Aos 33 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 7.94 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de AS Trencin ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
Pepijn Doesburg e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Aos 17 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Há um silêncio muito próprio: o de um estádio a ver dissolver-se uma posição vencedora. O Zlate Moravce continuou a vir porque nada o travou, e ao AS Trencin vão perguntar pela última meia hora a semana inteira.
Verba acordada, salário acordado, e o FK Senica à espera com uma camisola. No AS Trencin ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Já são 6 jogos sem vencer, e o estádio ganhou aquele silêncio especial de quem espera o pior. Um 1-0 feio curava quase tudo; é isso que enlouquece.
Notas dos jogadores21/07/2031
Uriel Antuna, 33 anos, faz recuar o relógio — 8.11
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.11 aos 33, e ninguém no campo esteve melhor.
Aos 17 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Pepijn Doesburg esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Algumas transferências precisam de uma campanha de imprensa. Esta precisava de uma camisola com o número antigo. Filip Strelec volta a ser jogador do AS Trencin, e a cidade tem a sua história do verão.
Verba acordada, salário acordado, e o Spartak Trnava à espera com uma camisola. No AS Trencin ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
“Ouvi, pensei, e fico. É essa a história toda.” Os clubes tinham acordado uma verba. Denis Duda não tinha acordado ir, e afinal era essa a parte que contava.
O negócio com o Slovan Bratislava está feito em todos os sentidos menos no que o põe em campo. Nesta fase nada corre mal, exceto nas vezes em que corre.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Richard Križan e o AS Trencin acertam mais 2 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no AS Trencin coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Uriel Antuna estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Plantel09/06/2031
Uma transferência que Jan Lobotka teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Jan Lobotka está a viver essa versão no AS Trencin, e costuma notar-se no primeiro mês.
Tem 19 anos e ninguém em AS Trencin o contratou para esta época. Negócios destes julgam-se daqui a quatro anos, por gente que talvez já não esteja na casa.
Em resumo
O bancoFranko Sabljić tornou-se um homem de confiança do treinador
19 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O AS Trencin perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Denis Duris será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no AS Trencin as despedidas começaram em silêncio.
Pepijn Doesburg e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Uriel Antuna estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Pepijn Doesburg está nela.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Gia Nadareishvili. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Albert Nemec treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
“Fiz tudo o que me pediram nos treinos e ao sábado não mudou nada.” A queixa mais conhecida do futebol, e uma a que o AS Trencin terá de responder com minutos ou com uma transferência.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No AS Trencin ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Pepijn Doesburg e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Plantel03/03/2031
Palavras no treino do AS Trencin sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Uriel Antuna está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Respeito o treinador e não vou ficar aqui a fingir que estou contente.» É a frase mais repetida do futebol e nunca foi o fim de uma história.
O banco03/03/2031
Pepijn Doesburg tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no AS Trencin dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em AS Trencin, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Gia Nadareishvili. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
5.º lugar com 32 pontos, e os lugares que dão bilhete para a Europa estão perto o suficiente para se contarem. Épocas assim decidem-se em dois resultados em abril, e o clube sabe quais.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 16 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Os jogos da taça esperam que alguém os agarre, e Adrián Fiala agarrou este contra o Spartak Trnava. 3‑0 no fim, e no sorteio da próxima ronda está o nome do AS Trencin.
O mais difícil de ter 18 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Denis Duda não precisou: 7.69, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no AS Trencin coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Tem 16 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
O DAC Dunajska Streda segurou a vantagem 2 minutos, que não chega para a desfrutar. O AS Trencin respondeu antes de o festejo terminar, e com isso mudou a forma da tarde.
Colete de aquecimento, noventa minutos a ver, e um aperto de mão no fim que não enganou ninguém. Os jogos grandes dizem em quem o treinador confia; este disse-o a Patrik Lukáč.
Denis Duda, 18 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.97
Um 7.97 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 18. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Direção02/09/2030
Fecha o mercado: 24 entradas, 17 saídas no AS Trencin
O prazo passou e o plantel é o plantel. Chegaram 24, saíram 17, e tudo o resto que se imprimiu sobre este clube no último mês foi um rumor que ficou rumor.
Pepijn Doesburg esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Lokomotiv Moscow fica com o seu homem, e o AS Trencin volta a uma lista com um nome riscado.
«Estamos muito longe um do outro, e fingir o contrário não ajuda ninguém.» Nada se moveu, e o calendário não joga a favor do clube.
O banco02/09/2030
Neste momento há alguém melhor do que Patrik Lukáč
A ficha de jogo di-lo em público todas as semanas até mudar. A única versão de ficar de fora que um futebolista não consegue contestar, e a que lhe custa mais.
“Fiz tudo o que me pediram nos treinos e ao sábado não mudou nada.” A queixa mais conhecida do futebol, e uma a que o AS Trencin terá de responder com minutos ou com uma transferência.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Pepijn Doesburg produziu-o, e o 8.81 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
As condições foram oferecidas e recusadas. Se foi o salário, a função ou a cidade, no Lokomotiv Moscow ninguém diz, e no AS Trencin ninguém gosta de estar a adivinhar.
Pepijn Doesburg e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Albert Nemec, e o treinador deixou.
Pepijn Doesburg e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Matej Hamsik, e o treinador deixou.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Pepijn Doesburg assinar alguma coisa — um contrato no AS Trencin ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Em resumo
MercadoPatrik Lukáč colocado na lista de transferências
Pepijn Doesburg e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Milan Duris, e o treinador deixou.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no AS Trencin, mais uma semana sem a assinatura de Patrik Lukáč.
Plantel01/04/2030
6 caras novas e o AS Trencin ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
«Não vim para aqui aquecer à frente das pessoas.» O contrato acaba um dia, sabe contar as semanas, e o AS Trencin terá de lhe dar um motivo para ficar ou uma saída.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Franko Sabljić está nela.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em AS Trencin, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Pepijn Doesburg assinar alguma coisa — um contrato no AS Trencin ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Pepijn Doesburg esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
“Fiz tudo o que me pediram nos treinos e ao sábado não mudou nada.” A queixa mais conhecida do futebol, e uma a que o AS Trencin terá de responder com minutos ou com uma transferência.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Richie Musaba está nela.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Franko Sabljić treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Nada por escrito e nada em público: uma palavra sobre minutos, dada cara a cara no AS Trencin. As fichas de jogo do próximo mês dirão se valia a pena tê-la.
Em resumo
DireçãoA formação do AS Trencin continua a produzir
Marián Chobot lesiona os ligamentos do joelho — 18 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 18 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do AS Trencin, e não vai ser retirado.
Pepijn Doesburg e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Plantel04/03/2030
5 caras novas e o AS Trencin ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
«Não vim para aqui aquecer à frente das pessoas.» O contrato acaba um dia, sabe contar as semanas, e o AS Trencin terá de lhe dar um motivo para ficar ou uma saída.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em AS Trencin, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Pepijn Doesburg assinar alguma coisa — um contrato no AS Trencin ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Já são 4 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Dribles concretizados: 24. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No AS Trencin ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Richard Križan esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Tochukwu Ogbadibo acabou de assinar pelo AS Trencin e, por uma vez, a resposta importava.
Não acontece nada durante meses e depois ele simplesmente chega, a custo zero, tendo assinado um pré-contrato enquanto ainda jogava por outro. É a forma menos dramática de contratar um futebolista e muitas vezes a mais esperta.
Ninguém no clube vai dizer em voz alta para quem é esta contratação, que é exatamente como se percebe para quem é. Tochukwu Ogbadibo chegou para ficar com uma camisola que alguém ainda veste.