Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Guarany de Bagé falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Guarany de Bagé, e não vai ser retirado.
3 jogos, nenhum golo e um centro de treinos que já tentou tudo. Vai acabar — as secas acabam sempre — mas ninguém no Guarany de Bagé sabe dizer em que semana.
Aqui não há queixa possível e todos os envolvidos sabem, o que não encurta o caminho até ao banco. A forma é a única moeda do futebol sobre a qual não se pode pedir emprestado.
Nota 7.14 numa tarde que correu do primeiro ao último apito. Falhasse o que falhasse ao Guarany de Bagé, o melhor em campo era deles.
O banco26/10/2026
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Douglas Queiroz escolheu a versão do copo meio cheio do 0‑0; os adeptos saíram com a outra.
Noventa minutos concretos pediam outro tipo de jogador, e o treinador escolheu um. Não está em má forma e não está na equipa, e as duas coisas são verdade.
Noventa minutos, zero golos, e a discussão começou antes de o parque de estacionamento esvaziar: um ponto somado ou dois deitados fora contra o Joinville? Na quinta-feira ainda vai haver quem discuta.
Luiz Carlos esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Aqui não há queixa possível e todos os envolvidos sabem, o que não encurta o caminho até ao banco. A forma é a única moeda do futebol sobre a qual não se pode pedir emprestado.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Douglas Queiroz sobre uma tarde de 1‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Jeferson Torales assinar alguma coisa — um contrato no Guarany de Bagé ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Raras vezes este jogo viu exibição assim: 3‑0 frente ao Operário-MS, e podiam ter sido mais.
Notas dos jogadores21/09/2026
Kauhe Galdino, 21 anos, joga como se cá estivesse há anos — 8.37
Um 8.37 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 21. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Aos 35 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 7.98 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Os centrais têm licença para subir duas vezes por época e são julgados pelo que fazem quando lá chegam. Ramires marcou, foi avaliado com 7.96 e voltou antes de alguém dar pela falta.
Aos 35 anos, 3 pontos abaixo de onde esteve, e um corpo que começou a cobrar juros. Acontece a todos, e continua a ser o parágrafo mais difícil desta página.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Guarany de Bagé coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Aos 21 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
15 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
O banco21/09/2026
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Douglas Queiroz foi breve depois da vitória por 3‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 13 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Derrota por 0‑11 com o Monte Azul, e derrota em tudo o que conta. O inquérito começa no relvado de treino segunda-feira de manhã.
Plantel10/08/2026
Uma transferência que Danielzinho teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Danielzinho está a viver essa versão no Guarany de Bagé, e costuma notar-se no primeiro mês.
As bancadas10/08/2026
As bancadas viraram-se
“Chega. Há meses que estamos a ver isto.” 5 dos 23 jogadores seniores saíram do campo a ouvi-lo, e a mensagem não era para nenhum deles em particular.
Notas dos jogadores10/08/2026
Uma estreia que Lucas Martins vai querer esquecer — 5.58
Toda a estreia é uma de duas histórias e esta foi a outra. 5.58, e o único consolo disponível é que nenhuma carreira foi alguma vez decidida por noventa minutos com uma camisola acabada de entregar.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Rafael Tavares e o Guarany de Bagé acertam mais 1 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Luiz Carlos esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Jogo08/08/2026
Ninguém conseguiu parar de marcar
11 golos. Os dois bancos passaram a segunda parte a olhar um para o outro mais do que para o relvado. Os puristas vão queixar-se do Guarany de Bagé e do Monte Azul por igual; os restantes divertiram-se imenso.
A formação existe exatamente para esta manhã. Vitor Costa passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.