Guillermo Cotugno e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Dribles concretizados: 22. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Álex Vázquez estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 22 anos que sente como seu. Alejandro Severo tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Sofrer é uma coisa; a resposta é o que fala de um balneário. Rodrigo Dudok pôs o Racing de novo em igualdade em 4 minutos, e o Danubio nunca chegou a jogar com vantagem.
Francisco Mattos lesiona os ligamentos do joelho — 36 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 36 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Guillermo Cotugno e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Aos 23 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
5 jogos sem vencer, e depois isto, frente ao Deportivo Maldonado. O alívio é um barulho estranho num estádio de futebol, e foi o único que se ouviu no fim.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Rodrigo Dudok está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Gabriel Fernandez sobre uma tarde de 2‑1 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
15 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Racing perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
O painel já tinha subido, os protestos já tinham começado, e então a bola entrou ao minuto 93. O Liverpool Montevideo vai rever cada segundo do tempo extra durante uma semana.
Um 2‑1 sobre o Liverpool Montevideo, conquistado e não oferecido, e o tipo de tarde que manda toda a gente para casa a falar da próxima semana em vez desta.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Bruno Ugarte estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Tem 22 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Bruno Ugarte, e o treinador deixou.
11 golos em 16 jogos no Cerro — números que viajam para casa mais depressa do que ele. No Racing alguém atualiza uma folha de cálculo todas as segundas, e cada semana lê-se melhor.
22 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Racing perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Vitória por 2‑1 sobre o Wanderers, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
Não há forma mais cruel de perder um jogo. O Racing marcou aos 110, o pontapé de saída mal chegou a acontecer, e a bancada visitante ainda estava de pé quando soou o apito.
Dois golos e um 9.00 a acompanhar. Os avançados são julgados por tardes como esta e recordados por muito menos delas do que se imagina.
Notas dos jogadores24/05/2027
Diego Cheuquepal, 20 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.81
Um 7.81 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 20. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
José Varela e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
29 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Racing perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Bautista Tomatis esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Álex Vázquez está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
O banco17/05/2027
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Gabriel Fernandez escolheu a versão do copo meio cheio do 0‑0; os adeptos saíram com a outra.
8 golos em 14 jogos no Cerro — números que viajam para casa mais depressa do que ele. No Racing alguém atualiza uma folha de cálculo todas as segundas, e cada semana lê-se melhor.
Dribles concretizados: 13. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Renzo Bacchia: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o Racing a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
Leonardo Cabrera lesiona os ligamentos do joelho — 37 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 37 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 7 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Racing coisas que levam mais de uma semana a retirar.
19 vezes se meteu no caminho. Escreve-se sobre os centrais quando erram e ignoram-se quando não erram, por isso uma tarde destas tem de ser dita em voz alta: é ele a razão de o marcador dizer o que diz.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Álex Vázquez está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Gabriel Fernandez depois do empate por 0‑0, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
As bancadas esperaram por um golo que nunca chegou. O Juventud defendeu com muita gente e levou aquilo que veio buscar, e as duas equipas podiam ainda estar a jogar sem incomodar o marcador.
Facundo Parada lesiona os ligamentos do joelho — 43 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 43 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Bautista Tomatis tinha feito a sua parte na construção de um colchão de 2 golos. O que veio depois foi coletivo, e ao Liverpool Montevideo deixaram voltar a um jogo que estava arrumado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Racing coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Direção15/02/2027
5 jogadores da formação recebem número de equipa principal no Racing
A manhã em que o percurso deixa de ser um folheto e passa a ser uma ficha de jogo. A maioria não estará cá daqui a três anos; todos já fizeram a parte difícil, que era chegar a hoje.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 22 anos que sente como seu. Bautista Tomatis tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Leonardo Cabrera está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.