Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No San Lorenzo ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
“Sei o que as pessoas vão dizer. Sei o que quero, e é aqui.” O Chacarita Juniors tinha a verba acordada e a camisola pronta; não tinha o jogador, e agora não o vai ter.
As regras permitem-no e dói na mesma. Maximiliano Burruzo acertou condições com o Defensa y Justicia para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
Alejo Medina esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
O San Lorenzo perguntou e o Boca Juniors disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Toda a gente deixou de fingir: o Tigre vai fazer a chamada por Inti Borghetto esta semana. O San Lorenzo tem um número em mente, e o número não é tímido.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Jesús Duarte estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
82 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O San Lorenzo perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 47 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No San Lorenzo ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Jogo12/08/2034
Não se vê o fim da espera do San Lorenzo por uma vitória
Já são 6 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no San Lorenzo tem de arrancar um resultado de algum lado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no San Lorenzo coisas que levam mais de uma semana a retirar.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
«Estamos muito longe um do outro, e fingir o contrário não ajuda ninguém.» Nada se moveu, e o calendário não joga a favor do clube.
O banco14/08/2034
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 1‑3, ditas por Interim Coach a uma sala que já as tinha ouvido.
Em resumo
Plantel5 caras novas e o San Lorenzo ainda se está a conhecer
96 dias de fora para Juan Miritello depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O San Lorenzo vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que San Lorenzo podem fingir não ter ouvido.
Alejo Medina e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Rosario Central fica com o seu homem, e o San Lorenzo volta a uma lista com um nome riscado.
Não acontece nada durante meses e depois ele simplesmente chega, a custo zero, tendo assinado um pré-contrato enquanto ainda jogava por outro. É a forma menos dramática de contratar um futebolista e muitas vezes a mais esperta.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Jesús Duarte estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
45 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O San Lorenzo perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que San Lorenzo podem fingir não ter ouvido.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Juan Motroni será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no San Lorenzo as despedidas começaram em silêncio.
Alejo Medina e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Juan Miritello estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Já são 6 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Leandro Allende lesiona os ligamentos do joelho — 59 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 59 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.56 aos 35, e ninguém no campo esteve melhor.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Andrés Calderón será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no San Lorenzo as despedidas começaram em silêncio.
Alejo Medina esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Juan Miritello estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
O painel dos descontos já estava levantado, a vitória já estava dada, e então o Talleres marcou. Não há pior minuto para sofrer, e o estádio esvaziou-se no silêncio que se segue a um desses.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Colo e o San Lorenzo acertam mais 4 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Um 0‑4 imposto pelo Independiente é o tipo de resultado que esvazia o estádio muito antes do apito final.
Plantel15/08/2033
Palavras no treino do San Lorenzo sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Juan Miritello está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Andrés Calderón esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
A música estava desligada e os duches correram até tarde. O que se disse naquele balneário fica lá, mas o sábado publicará a ata.
O banco15/08/2033
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑4, ditas por Interim Coach a uma sala que já as tinha ouvido.
Cada toque pesado, cada frase dissecada, cada erro repetido. Há jogadores que crescem com isso; há outros que acabam com isso, sem alarido; e só depois se sabe quais.
Batido 4 vezes, com 2 defesas por companhia. Os guarda-redes carregam estes resultados no currículo seja de quem for a culpa, e essa é a injustiça silenciosa do ofício.
Verba acordada, salário acordado, e o Madryn à espera com uma camisola. No San Lorenzo ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que San Lorenzo podem fingir não ter ouvido.
Exames médicos, uma assinatura, uma camisola levantada à frente de um painel de patrocinadores. O San Lorenzo fez a parte difícil com o Colo-Colo, e a parte que falta é a única que os adeptos veem.
Jogo16/07/2033
Ninguém quer jogar contra o San Lorenzo neste momento
3 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Colo-Colo fica com o seu homem, e o San Lorenzo volta a uma lista com um nome riscado.
Um 2‑1 sobre o Defensa y Justicia, conquistado e não oferecido, e o tipo de tarde que manda toda a gente para casa a falar da próxima semana em vez desta.
A proposta do Estudiantes por Colo foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
As regras permitem-no e dói na mesma. Tecla acertou condições com o Barracas Central para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
O negócio que levaria Lucas Álvarez para o Almirante Brown caiu na fase final e ele reapresenta-se no San Lorenzo com um verão para esquecer e uma época inteira para jogar. Ninguém diz quem se levantou da mesa.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Sarmiento fica com o seu homem, e o San Lorenzo volta a uma lista com um nome riscado.
O San Lorenzo foi ao Tristán Suárez com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
Plantel20/06/2033
Juan Miritello desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
A papelada fica pronta muito antes do jogador. Favio Funes acertou vir quando o contrato atual terminar, o que significa que o San Lorenzo substituiu um orçamento de verão por um telefonema.
Verba acordada, salário acordado, e o Boston River à espera com uma camisola. No San Lorenzo ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que San Lorenzo podem fingir não ter ouvido.
O San Lorenzo foi ao Sarmiento com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
O valor aprovado não chegava. A direção foi consultada de novo e subiu a sua própria proposta para $1.3M — um clube que quer Brandon Verón ao ponto de perguntar duas vezes.
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Leandro Ballota está a viver essa versão no San Lorenzo, e costuma notar-se no primeiro mês.
Plantel13/06/2033
Juan Miritello desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Não se vê o fim da espera do San Lorenzo por uma vitória
Já são 7 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no San Lorenzo tem de arrancar um resultado de algum lado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Juan Miritello estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Juan Francisco Rossel e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Juan Motroni, e o treinador deixou.
“Os adeptos têm todo o direito de estar zangados. Eu também estou. Vamos corrigir isto.” 1‑3, um treinador a dizer as coisas necessárias, e um balneário que ouviu outra versão delas.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no San Lorenzo, mais uma semana sem a assinatura de Salvador Rixner.
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 21 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
4 jogos, nenhum golo e um centro de treinos que já tentou tudo. Vai acabar — as secas acabam sempre — mas ninguém no San Lorenzo sabe dizer em que semana.
Plantel07/03/2033
Juan Miritello desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
O Racing Club vai continuar a utilizá-lo até junho e não receberá nada por ele depois. Manuel Fernández pré-acordou a mudança para o San Lorenzo, e os únicos que perdem nesse arranjo são os que deixaram o contrato correr.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Axel Afonso, e o treinador deixou.
Aos 19 anos foi melhor do que todos da sua idade na divisão durante quatro semanas seguidas, o que é mais difícil do que uma boa tarde. O San Lorenzo vai tentar não fazer disso um caso.
Juan Francisco Rossel e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.