155 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Uberlândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
O Uberlândia perguntou e o Nova Iguaçu disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Plantel20/01/2031
Fabrício Moura desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Plantel20/01/2031
No Uberlândia ainda são estranhos uns para os outros
7 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
Faz o seu trabalho e não se está a instalar. O Uberlândia devia ser um passo em frente nas contas dele, e as contas dele foram revistas desde que chegou.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Samuel Silva treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Jean. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Em resumo
O bancoKauan Alves tornou-se um homem de confiança do treinador
70 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Uberlândia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
O que se dizia à porta fechada passou a dizer-se diante de um microfone. Em Uberlândia toda a gente sabe fazer a conta, incluindo o homem a quem se dirige.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 42 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Todo o departamento de futebol numa sala, numa manhã de dia de semana. Nada foi anunciado depois, que é o que uma direção anuncia quando a paciência acabou.
A proposta do Sousa por Samuel Silva foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Uberlândia podem fingir não ter ouvido.
O tipo de ano que acaba com um nome a ser lido num salão. O Uberlândia aproveitou-o todas as semanas e tem agora o problema de todos os outros saberem.
O Uberlândia tinha feito tudo menos convencer o próprio. Fica no Sport Recife, e o treinador volta à estaca zero com o dinheiro ainda no banco.
Mercado06/01/2031
Tão perto: a transferência de Guilherme Lima morre em cima da hora
O valor estava acertado e o voo já tinha sido visto — e então o telefone deixou de tocar. O Aparecidense seguiu em frente, Guilherme Lima apresenta-se de volta no Uberlândia, e todos fingem que segunda-feira é só uma segunda-feira.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que São João de Ver podem fingir não ter ouvido.
Posição 2, 28 pontos, e o resultado que todos procuram primeiro agora é o deles. A palavra continua a não se dizer à volta do estádio — e é assim que se sabe que todos a pensam.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no São João de Ver coisas que levam mais de uma semana a retirar.
9 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Robertinho está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Sérgio Malé, e o treinador deixou.
119 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Uberlândia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Direção18/11/2030
O silêncio lá de cima começa a ouvir-se em Uberlândia
Ninguém na direção disse nada contra o treinador — e é esse o problema: também já não dizem nada a favor.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 91 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Mattheus Oliveira esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Lucas Serafini estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Vejo todos os jogos do Uberlândia daqui. Isso diz tudo sobre onde está a minha cabeça.” O empréstimo no São João de Ver segue o seu curso, mas o coração nunca fez a viagem.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Juan Carlos está nela.
26 dias de fora para Deji Oshilaja depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O São João de Ver vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Dribles concretizados: 21. Cada vez que recebia, alguém tinha de decidir, e todas as vezes a decisão foi a errada.
Plantel04/11/2030
Jackson Jaramillo desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Leonardo Lopes, e o treinador deixou.
Aos 19 anos passou um mês a ser melhor do que todos os da sua idade na liga, o que é diferente e mais difícil do que uma boa tarde. No São João de Ver vão esforçar-se muito por não fazer disto um caso.
Todos os clubes de futebol pagam aos jogadores a maior parte do que recebem. Pagar-lhes quase tudo é outro arranjo, e acabou da mesma maneira todas as vezes que alguém tentou.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Uberlândia ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Eduardo Souza estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Francisco Palacios e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Direção14/10/2030
Os salários engolem 220% das receitas do Uberlândia
Nenhum clube fica com muito do que ganha; a maior parte vai para os jogadores. Ficar quase sem nada é um arranjo diferente, e sempre que alguém o experimentou terminou da mesma forma.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Plantel14/10/2030
No Uberlândia ainda são estranhos uns para os outros
8 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
«Agradeço os jogos, mas não me fiz futebolista para ser a peça sobresselente de alguém.» Quer estar em Uberlândia, e 8 jogos em 36 dizem que merece ser ouvido.
Segue-se a equipa do topo da tabela, e a medida honesta de onde esta equipa realmente está. Qualquer um ganha ao clube que tem abaixo; a pergunta é o que acontece contra o Ferroviária.
Duarte Martins lesiona os ligamentos do joelho — 36 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 36 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no São João de Ver falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Notas dos jogadores07/10/2030
Samuel Silva, 18 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.63
Um 7.63 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 18. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Marco Antônio esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel07/10/2030
Robertinho desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Aos 18 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Samuel Silva. 1‑0 sobre o Mafra, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Nenhum clube fica com muito do que ganha; a maior parte vai para os jogadores. Ficar quase sem nada é um arranjo diferente, e sempre que alguém o experimentou terminou da mesma forma.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Guilherme Lima será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Uberlândia as despedidas começaram em silêncio.
Mattheus Oliveira e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel16/09/2030
Palavras no treino do Uberlândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Eduardo Souza está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Direção16/09/2030
Os salários engolem 236% das receitas do Uberlândia
Nenhum clube fica com muito do que ganha; a maior parte vai para os jogadores. Ficar quase sem nada é um arranjo diferente, e sempre que alguém o experimentou terminou da mesma forma.
