Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Pol Fortuny será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Real Madrid Castilla as despedidas começaram em silêncio.
Aos 16 anos foi melhor do que todos da sua idade na divisão durante quatro semanas seguidas, o que é mais difícil do que uma boa tarde. O Real Madrid Castilla vai tentar não fazer disso um caso.
«Não vim para aqui aquecer à frente das pessoas.» O contrato acaba um dia, sabe contar as semanas, e o Real Madrid Castilla terá de lhe dar um motivo para ficar ou uma saída.
Ferland Mendy e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Real Madrid Castilla, mais uma semana sem a assinatura de Pol Fortuny.
Aos 16 anos foi o melhor de todos da sua idade na divisão durante um fim de semana. Ninguém devia construir uma carreira em cima disso, e toda a gente o faz sem dizer.
Um ano depois, a cidade não se abriu, a língua não chegou, e o almoço come-se sozinho mais vezes do que alguém no Real Madrid Castilla admitiria. Nota-se aos sábados.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Diego Aguado assinar alguma coisa — um contrato no Real Madrid Castilla ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 16 anos que sente como seu. Iván Gallardo tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Uma média de 7.29 na época, com 6 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
1 para Ferland Mendy, avaliado com 7.52, e o nome de um central na parte da crónica a que normalmente só chega por engano. No balneário não o vão deixar esquecer durante um mês.
Aos 16 anos está a ser medido contra os restantes jovens da divisão e sai à frente. A versão sénior deste prémio é onde o clube gostaria que isto levasse.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Real Madrid Castilla, e não vai ser retirado.
Já são 8 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Real Madrid Castilla tem de arrancar um resultado de algum lado.
Entre clubes está tudo fechado e o que falta são papéis e uma fotografia. Em Real Madrid Castilla já falam dele no passado.
Notas dos jogadores11/03/2030
Iván Gallardo, 16 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.78
Um 7.78 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 16. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Manu Serrano e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Empate aos 87 minutos, depois de uma tarde que o Real Madrid Castilla tinha praticamente arrumada. O Zaragoza vai chamar-lhe um ponto ganho; o balneário da casa vai chamar-lhe dois oferecidos, e ambos têm razão.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Joan Martínez treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Real Madrid Castilla, mais uma semana sem a assinatura de Manu Serrano.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 7 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Tomás Gutiérrez depois do empate por 1‑1, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Plantel24/12/2029
Iván Gallardo, 16 anos, é o melhor jovem do fim de semana
Medido contra todos os outros miúdos da divisão, e o primeiro entre eles. O prémio de sénior é onde o Real Madrid Castilla gostava que isto fosse dar.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Hugo De Llanos. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
O mais difícil de ter 16 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Iván Gallardo não precisou: 7.83, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Ferland Mendy e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
100 jogos com esta camisola, através de treinadores, descidas e tudo o resto. Uma entrega assim está a desaparecer do futebol, e a bancada sabe o que está a ver.
Avaliado com 7.97. Pergunte a qualquer pessoa à saída do estádio o que decidiu aquilo e receberá um nome, que é o único prémio que alguma vez contou a sério.
O banco17/12/2029
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Tomás Gutiérrez foi breve depois da vitória por 2‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
Um amarelo de que ninguém precisava, numa noite em que o jogo já estava ganho. Real Madrid Castilla perdem um jogador pelo motivo mais evitável que existe.
Aos 16 anos foi o melhor de todos da sua idade na divisão durante um fim de semana. Ninguém devia construir uma carreira em cima disso, e toda a gente o faz sem dizer.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Pol Fortuny apontou a data.
Um 3‑2 sobre o Bilbao Athletic, conquistado e não oferecido, e o tipo de tarde que manda toda a gente para casa a falar da próxima semana em vez desta.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 22 anos que sente como seu. Franco Mastantuono tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Diego Aguado tem a sua resposta do Real Madrid Castilla; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
Notas dos jogadores10/12/2029
Pol Fortuny jogou uma tarde diferente da de toda a gente
8.37. Há exibições que um adepto descreve a quem não esteve lá e não consegue transmitir; esta foi uma, e o número também não ajuda.
Avaliado com 8.18. Há carreiras inteiras sem uma única tarde assim, e ele acabou de ter uma à frente de todo o Real Madrid Castilla.
O banco10/12/2029
A vista do banco
“Controlámos o jogo. Houve períodos de que não gostei e vamos vê-los, mas o grupo mostrou-me alguma coisa.” Tomás Gutiérrez, sobre uma vitória por 3‑2 que já ia a desmontar a caminho da sala de imprensa.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Diego Aguado treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Iván Gallardo tem 16 anos e, por um fim de semana, foi o melhor de todos os da sua idade na divisão. Ninguém devia construir uma carreira sobre isso, e toda a gente o faz em silêncio.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Real Madrid Castilla, e não vai ser retirado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Real Madrid Castilla coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Dribles concretizados: 16. Havia sempre um defesa à frente dele, e nunca houve um defesa à frente dele por muito tempo.
O banco08/10/2029
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑2, ditas por Tomás Gutiérrez a uma sala que já as tinha ouvido.