“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Akhmat, e não vai ser retirado.
18 golos em 32 jogos no Rodina — números que viajam para casa mais depressa do que ele. No Akhmat alguém atualiza uma folha de cálculo todas as segundas, e cada semana lê-se melhor.
Ismael e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Akhmat, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Egas Cacintura. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Manuel Keliano apontou a data.
Vitória por 3‑2 sobre o Volga, um lugar na ronda seguinte e a aritmética silenciosa que todos os adeptos fazem a caminho de casa: quantos faltam até uma final?
Minuto 121. Sergey Pryakhin encontrou a finalização num tempo que só existia por causa das paragens anteriores, e o Volga passou do ponto ao nada num só movimento.
O mais difícil de ter 16 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Stepan Simakov não precisou: 8.29, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Tem 23 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Dribles concretizados: 17. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Baltika fica com o seu homem, e o Akhmat volta a uma lista com um nome riscado.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Egas Cacintura e o Akhmat acertam mais 5 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Ruslan Gusyev é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Aleksey Ibragimov está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
A formação existe exatamente para esta manhã. Stepan Simakov passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.