Vitória por 3‑2 sobre o Manchester United, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
19 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Arsenal perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Dušan Vlahović produziu-o, e o 9.14 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
A série sem derrotas chega aos 11 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no Arsenal a ouviu como outra coisa.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Arsenal coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Vai jogar aqui até ao verão e depois sair pela porta de graça, tendo já assinado noutro lado. Os adeptos aguentam a primeira parte desta frase; é com a segunda que vão ter dificuldade.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Savinho estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
26 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Arsenal perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Noventa minutos de muito pouco e depois tudo de uma vez. O golo chegou aos 87, e o Aston Villa passou o resto do jogo a reclamar com o árbitro em vez de perseguir a bola.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Lewis Dunk será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Arsenal as despedidas começaram em silêncio.
Bukayo Saka esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Gonçalo Ramos estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
5 golos num só jogo. O primeiro foi bem apontado, o segundo com fome, e ao terceiro a bancada já só esperava que a bola lhe chegasse.
Jogo15/02/2031
O Arsenal torna a sua casa um sítio difícil de visitar
19 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
11‑0, e Bukayo Saka ficou com os títulos numa tarde em que tudo correu bem ao Arsenal. Tardes assim contam-se o inverno inteiro.
Plantel17/02/2031
Robert Edwards lesiona os ligamentos do joelho — 34 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 34 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Arsenal, e não vai ser retirado.
Robert Edwards lesiona os ligamentos do joelho — 44 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 44 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Um negócio que à hora de almoço estava a um telefonema de fechar estava morto à meia-noite. O Arsenal vai tentar outra vez quando o mercado abrir; nessa altura o Grimsby Town pode já não estar a vender.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no Arsenal a ouviu como outra coisa.
Bukayo Saka e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Gonçalo Ramos está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
16 golos e uma média de 7.26 na época têm esse efeito. O espaço que ele costumava encontrar desapareceu; continua a marcar na mesma, que é a marca dos verdadeiros.