Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.01 aos 34, e ninguém no campo esteve melhor.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Ypiranga coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Estevão. 2‑1 sobre o Caxias, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Um erro na defesa é um momento; um erro na baliza é um golo. Luiz Daniel sabe-o, a bancada percebeu-o de imediato, e não havia mais ninguém atrás dele para o transformar noutra coisa.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Ypiranga joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Danilo Mendes sobre uma tarde de 2‑1 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
7.87, 1 na ficha e a comédia muito própria de um jogador da linha defensiva a festejar como quem faz isto todas as semanas. Não faz, e é exatamente por isso que o estádio reagiu como reagiu.
A enfermaria confirma 26 dias de paragem para Roberto Machado, e um plano construído à volta dele tem de ser refeito.
O banco14/09/2026
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 2‑3 Danilo Mendes saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 19 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
5 jogos, nenhum golo e um centro de treinos que já tentou tudo. Vai acabar — as secas acabam sempre — mas ninguém no Ypiranga sabe dizer em que semana.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” Danilo Mendes depois do 0‑3, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
Ninguém o confirma e as fichas de jogo confirmam-no todas as semanas. Um erro comprou-lhe um período como segunda opção que já é mais longo do que o erro merecia.
0‑7 para o Náutico, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
0‑6 para o ABC, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
As bancadas10/08/2026
As bancadas viraram-se
“Chega. Há meses que estamos a ver isto.” 9 dos 14 jogadores seniores saíram do campo a ouvi-lo, e a mensagem não era para nenhum deles em particular.
Defender era opcional e ninguém exerceu a opção. 7 golos entre o Ypiranga e o Náutico, e nem um dos que pagaram bilhete vai pedir o dinheiro de volta.
Jogo04/08/2026
Ninguém conseguiu parar de marcar
6 golos. Os dois bancos passaram a segunda parte a olhar um para o outro mais do que para o relvado. Os puristas vão queixar-se do Ypiranga e do ABC por igual; os restantes divertiram-se imenso.
As ocasiões aparecem e algo acontece entre criá-las e finalizá-las. Já vão 3 jogos, e a inquietação nas bancadas chega um pouco mais cedo a cada semana.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Estevão, e o treinador deixou.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Victor Peixoto é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.