Lá em cima ninguém disse nada, que é a coisa mais barulhenta que podiam fazer. Os resultados compram silêncio neste ofício; a conta do Operário-MS está a esgotar-se.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Operário-MS, e não vai ser retirado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Carlos Bajé estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Vitória fica com o seu homem, e o Operário-MS volta a uma lista com um nome riscado.
A perder, e batido em qualquer leitura honesta, até ao minuto 87. O Itabirito tinha os pontos no bolso e um canto do estádio ainda acreditava, que é geralmente quando acontece.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Há um nível em que um futebolista deixa de ser posto à prova e passa apenas a ser contido, e ele chegou lá há algum tempo. No Operário-MS sabem-no, e também todos os que o veem.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 9 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Vinícius Xavier produziu-o, e o 8.17 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Operário-MS podem fingir não ter ouvido.
Exames médicos, uma assinatura, uma camisola levantada à frente de um painel de patrocinadores. O Operário-MS fez a parte difícil com o Internacional, e a parte que falta é a única que os adeptos veem.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Matheus Machado será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Operário-MS as despedidas começaram em silêncio.
Tem 17 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Não se vê o fim da espera do Operário-MS por uma vitória
Já são 9 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Operário-MS tem de arrancar um resultado de algum lado.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Operário-MS, e não vai ser retirado.
João Adriano e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
3 jogos sem golo. Os avançados deixam de levantar a cabeça, os médios dão o toque a mais, e cada remate que passa por cima é seguido de um lamento que se acumula desde o último golo.
Não pode pagar-se um valor por ninguém, precise o plantel do que precisar. Todos os rumores sobre este clube até o embargo ser levantado são rumores sobre um negócio que não se pode fazer.
«Há manhãs em que acordas e tudo o que conheces continua longíssimo.» Não é o futebol e nunca foi: o Operário-MS lida com um homem que quer outro país.
Toda a carreira longa chega à semana em que o jogador começa a pensar na última. Gostaria que fosse no clube que o pôs pela primeira vez num campo, e no Operário-MS já sabem disso.
O banco30/05/2033
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 Interim Coach saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
O clube procurou lá fora durante um mês, não encontrou nada de que gostasse mais e entregou o cargo a quem já o estava a fazer. Conhece a casa; falta provar que conhece o resto.
Não há pior forma de perder um futebolista. Matheus Machado pré-acordou a saída, o que significa que cada jogo daqui até junho é feito por um homem que o clube já não pode vender, e alguém lá em cima vai ter de explicar como se chegou aqui.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Operário-MS ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Gustavo Alexandria e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” Interim Coach depois do 0‑3, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
Quatro parágrafos no site do clube, nenhum deles sobre futebol. A direção agradeceu, desejou-lhe felicidades e já tinha a procura em marcha antes de a página ir para o ar.
Não sobra ninguém para promover nem ninguém para dirigir um treino. A direção trouxe um nome que os adeptos não conhecem, e a pergunta de como um clube chega aqui vai durar mais do que quem lhe responder.
“Não penso para lá de sábado, e não aconselharia ninguém a fazê-lo.” A primeira regra do interino é fingir que o trabalho é pequeno; Interim Coach recitou-a na perfeição.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Operário-MS, e não vai ser retirado.
João Adriano esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Direção18/04/2033
7 jogadores da formação recebem número de equipa principal no Operário-MS
A manhã em que o percurso deixa de ser um folheto e passa a ser uma ficha de jogo. A maioria não estará cá daqui a três anos; todos já fizeram a parte difícil, que era chegar a hoje.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Anderson Prestes. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Gustavo Alexandria e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Não pode pagar-se um valor por ninguém, precise o plantel do que precisar. Todos os rumores sobre este clube até o embargo ser levantado são rumores sobre um negócio que não se pode fazer.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Não dá grande título e é a razão por que os jogadores acreditam na promessa seguinte. O Operário-MS disse a Rodrigo Costa que algo iria acontecer e aconteceu, o que nesta indústria já passa por notável.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Gustavo Alexandria assinar alguma coisa — um contrato no Operário-MS ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
A lista é um documento discreto com um significado ruidoso. Sinistro pode falar com quem perguntar, e no clube toda a gente sabe o que isso quer dizer.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Operário-MS ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Gustavo Alexandria esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Operário-MS sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
Lá em cima ninguém disse nada, que é a coisa mais barulhenta que podiam fazer. Os resultados compram silêncio neste ofício; a conta do Operário-MS está a esgotar-se.
Gustavo Alexandria e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Operário-MS sabem-no.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Anderson Prestes. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Operário-MS, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Adeptos que cantam quando corre mal são adeptos. Adeptos que se juntam à saída são um problema, e dentro do edifício toda a gente sabe qual das duas coisas isto é agora.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Operário-MS podem fingir não ter ouvido.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Operário-MS ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Operário-MS coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Direção28/02/2033
Em Operário-MS, 125% das receitas vão para salários
Todos os clubes de futebol pagam aos jogadores a maior parte do que recebem. Pagar-lhes quase tudo é outro arranjo, e acabou da mesma maneira todas as vezes que alguém tentou.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Matheus Rangel, e o treinador deixou.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Operário-MS sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
17 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Operário-MS perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Daniel Bôaz será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Operário-MS as despedidas começaram em silêncio.
As regras permitem-no e dói na mesma. Daniel Bôaz acertou condições com o Águia de Marabá para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
João Adriano esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Em resumo
MercadoA conversa sobre João Adriano não desaparece
Os adeptos organizam-se contra a direção do Operário-MS
Um ambiente mau espera-se que passe. Um grupo de pessoas a reunir-se depois do jogo para decidir o que fazer não passa à espera, e toda a gente no clube sabe em que fase isto está.
102 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Operário-MS perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Operário-MS falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Operário-MS, e não vai ser retirado.
Exames médicos, uma assinatura, uma camisola levantada à frente de um painel de patrocinadores. O Operário-MS fez a parte difícil com o Paysandu, e a parte que falta é a única que os adeptos veem.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Operário-MS coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Figueirense fica com o seu homem, e o Operário-MS volta a uma lista com um nome riscado.
Direção06/12/2032
Os salários engolem 176% das receitas do Operário-MS
Nenhum clube fica com muito do que ganha; a maior parte vai para os jogadores. Ficar quase sem nada é um arranjo diferente, e sempre que alguém o experimentou terminou da mesma forma.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Operário-MS podem fingir não ter ouvido.
Gustavo Alexandria esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
O treinador pode falar com quem quiser e não pode pagar a ninguém. Um plantel sobrevive a um mercado destes com empréstimos, com miúdos da casa e com a esperança de que as lesões caiam noutro sítio.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Operário-MS sabem-no.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Operário-MS sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
Um ano depois, a cidade não se abriu, a língua não chegou, e o almoço come-se sozinho mais vezes do que alguém no Operário-MS admitiria. Nota-se aos sábados.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Operário-MS, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Operário-MS podem fingir não ter ouvido.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Operário-MS coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Horizonte fica com o seu homem, e o Operário-MS volta a uma lista com um nome riscado.
Isto não é rotação. Alan Maia está fora dos planos do treinador há algum tempo, e ninguém no Operário-MS finge o contrário.
Plantel19/01/2032
Caio Viana desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
O Operário-MS fez saber ao mercado que Douglas Farias está disponível. O anúncio não traz preço, mas toda a gente do ramo sabe mais ou menos o que lá diz.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Sinistro treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.