A lesão mais comum do futebol e aquela de que mais se volta à pressa. O Uberlândia vai falar em 16 dias e vai ter cuidado, porque a segunda é sempre pior do que a primeira.
Não há forma mais cruel de perder um jogo. O São João de Ver marcou aos 94, o pontapé de saída mal chegou a acontecer, e a bancada visitante ainda estava de pé quando soou o apito.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do São João de Ver, e não vai ser retirado.
Marco Antônio e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel26/08/2030
Matheus Jussa desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Uberlândia, e não vai ser retirado.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Uberlândia ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
As regras permitem-no e dói na mesma. Francisco Palacios acertou condições com o América de Natal para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
Mattheus Oliveira e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
O Marcílio Dias levou os pontos após um 0‑2 que será difícil de explicar nas bancadas.
Plantel19/08/2030
Palavras no treino do Uberlândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Luã Niger está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Agradeço os jogos, mas não me fiz futebolista para ser a peça sobresselente de alguém.» Quer estar em Uberlândia, e 2 jogos em 28 dizem que merece ser ouvido.
Lucas Peres lesiona os ligamentos do joelho — 34 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 34 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Uberlândia podem fingir não ter ouvido.
Direção22/07/2030
O Uberlândia fecha o mercado com um plantel feito por si
1 entradas e 14 saídas, e nenhuma mudança durante meses. O treinador tem o que tem, os adeptos têm a sua opinião sobre isso, e a tabela terá a última palavra.
Os clubes tinham acordado e o jogador não. Uma nega, e pública: o Cruzeiro fica com ele, e os adeptos daqui ficam a perguntar-se o que lhe terão dito sobre esta casa.
Mattheus Oliveira e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
6 jogos sem vencer, e depois isto, frente ao Guarany de Bagé. O alívio é um barulho estranho num estádio de futebol, e foi o único que se ouviu no fim.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Fabrício Moura estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Direção22/07/2030
Em Uberlândia, 170% das receitas vão para salários
Todos os clubes de futebol pagam aos jogadores a maior parte do que recebem. Pagar-lhes quase tudo é outro arranjo, e acabou da mesma maneira todas as vezes que alguém tentou.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Juan Carlos. 1‑0 sobre o Guarany de Bagé, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Lucas Peres lesiona os ligamentos do joelho — 83 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 83 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Uberlândia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
O buraco nas contas voltou a ser tapado lá de cima. Os adeptos têm o direito de agradecer e de perguntar o que acontece no mês em que não for, e os dois sentimentos chegam juntos.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Fabrício Moura estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Gustavo Crecci tem a sua resposta do Uberlândia; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
Em resumo
Notas dos jogadoresPaulo Roberto jogou uma tarde diferente da de toda a gente
111 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Uberlândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
A primeira derrota em 21 jogos. O treinador dirá que tinha de chegar; o balneário dirá que não tinha de chegar contra o Marcílio Dias; os adeptos dirão as duas coisas, por essa ordem, a semana inteira.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Uberlândia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
O buraco voltou a ser tapado lá de cima. Os adeptos têm direito a ficar aliviados e direito a perguntar o que acontece no mês em que não for tapado, e os dois sentimentos costumam chegar juntos.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Francisco Palacios, e o treinador deixou.
63 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O São João de Ver perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Jackson Jaramillo está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Robertinho. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
53 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Uberlândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
A direcção disse em público o que já dizia em privado. Os resultados daqui até à próxima reunião decidem tudo, e no clube toda a gente sabe fazer as contas.
Nada foi anunciado e toda a gente percebe o que significa. Uma direção que convoca todo o departamento de futebol numa terça de manhã é uma direção que deixou de acreditar que o problema se resolve sozinho.
É dinheiro que mantém as luzes acesas, não dinheiro que compra um central, e essa diferença é a história toda. Um clube que vive do dono e não do futebol tem apenas uma conversa pela frente.
Plantel08/04/2030
Fabrício Moura desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
81 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Uberlândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Lá em cima ninguém disse nada, que é a coisa mais barulhenta que podiam fazer. Os resultados compram silêncio neste ofício; a conta do Uberlândia está a esgotar-se.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Uberlândia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel11/03/2030
Luiz Felipe consegue a transferência que sempre quis
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Luiz Felipe acabou de assinar pelo Uberlândia e, por uma vez, a resposta importava.
Não pode pagar-se um valor por ninguém, precise o plantel do que precisar. Todos os rumores sobre este clube até o embargo ser levantado são rumores sobre um negócio que não se pode fazer.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Francisco Palacios estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Dodô assinar alguma coisa — um contrato no Uberlândia ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Em resumo
MercadoO Uberlândia faz compras onde não custa nada
83 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O São João de Ver perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Matheus Jussa está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Robertinho. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no São João de Ver, mais uma semana sem a assinatura de Filipe Marques.
4.º lugar com 24 pontos, e os lugares que dão bilhete para a Europa estão perto o suficiente para se contarem. Épocas assim decidem-se em dois resultados em abril, e o clube sabe quais.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.
