«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Maccabi Petach Tikva podem fingir não ter ouvido.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Maor Erlich será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Maccabi Petach Tikva as despedidas começaram em silêncio.
Naftali Balay esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Guy Dezent. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Liran Hazan treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Eitan Tibi e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Maor Erlich está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Maccabi Petach Tikva, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Idan Dahan está nela.
«Não vim para aqui aquecer à frente das pessoas.» O contrato acaba um dia, sabe contar as semanas, e o Maccabi Petach Tikva terá de lhe dar um motivo para ficar ou uma saída.
Um ano depois a língua não chegou, a cidade não se abriu, e come sozinho mais vezes do que no Maccabi Petach Tikva gostariam de admitir. Nota-se aos sábados.
O Hapoel Beer Sheva voltou a observar Guy Dezent no fim de semana, e desta vez nem se deu ao trabalho de o esconder. Os clubes só deixam de se esconder quando querem que o preço comece a mexer.