121 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Defensores perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
O Chaco For Ever vai querer esquecer isto depressa: 3‑0, todos os duelos perdidos e uma viagem longa para casa. O Defensores foi impiedoso como as boas equipas sabem ser.
Nicolás Borsotti e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Toda a gente no Defensores viu antes de alguém o dizer, que é como isto vai sempre. Aos 39 o declínio é real e mensurável — 3 pontos — e só falta saber como o clube trata alguém a quem deve muitíssimo.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 23 anos que sente como seu. Nicolás Borsotti tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
O banco30/04/2029
A vista do banco
“Controlámos o jogo. Houve períodos de que não gostei e vamos vê-los, mas o grupo mostrou-me alguma coisa.” Lucas Ponce, sobre uma vitória por 3‑0 que já ia a desmontar a caminho da sala de imprensa.
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 81 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
O Defensores entrevistou o mercado e nomeou o corredor: Lucas Ponce fica com o trabalho que já fazia em tudo menos no título. Às vezes as mãos mais seguras são as que já seguram o volante.
Um erro de guarda-redes não tem defesa atrás que o limpe. Soube-o antes de a bola passar a linha, o estádio soube-o um segundo depois, e esta noite não há nada que alguém possa dizer.
O banco26/02/2029
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑2 Lucas Ponce saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
O fenómeno mais antigo do desporto: uma voz nova no balneário e de repente toda a gente está disponível para tudo. Nicolás Benegas treina como se a última ficha de jogo nunca tivesse existido, porque para ele não existe.
Dribles concretizados: 14. Havia sempre um defesa à frente dele, e nunca houve um defesa à frente dele por muito tempo.
O banco26/02/2029
O treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Anthony Núñez
Em público está ultrapassado para toda a gente. Não está para quem faz a equipa, e o único sítio onde isso se vê é uma ficha de jogo. Vai ter outra oportunidade: vai tê-la num jogo que importe menos.
138 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Defensores perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Defensores, e não vai ser retirado.
A abordagem foi feita e a resposta veio numa frase. Não há número em cima da mesa porque não havia número que chegasse.
Plantel01/01/2029
Palavras no treino do Defensores sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Diego Magallanes está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Faz o seu trabalho e não se está a instalar. O Defensores devia ser um passo em frente nas contas dele, e as contas dele foram revistas desde que chegou.
O Defensores já telefonou ao UAI Urquiza. Sem verba, uma parte do salário, e uma camisola a mais na posição em que o plantel esteve mais curto a época inteira.
Os contabilistas vão chamar-lhe bom negócio e terão razão, o que não é o assunto de ninguém fora da administração. Matías Gómez era uma das razões por que as pessoas vinham, e $720.0K não substitui isso sozinho.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Defensores, e não vai ser retirado.
Exames médicos, uma assinatura, uma camisola levantada à frente de um painel de patrocinadores. O Defensores fez a parte difícil com o Belgrano, e a parte que falta é a única que os adeptos veem.
O Defensores perguntou e o Colón disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Anthony Núñez e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Rodrigo Ramirez e o Defensores acertam mais 3 anos.