Já são 16 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
2.º lugar e 29 pontos no marcador. No estádio ainda ninguém diz a palavra, e no estádio toda a gente pensa nela.
Jogo29/12/2029
O Hasaacas torna a sua casa um sítio difícil de visitar
14 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
«Dei tudo aqui e preciso de um desafio novo.» O pedido é formal, e a relação nunca mais vai ser exatamente a mesma.
Plantel31/12/2029
Uma lesão muscular afasta Gladson Baba durante 15 dias
Ninguém faz um documentário sobre um isquiotibial e toda a gente nisto o teme. No Hasaacas vão ter cuidado com a data de regresso, porque a segunda é sempre pior do que a primeira.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Edmund Bukari. 1‑0 sobre o Medeama, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
«Nunca quis estar noutro sítio. Ainda há trabalho por acabar aqui.» Francis Appiah compromete-se com o Hasaacas por mais 3 anos.
Plantel15/10/2029
Palavras no treino do Hasaacas sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mohammed Sadat Abubakari está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Nana Afful e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Francis Ayew, e o treinador deixou.
Vestiu a outra camisola. No sábado joga contra o Asante Kotoko com esta, e tudo o que disser esta semana sobre ser um jogo como os outros será mentira.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Edmund Bukari assinar alguma coisa — um contrato no Hasaacas ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Um defesa no marcador, coisa rara o suficiente para que toda a gente no estádio se lembre de quem marcou o canto. 1 para ele e uma nota de 7.84 para o resto.
Dribles concretizados: 21. Havia sempre um defesa à frente dele, e nunca houve um defesa à frente dele por muito tempo.
Plantel17/09/2029
Palavras no treino do Hasaacas sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mohammed Sadat Abubakari está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Minuto 86, frente ao Aduana Stars, e um golo que soube a vitória a toda a gente que ficou. Foi um empate. Ninguém à saída do estádio o vai descrever assim.
Francis Ayew esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Albert Annan depois do empate por 1‑1, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Hasaacas, e não vai ser retirado.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Abdul Acquah e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Hasaacas, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 23 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
O Hasaacas perguntou e o Liberty Professionals disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Mohammed Sadat Abubakari estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Uma sondagem ao Ashanti Gold para um empréstimo: cobertura, ou uma vista de olhos a alguém que o clube ainda não pode comprar. De qualquer maneira, a resposta chega dentro de uma semana.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Edmund Sulemana treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Emmanuel Owusu lesiona os ligamentos do joelho — 15 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 15 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
A proposta ficou muito aquém e em Hasaacas não precisaram de pensar muito. Ninguém neste negócio lê uma primeira recusa como um fim.
Plantel12/02/2029
Palavras no treino do Hasaacas sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mohammed Sadat Abubakari está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Baba Wakaso treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Amos Schlupp, e o treinador deixou.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Hasaacas sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
Em resumo
MercadoContinua sem haver assinatura de Yaw Wakaso
Mohammed Sadat Abubakari e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
O banco25/12/2028
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Albert Annan escolheu a versão do copo meio cheio do 0‑0; os adeptos saíram com a outra.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Hasaacas, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Outro tem estado melhor, o treinador disse-o com uma ficha de jogo, e não há discussão possível. Vai recuperar a camisola da única maneira que ela se recupera.
17 jogos sem vencer é o tipo de série que muda a forma como uma cidade fala do seu clube, e o Hearts of Oak foi a tarde em que parou. Um resultado não resolve nada, e um resultado faz tudo parecer diferente.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 8 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Hasaacas vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Mohammed Sadat Abubakari e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Terminou 1‑0, e a tarde foi de um jogador do plantel: marcou quando era preciso, e é a razão de os pontos ficarem com o Hasaacas.
O banco18/12/2028
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Albert Annan foi breve depois da vitória por 1‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Cada estreia é uma pequena história sobre o futuro: Amos Schlupp, 19 anos, saído dos campos da formação para a equipa principal. Os pais, na bancada, vão guardar o programa do jogo.