A raiva no Tombense transborda para fora do estádio
Deixou de ser um ambiente nas bancadas e passou a ser algo organizado. As direções podem ignorar um mau ambiente durante muito tempo; esta fase não a conseguem ignorar por muito.
Plantel02/11/2026
Uma transferência que Anílson teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Anílson está a viver essa versão no Tombense, e costuma notar-se no primeiro mês.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Tombense, e não vai ser retirado.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Diego Fernandes e o Tombense acertam mais 4 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
A papelada fica pronta muito antes do jogador. Yago acertou vir quando o contrato atual terminar, o que significa que o Tombense substituiu um orçamento de verão por um telefonema.
Plantel02/11/2026
Palavras no treino do Tombense sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Lautaro Grosso está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Tombense coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Roberto Costa está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Tombense joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Tombense, mais uma semana sem a assinatura de Bruno Henrique.
Plantel12/10/2026
13 caras novas e o Tombense ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
Ninguém o confirma e as fichas de jogo confirmam-no todas as semanas. Um erro comprou-lhe um período como segunda opção que já é mais longo do que o erro merecia.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Ezequiel: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o Tombense a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Tony Batista assinar alguma coisa — um contrato no Tombense ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Não se vê o fim da espera do Tombense por uma vitória
Já são 12 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Tombense tem de arrancar um resultado de algum lado.
Plantel05/10/2026
Uma transferência que Bruno Henrique teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Bruno Henrique está a viver essa versão no Tombense, e costuma notar-se no primeiro mês.
4 jogos, nenhum golo e um centro de treinos que já tentou tudo. Vai acabar — as secas acabam sempre — mas ninguém no Tombense sabe dizer em que semana.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Lucas Larroza estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Fábio Tavares está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Wesley Machado é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Outro tem estado melhor, o treinador disse-o com uma ficha de jogo, e não há discussão possível. Vai recuperar a camisola da única maneira que ela se recupera.
Ninguém o confirma e as fichas de jogo confirmam-no todas as semanas. Um erro comprou-lhe um período como segunda opção que já é mais longo do que o erro merecia.
O passado entrou à frente dele. Os jogadores que estiveram onde ele esteve são ouvidos num balneário antes de o merecerem, e ele será ouvido enquanto a forma durar.
O sistema mudou e a posição dele não. Um futebolista pode melhorar a forma; não pode melhorar o sistema do treinador, e o problema é todo esse.
Plantel07/09/2026
No Tombense ainda são estranhos uns para os outros
7 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
Era uma das opções. Agora é um dos homens à volta de quem as opções se escolhem, e a mudança foi tão silenciosa que no dia só o balneário reparou.
O banco07/09/2026
O treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Henrique Mendes
Em público está ultrapassado para toda a gente. Não está para quem faz a equipa, e o único sítio onde isso se vê é uma ficha de jogo. Vai ter outra oportunidade: vai tê-la num jogo que importe menos.
Segue-se o Confiança, e há um homem no balneário do Tombense que conhece o centro de treinos deles melhor do que o seu. A receção vai dizer-lhe o que pensavam dele.
Faltam 4 meses, e ambos os lados sabem o que isso significa: cada semana sem assinatura baixa o valor que o Tombense pode pedir e sobe o salário que João Vitor pode exigir.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 29 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
As bancadas17/08/2026
Uma goleada na taça no Altos deixa o Tombense a explicar-se
1-4, e muito antes do fim a bancada visitante tinha passado do incentivo para algo bastante mais afiado. Ninguém liga para um programa de rádio por perder por pouco.
A papelada fica pronta muito antes do jogador. Pellegrin acertou vir quando o contrato atual terminar, o que significa que o Tombense substituiu um orçamento de verão por um telefonema.
A porta ficou fechada muito depois do apito final. O que ali se disse é com eles; se resultou, decide-se no sábado.
O banco17/08/2026
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 André Correia saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Um toque que não queria e um golo que entra no livro com o nome dele ao lado. O Tombense não o vai culpar esta noite, e ele não vai precisar que o façam.
Em resumo
Notas dos jogadoresUm instante estraga Diego Braga
0‑7 para o Ponte Preta, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
Houve 8 defesas pelo meio e pelo menos três que não tinham nada que ser defesas. Os dez jogadores de campo devem-lhe um copo, e sabem-no.
As bancadas10/08/2026
As bancadas já chegaram ao limite
«Andamos atrás de vocês por todo o lado e recebemos isto.» 12 dos 16 jogadores do plantel principal ouviram-no ao sair, e quem não ouviu é porque não jogou.
Notas dos jogadores10/08/2026
Uma estreia que Márcio Ribeiro vai querer esquecer — 5.57
Toda a estreia é uma de duas histórias e esta foi a outra. 5.57, e o único consolo disponível é que nenhuma carreira foi alguma vez decidida por noventa minutos com uma camisola acabada de entregar.
Defender era opcional e ninguém exerceu a opção. 7 golos entre o Tombense e o Ponte Preta, e nem um dos que pagaram bilhete vai pedir o dinheiro de volta.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Paulo Moreira está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
A formação existe exatamente para esta manhã. Daniel Cunha passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.