Uma estreia que Aimar Méndez não vai esquecer — 8.43
Há exatamente uma destas por carreira e normalmente não corre assim. 2 no marcador, 8.43 ao lado do nome e uma bancada que nunca o tinha visto a cantá-lo no final.
Não há forma mais cruel de perder um jogo. O Valencia marcou aos 93, o pontapé de saída mal chegou a acontecer, e a bancada visitante ainda estava de pé quando soou o apito.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No Valencia ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Mohammed Kudus. 3‑2 sobre o Cádiz, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Valencia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Valencia ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Dribles concretizados: 20. Cada vez que recebia, alguém tinha de decidir, e todas as vezes a decisão foi a errada.
Plantel22/04/2030
Arsen Zakharyan desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Javier Cabrera e o Valencia acertam mais 4 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
O banco22/04/2030
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 o treinador saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
O banco22/04/2030
Mohammed Kudus tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Valencia dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Um jogador que contava ser titular assistiu de fora. O treinador vai chamar-lhe uma decisão pela equipa; Marcelo Expósito chama-lhe outra coisa em privado.
89 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Valencia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Valencia perdeu-o em tudo menos nos papéis.
Algumas transferências precisam de uma campanha de imprensa. Esta precisava de uma camisola com o número antigo. Kike Ribes volta a ser jogador do Valencia, e a cidade tem a sua história do verão.
O Valencia perguntou e o Barcelona disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
5 jogos sem vencer é o tipo de série que muda a forma como uma cidade fala do seu clube, e o Tenerife foi a tarde em que parou. Um resultado não resolve nada, e um resultado faz tudo parecer diferente.