Lá em cima ninguém disse nada, que é a coisa mais barulhenta que podiam fazer. Os resultados compram silêncio neste ofício; a conta do Lumezzane está a esgotar-se.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Giovanni Marciano estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Não pode pagar-se um valor por ninguém, precise o plantel do que precisar. Todos os rumores sobre este clube até o embargo ser levantado são rumores sobre um negócio que não se pode fazer.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Lumezzane, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Lumezzane, e não vai ser retirado.
Plantel14/05/2035
Giovanni Marciano desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Lucas Zeballos e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Alessandro Ghillani está nela.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Alessandro Ghillani. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
“Fiz tudo o que me pediram nos treinos e ao sábado não mudou nada.” A queixa mais conhecida do futebol, e uma a que o Lumezzane terá de responder com minutos ou com uma transferência.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Mattia Balzan apontou a data.
Agustín Mello lesiona os ligamentos do joelho — 94 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 94 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Plantel25/12/2034
77 dias de fora para Allan Arigoni depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Lumezzane vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Gabriele Casentini e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Tiziano Del Maschio estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
O Dolomiti Bellunesi segurou a vantagem 3 minutos, que não chega para a desfrutar. O Lumezzane respondeu antes de o festejo terminar, e com isso mudou a forma da tarde.
Metade do calendário jogado, 9.º lugar, 19 pontos somados. Multiplicar por dois é a conta que todos os adeptos já fizeram e a única que ninguém no clube fará em voz alta.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Lumezzane, e não vai ser retirado.
As condições foram oferecidas e recusadas. Se foi o salário, a função ou a cidade, no Pescara ninguém diz, e no Lumezzane ninguém gosta de estar a adivinhar.
O Lumezzane perguntou e o Salernitana disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Lumezzane, mais uma semana sem a assinatura de Mauro Soldani.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Francesco Innocentini estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Mauro Soldani treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Lumezzane falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Lumezzane coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Ninguém confirmará isto e nada mais explica as escolhas do último mês. Um erro caro compra a um jogador um período de suplência que dura sempre mais do que o erro.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Lumezzane sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
Faltam 3 meses, e ambos os lados sabem o que isso significa: cada semana sem assinatura baixa o valor que o Lumezzane pode pedir e sobe o salário que Marco Melchionda pode exigir.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
54 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Lumezzane perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Marco Melchionda tinha feito a sua parte na construção de um colchão de 2 golos. O que veio depois foi coletivo, e ao Ascoli deixaram voltar a um jogo que estava arrumado.
Marco Melchionda e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Plantel19/12/2033
Francesco Maisto desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Lumezzane sabem-no.
O banco19/12/2033
O treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Mauro Soldani
Em público está ultrapassado para toda a gente. Não está para quem faz a equipa, e o único sítio onde isso se vê é uma ficha de jogo. Vai ter outra oportunidade: vai tê-la num jogo que importe menos.