Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 112 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Gimnasia y Esgrima podem fingir não ter ouvido.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Thiago Serrano está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Andres Rangel e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
O banco24/02/2031
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 1‑2 Andrés Quiroga saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Franco Camargo assinar alguma coisa — um contrato no Gimnasia y Esgrima ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
«Disseram-me coisas antes de eu assinar. Não as vou repetir, mas lembro-me de todas.» Gimnasia y Esgrima nada responderam, o que também é uma resposta.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Thiago Serrano estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Andres Rangel e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Emiliano Suárez e o Gimnasia y Esgrima acertam mais 3 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
O banco27/01/2031
O treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Andres Rangel
Em público está ultrapassado para toda a gente. Não está para quem faz a equipa, e o único sítio onde isso se vê é uma ficha de jogo. Vai ter outra oportunidade: vai tê-la num jogo que importe menos.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Franco Camargo assinar alguma coisa — um contrato no Gimnasia y Esgrima ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Em resumo
MercadoDylan Vera colocado na lista de transferências
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Gimnasia y Esgrima, e não vai ser retirado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Thiago Serrano está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Gimnasia y Esgrima coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Ninguém o confirma e as fichas de jogo confirmam-no todas as semanas. Um erro comprou-lhe um período como segunda opção que já é mais longo do que o erro merecia.
Verba acordada, salário acordado, e o Almirante Brown à espera com uma camisola. No Gimnasia y Esgrima ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Bautista Rossi estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
O Gimnasia y Esgrima já telefonou ao Villa San Carlos. Sem verba, uma parte do salário, e uma camisola a mais na posição em que o plantel esteve mais curto a época inteira.
Ninguém o confirma e as fichas de jogo confirmam-no todas as semanas. Um erro comprou-lhe um período como segunda opção que já é mais longo do que o erro merecia.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Franco Camargo assinar alguma coisa — um contrato no Gimnasia y Esgrima ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
95 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Gimnasia y Esgrima perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 9 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Thiago Serrano e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Bautista Rossi está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
0‑2 para o Acassuso, e nenhuma queixa que valha a pena imprimir. A exibição não pediu mais do que aquilo que recebeu.
O banco26/08/2030
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑2 Andrés Quiroga saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Gregorio Fortunato tem a sua resposta do Gimnasia y Esgrima; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Gylfi Bjarnason, e o treinador deixou.
Vitória por 3‑0 sobre o Madryn, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
Dois golos e um 8.02 a acompanhar. Os avançados são julgados por tardes como esta e recordados por muito menos delas do que se imagina.
Notas dos jogadores18/03/2030
Uma estreia que Danilo Rizzi não vai esquecer — 7.20
Há exatamente uma destas por carreira e normalmente não corre assim. 0 no marcador, 7.20 ao lado do nome e uma bancada que nunca o tinha visto a cantá-lo no final.
O mais difícil de ter 19 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Renato Correia não precisou: 7.84, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Francisco Maidana esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Tem 20 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Minuto 91, frente ao Deportivo Laferrere, e um golo que soube a vitória a toda a gente que ficou. Foi um empate. Ninguém à saída do estádio o vai descrever assim.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
Um erro na defesa é um momento; um erro na baliza é um golo. Ramiro Castiñeira sabe-o, a bancada percebeu-o de imediato, e não havia mais ninguém atrás dele para o transformar noutra coisa.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O River Plate fica com o seu homem, e o Gimnasia y Esgrima volta a uma lista com um nome riscado.
«Agradeço os jogos, mas não me fiz futebolista para ser a peça sobresselente de alguém.» Quer estar em Gimnasia y Esgrima, e 0 jogos em 0 dizem que merece ser ouvido.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Gimnasia y Esgrima joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Gimnasia y Esgrima coisas que levam mais de uma semana a retirar.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Hugo Flores e o Gimnasia y Esgrima acertam mais 1 anos.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Bautista Rossi estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Hugo Flores tem 38 e já não tem nada a provar. O que lhe resta é saber onde se colocar, quando baixar o ritmo e o que dizer ao intervalo, e nada disso aparece num gráfico físico.