Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 100 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Nahuel Varela e o Atlético Mineiro acertam mais 4 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Dribles concretizados: 16. Cada vez que recebia, alguém tinha de decidir, e todas as vezes a decisão foi a errada.
Plantel06/09/2049
Márcio Alves sofre uma lesão muscular — 15 dias de fora
A lesão que volta sempre, de que se regressa sempre à pressa e que em silêncio custa mais carreiras do que as dramáticas. 15 dias é a estimativa; o número honesto depende de haver paciência.
13 ações defensivas e uma baliza a zero no fim delas. A tarde de um defesa só se pode contar pelo que não aconteceu, e é por isso que ninguém faz um resumo com ela e qualquer treinador da divisão a assinava.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O Atlético Mineiro pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Já são 4 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Atlético Mineiro tem de arrancar um resultado de algum lado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Valentin Bozhikov está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Luis Fernandez, e o treinador deixou.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Acabou 2‑2, e de certa forma sempre pareceu que ia acabar assim. Uma daquelas tardes em que a tabela mexe menos do que os nervos.
Plantel02/08/2049
Valentin Bozhikov desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Atlético Mineiro passaram um mês a tentar colocá-lo e ninguém devolveu a chamada. Treina com um plantel que já lhe disse onde está, e ambos começam a contagem para o seguinte.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 7 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Um defesa no marcador, coisa rara o suficiente para que toda a gente no estádio se lembre de quem marcou o canto. 1 para ele e uma nota de 7.93 para o resto.
23 ações defensivas e uma baliza a zero no fim delas. A tarde de um defesa só se pode contar pelo que não aconteceu, e é por isso que ninguém faz um resumo com ela e qualquer treinador da divisão a assinava.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Alvaro Rivera e o Atlético Mineiro acertam mais 2 anos.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Rodolfo Reyes está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 11 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Dribles concretizados: 16. Cada vez que recebia, alguém tinha de decidir, e todas as vezes a decisão foi a errada.
Plantel21/06/2049
Valentin Bozhikov desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Ambas as partes esperam falar nos próximos dias. O Atlético Mineiro vai pedir um valor, e tudo o que vier depois é aritmética.
Plantel21/06/2049
Lukas Sykora tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Atlético Mineiro dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
O Atlético Mineiro fez saber ao mercado que Bistra Angelov está disponível. O anúncio não traz preço, mas toda a gente do ramo sabe mais ou menos o que lá diz.
Vitória por 1‑0 sobre o Sampaio Correa, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
15 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Notas dos jogadores24/05/2049
Uma estreia que Lukas Sykora não vai esquecer — 7.24
Há exatamente uma destas por carreira e normalmente não corre assim. 0 no marcador, 7.24 ao lado do nome e uma bancada que nunca o tinha visto a cantá-lo no final.
Notas dos jogadores24/05/2049
Matias Lopez, 34 anos, faz recuar o relógio — 7.92
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 7.92 aos 34, e ninguém no campo esteve melhor.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Um erro na defesa é um momento; um erro na baliza é um golo. Diogo Gomes sabe-o, a bancada percebeu-o de imediato, e não havia mais ninguém atrás dele para o transformar noutra coisa.
Em resumo
PlantelO treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Diogo Gomes
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 31 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.37 aos 34, e ninguém no campo esteve melhor.
Jogo24/04/2049
Mais uma trazida de fora
6 seguidas na estrada para o Atlético Mineiro. Os autocarros saem cedo, chegam de noite a estádios pouco simpáticos, e voltam sempre com três pontos.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Atlético Mineiro ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Ignacio Alonso. 2‑1 sobre o Sampaio Correa, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Karol Glik, e o treinador deixou.
Em resumo
PlantelValentin Bozhikov desentende-se com um colega por causa das exigências
Já são 23 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 38 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
12 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
5 triunfos consecutivos como visitante. As equipas que ganham fora costumam saber defender e contra-atacar, e a tabela começou a refletir o que essas viagens renderam.
As regras permitem-no e dói na mesma. Marc Lozano acertou condições com o Ceará para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
Entre clubes está tudo fechado e o que falta são papéis e uma fotografia. Em Atlético Mineiro já falam dele no passado.
Direção19/04/2049
8 jogadores da formação recebem número de equipa principal no Atlético Mineiro
A manhã em que o percurso deixa de ser um folheto e passa a ser uma ficha de jogo. A maioria não estará cá daqui a três anos; todos já fizeram a parte difícil, que era chegar a hoje.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Júnior Cunha está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 122 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Gianmarco De Simone será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Atlético Mineiro as despedidas começaram em silêncio.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. John Ekdal está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Um mês é longo o suficiente para ninguém entrar por acaso. Alvaro Rivera está no melhor onze da divisão, o que é um elogio mais discreto do que um prémio e mais fiável.