«Disseram-me qual seria o meu papel e assinei por causa disso. Não aconteceu.» Uma queixa com data marcada é a mais difícil de resolver.
Mercado13/01/2042
Tão perto: a transferência de Fabrizio Lora morre em cima da hora
O valor estava acertado e o voo já tinha sido visto — e então o telefone deixou de tocar. O Güemes seguiu em frente, Fabrizio Lora apresenta-se de volta no Lanús, e todos fingem que segunda-feira é só uma segunda-feira.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Bruno Cambilla será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Lanús as despedidas começaram em silêncio.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Lanús coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Não há pior forma de perder um futebolista. Maximiliano Arias pré-acordou a saída, o que significa que cada jogo daqui até junho é feito por um homem que o clube já não pode vender, e alguém lá em cima vai ter de explicar como se chegou aqui.
Em resumo
PlantelPalavras no treino do Lanús sobre quem trabalha
0‑1, e uma época que chegou a maio acabou em quinze dias. É isto um playoff: nove meses de trabalho decididos por duas noites, e quem o desenhou não estava a pensar no balneário derrotado.
Posição 2, 31 pontos, e o resultado que todos procuram primeiro agora é o deles. A palavra continua a não se dizer à volta do estádio — e é assim que se sabe que todos a pensam.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Lanús ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Mateo Peralta esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
17 jogos sem sofrer e a contar. Os guarda-redes só se notam quando falham, e Nicolás Monges não deu essa hipótese a ninguém.
Plantel18/11/2041
Alexis Segovia desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Nicolás Pereyra, 21 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.81
Um 7.81 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 21. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Notas dos jogadores30/09/2041
Dante Blanco, 33 anos, faz recuar o relógio — 8.39
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.39 aos 33, e ninguém no campo esteve melhor.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Fabrizio Lora será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Lanús as despedidas começaram em silêncio.
11 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Lanús coisas que levam mais de uma semana a retirar.
3 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Alexis Segovia está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.