário, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Todos os clubes de futebol pagam aos jogadores a maior parte do que recebem. Pagar-lhes quase tudo é outro arranjo, e acabou da mesma maneira todas as vezes que alguém tentou.
Tem 20 anos, e os relatórios dos observadores concordam na única linha que importa: o teto. Contratações assim são bilhetes de lotaria preenchidos por profissionais.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Paulo Silva. 2‑1 sobre o Treze, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Tem 19 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e José Santos treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Festejou como quem andava com aquilo às costas há meses, porque andava. Horizonte têm o reforço desbloqueado e uma pergunta a menos em cada conferência.
Todos os reforços esperam por ele e todas as conferências de imprensa perguntam por ele até chegar. Chegou, o Horizonte tem o seu homem a marcar, e o segundo é sempre mais fácil.
Cada estreia é uma pequena história sobre o futuro: Willian Martins, 18 anos, saído dos campos da formação para a equipa principal. Os pais, na bancada, vão guardar o programa do jogo.