Mattheus Oliveira esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel28/01/2030
Lucas Serafini desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Direção28/01/2030
Em Uberlândia, 147% das receitas vão para salários
Todos os clubes de futebol pagam aos jogadores a maior parte do que recebem. Pagar-lhes quase tudo é outro arranjo, e acabou da mesma maneira todas as vezes que alguém tentou.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Dodô treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Faltam 1 meses, e ambos os lados sabem o que isso significa: cada semana sem assinatura baixa o valor que o Uberlândia pode pedir e sobe o salário que Jefferson pode exigir.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Jean assinar alguma coisa — um contrato no Uberlândia ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Samuel Silva apontou a data.
Faz aos sábados coisas a que ninguém à sua volta consegue responder: durante uma temporada é lisonjeiro e depois é um problema. O Uberlândia não o segura a fingir o contrário.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. André Moreira será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no São João de Ver as despedidas começaram em silêncio.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O São João de Ver pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Matheus Jussa está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Arthur e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para André Moreira, e o treinador deixou.
Uma sondagem ao Uberlândia para um empréstimo: cobertura, ou uma vista de olhos a alguém que o clube ainda não pode comprar. De qualquer maneira, a resposta chega dentro de uma semana.
Não dá grande título e é a razão por que os jogadores acreditam na promessa seguinte. O São João de Ver disse a Dimitri que algo iria acontecer e aconteceu, o que nesta indústria já passa por notável.
Em resumo
O bancoNoam Marchal pede uma conversa com o treinador
Jean e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel10/09/2029
Palavras no treino do Uberlândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Darley está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Direção10/09/2029
Os salários engolem 173% das receitas do Uberlândia
Nenhum clube fica com muito do que ganha; a maior parte vai para os jogadores. Ficar quase sem nada é um arranjo diferente, e sempre que alguém o experimentou terminou da mesma forma.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Não pode pagar-se um valor por ninguém, precise o plantel do que precisar. Todos os rumores sobre este clube até o embargo ser levantado são rumores sobre um negócio que não se pode fazer.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Uberlândia joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Uberlândia, mais uma semana sem a assinatura de Cristian Giménez.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Anderson: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o Uberlândia a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
Em resumo
O bancoMax Oliveira pede uma conversa com o treinador
O comunicado da direção tinha três frases e uma delas mencionava resultados. Interim Coach treina há tempo suficiente para traduzir: ganhar depressa, ou o próximo comunicado será mais curto.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Uberlândia, e não vai ser retirado.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Samuel Silva agiu, no Uberlândia, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Tem 20 anos, média de 7.11, e os profissionais mais velhos começaram a dar-lhe a bola nos minutos difíceis. Essa última parte é o verdadeiro relatório de observação.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Uberlândia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
É dinheiro que mantém as luzes acesas, não dinheiro que compra um central, e essa diferença é a história toda. Um clube que vive do dono e não do futebol tem apenas uma conversa pela frente.
Em resumo
PlantelUma zanga por causa do esforço no Uberlândia
102 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Iguatu perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Iguatu, e não vai ser retirado.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Iguatu já se começa a dizer o nome dele no passado.
A série sem derrotas chega aos 10 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
O Londrina pagou $200.0K e o Iguatu aceitou, o que é a história toda numa frase. A versão longa fala do orçamento salarial e vai ser contada a época inteira.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Iguatu já se começa a dizer o nome dele no passado.
Kauê e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Plantel18/06/2029
Juan Teles desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
7 jogos sem golo. Os avançados deixam de levantar a cabeça, os médios dão o toque a mais, e cada remate que passa por cima é seguido de um lamento que se acumula desde o último golo.
Vinicius Rocha esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Jean Souza De Almeida está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Zé Romário, e o treinador deixou.
O banco14/05/2029
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑1, ditas por Interim Coach a uma sala que já as tinha ouvido.
A equipa técnica esvaziou-se por completo e não havia ninguém internamente para promover, por isso o clube nomeou um nome que quase nenhum adepto reconhecerá. Recupera-se disto; ninguém gosta de o explicar.
«Alguém tem de fazer a equipa no sábado. Esta semana sou eu, e não pensei mais longe do que isso.» Não houve promessas de parte a parte, que é como estas coisas costumam começar.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Samuel Silva será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Iguatu as despedidas começaram em silêncio.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Iguatu coisas que levam mais de uma semana a retirar.
5 miúdos sobem, e algures no edifício as pessoas que os treinaram aos doze anos estão a ter, em silêncio, a melhor manhã do seu ano de trabalho. Nada disto aparece num resultado, e é para isto que a formação existe.
A formação existe exatamente para esta manhã. Douglas Nogueira passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Lucas Nardo é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
A formação existe exatamente para esta manhã. Henrique Batista passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Iguatu ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Iguatu coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Nenhum clube fica com muito do que ganha; a maior parte vai para os jogadores. Ficar quase sem nada é um arranjo diferente, e sempre que alguém o experimentou terminou da mesma forma.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Juan Teles está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Lautaro Erchego. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.