Minuto 95. Abdelaziz Makine encontrou a finalização num tempo que só existia por causa das paragens anteriores, e o US Moursal passou do ponto ao nada num só movimento.
Um 7.68 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 15. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Abdelaziz Makine e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Abdelaziz Makine. 2‑1 sobre o US Moursal, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Tem 15 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
21 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Gazelle perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 6 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
Derrota por 0‑2, e justa. O treinador foi curto nas palavras no final, o que provavelmente foi sensato.
O banco13/12/2027
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑2, ditas por Ali Tokindang a uma sala que já as tinha ouvido.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Mahamat Ali Hassan, e o treinador deixou.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Segue-se o Elect Sport, e há um homem no balneário do Gazelle que conhece o centro de treinos deles melhor do que o seu. A receção vai dizer-lhe o que pensavam dele.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Gazelle ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Mouctar Kodji estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
O banco29/11/2027
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 Ali Tokindang saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Abdelaziz Makine está nela.
Hassane Boudina lesiona os ligamentos do joelho — 16 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 16 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 9 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Gazelle ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Gazelle coisas que levam mais de uma semana a retirar.
“Os adeptos têm todo o direito de estar zangados. Eu também estou. Vamos corrigir isto.” 1‑2, um treinador a dizer as coisas necessárias, e um balneário que ouviu outra versão delas.
Em resumo
PlantelNarcisse Souleymane desentende-se com um colega por causa das exigências
Hassane Boudina lesiona os ligamentos do joelho — 58 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 58 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
O Stars Jeunes Talents vai querer esquecer isto depressa: 3‑0, todos os duelos perdidos e uma viagem longa para casa. O Gazelle foi impiedoso como as boas equipas sabem ser.
Um 9.80 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 15. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
6 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Abdramane Mahamat e o Gazelle acertam mais 3 anos.
O banco11/10/2027
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Ali Tokindang foi breve depois da vitória por 3‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Osée Natoyoum. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Hassane Boudina lesiona os ligamentos do joelho — 65 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 65 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Um 7.86 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 15. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Oumar Djimet será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Gazelle as despedidas começaram em silêncio.
Osée Natoyoum esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Direção04/10/2027
1 jogadores da formação recebem número de equipa principal no Gazelle
A manhã em que o percurso deixa de ser um folheto e passa a ser uma ficha de jogo. A maioria não estará cá daqui a três anos; todos já fizeram a parte difícil, que era chegar a hoje.
Tem 17 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
A formação existe exatamente para esta manhã. Abdoulaye Allamine passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Gazelle vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Osée Natoyoum esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Abdelaziz Makine. 2‑1 sobre o AS Etat Major, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 14 anos que sente como seu. Abdoulaye Souleymane tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Todos os reforços esperam por ele e todas as conferências de imprensa perguntam por ele até chegar. Chegou, o Gazelle tem o seu homem a marcar, e o segundo é sempre mais fácil.
Ali Mahamat ganha-o quando o apito já devia ter soado
Minuto 94. Ali Mahamat encontrou a finalização num tempo que só existia por causa das paragens anteriores, e o AS Etat Major passou do ponto ao nada num só movimento.
Dribles concretizados: 26. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Gazelle ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Yacine Wakili estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Abbas Maigué esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Aos 14 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Ali Tokindang sobre uma tarde de 1‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Há golos que ganham jogos e golos que os tiram a alguém. Yacine Wakili marcou ao minuto 89, o AS Algoy já pensava na viagem de regresso, e o Gazelle levou tudo.
Aos 36 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 9.67 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Terminou 3‑2, e a tarde foi de Yacine Wakili: marcou quando era preciso, e é a razão de os pontos ficarem com o Gazelle.
Plantel23/11/2026
Yacine Wakili desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Tem 17 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.