2‑2 frente ao Dinamo Moscow, e a estrada acaba aqui. As eliminações da taça são mortes rápidas — sem segunda mão, sem próxima semana, só o campeonato daqui até maio.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Nahuel Ulariaga produziu-o, e o 8.48 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
1 defendidos dos onze metros, e um estádio que vai descrever cada um deles durante vinte anos. Um guarda-redes precisa de uma noite assim numa carreira, e foi esta.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Minuto 89, frente ao Dinamo Moscow, e um golo que soube a vitória a toda a gente que ficou. Foi um empate. Ninguém à saída do estádio o vai descrever assim.
Igor Eskov e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Nahuel Ulariaga está nela.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Krasnodar, e não vai ser retirado.
Dribles concretizados: 23. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Krasnodar coisas que levam mais de uma semana a retirar.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Dmitry Vorobjov e o Krasnodar acertam mais 4 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Um 2‑0 sobre o Dinamo Makhachkala, conquistado e não oferecido, e o tipo de tarde que manda toda a gente para casa a falar da próxima semana em vez desta.
“É isto que quero todas as semanas. Não o resultado, a maneira como o fizeram.” O treinador, depois do 2‑0, já a falar do próximo.
Antevisão05/11/2029
O Krasnodar mede-se com a equipa que todos perseguem
O Zenit chega como líder. Uma equipa no topo perde mais ou menos uma vez por mês, e o clube que o consegue ganha uma semana de que se lembra durante um ano.
Alexandr Chernikov e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Derrota por 0‑2, e justa. O treinador foi curto nas palavras no final, o que provavelmente foi sensato.
Plantel22/10/2029
Palavras no treino do Krasnodar sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Lucas Vera está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
A porta ficou fechada muito depois do apito final. O que ali se disse é com eles; se resultou, decide-se no sábado.
O banco22/10/2029
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑2 Stepan Mikhaylov saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Alexandr Chernikov e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
3 jogos, nenhum golo e um centro de treinos que já tentou tudo. Vai acabar — as secas acabam sempre — mas ninguém no Krasnodar sabe dizer em que semana.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 21 anos que sente como seu. Vadim Shilov tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Mikhail Umnikov estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Nota 7.47 numa tarde que correu do primeiro ao último apito. Falhasse o que falhasse ao Krasnodar, o melhor em campo era deles.
O banco24/09/2029
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Stepan Mikhaylov não o escondia depois do 0‑0, e no balneário do Krasnodar também ninguém o escondia.
Tormena esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel14/05/2029
Palavras no treino do Krasnodar sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Lucas Vera está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Plantel14/05/2029
Igor Eskov sofre uma lesão muscular — 14 dias de fora
A lesão que volta sempre, de que se regressa sempre à pressa e que em silêncio custa mais carreiras do que as dramáticas. 14 dias é a estimativa; o número honesto depende de haver paciência.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Alexandr Chernikov. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Verba acordada, salário acordado, e o Sokol à espera com uma camisola. No Krasnodar ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
As condições foram oferecidas e recusadas. Se foi o salário, a função ou a cidade, no Deportivo Pereira ninguém diz, e no Krasnodar ninguém gosta de estar a adivinhar.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Krasnodar coisas que levam mais de uma semana a retirar.
A abordagem foi feita e a resposta veio numa frase. Não há número em cima da mesa porque não havia número que chegasse.
Plantel05/03/2029
Palavras no treino do Krasnodar sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Lucas Vera está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Krasnodar, mais uma semana sem a assinatura de Ilja Lantratov.
Plantel05/03/2029
No Krasnodar ainda são estranhos uns para os outros
5 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
Um mês é longo o suficiente para ninguém entrar por acaso. Alexandr Chernikov está no melhor onze da divisão, o que é um elogio mais discreto do que um prémio e mais fiável.
Vitória por 2‑0 sobre o Cherepovets, e pela primeira vez em muito tempo o sorteio da próxima ronda vê-se com algum interesse.
Notas dos jogadores09/10/2028
Artem Khmarin, 21 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.69
Um 7.69 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 21. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
É a ambição mais legítima do desporto e a mais difícil de satisfazer para a maioria dos clubes. Gustavo Santos quer futebol continental; se o Krasnodar o consegue oferecer é uma pergunta sobre as próximas duas épocas, não sobre ele.
Alexandr Chernikov esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Aos 21 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Acabou 1‑1, e de certa forma sempre pareceu que ia acabar assim. Uma daquelas tardes em que a tabela mexe menos do que os nervos.
O banco09/10/2028
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Stepan Mikhaylov não o escondia depois do 1‑1, e no balneário do Krasnodar também ninguém o escondia.