Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Mantova falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Mantova, e não vai ser retirado.
As contas são de leitura incómoda. Primeiro os salários, depois a ambição: é essa a ordem no Mantova.
Plantel25/05/2048
Ramiro Gatica sofre uma lesão muscular — 14 dias de fora
A lesão que volta sempre, de que se regressa sempre à pressa e que em silêncio custa mais carreiras do que as dramáticas. 14 dias é a estimativa; o número honesto depende de haver paciência.
Ninguém no Mantova dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Ramiro Gatica lesiona os ligamentos do joelho — 37 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 37 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Uma média de 7.21 na época, com 15 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
2‑3 para o Parma, e nenhuma queixa que valha a pena imprimir. A exibição não pediu mais do que aquilo que recebeu.
Plantel17/02/2048
David Miller desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
É o nome de todas as colunas e de todos os programas, e isso pesa em qualquer idade. Há futebolistas que crescem ali dentro e outros que se apagam sem ruído.
Ramiro Gatica lesiona os ligamentos do joelho — 128 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 128 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Noventa minutos de muito pouco e depois tudo de uma vez. O golo chegou aos 89, e o Pisa passou o resto do jogo a reclamar com o árbitro em vez de perseguir a bola.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Gabriele Del Vecchio produziu-o, e o 8.63 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Jason Mertens. 4‑3 sobre o Pisa, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Aos 21 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Plantel18/11/2047
Pietro Vignali tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Mantova dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Um desempate por grandes penalidades fica na memória pelo fim, e este acaba em Pietro Vignali: 2 travadas, e uma bancada que vai descrever cada uma delas nos próximos vinte anos.
O Guidonia Montecelio está fora e o Mantova segue em frente, com um 2‑2 como palavra final. O quadro abre-se um pouco, e toda a gente se permite espreitá-lo.
O mais difícil de ter 21 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Cesare Antonucci não precisou: 7.60, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
«Nunca quis estar noutro sítio. Ainda há trabalho por acabar aqui.» Martino Catalano compromete-se com o Mantova por mais 1 anos.
Plantel30/09/2047
David Miller desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
O golo que pôs o Guidonia Montecelio na frente ainda passava nos ecrãs do corredor quando o Mantova empatou, 1 minutos depois. Uma vantagem vale o que se fizer com ela.
As contas são de leitura incómoda. Primeiro os salários, depois a ambição: é essa a ordem no Mantova.
Direção27/05/2047
O silêncio lá de cima começa a ouvir-se em Mantova
Ninguém na direção disse nada contra o treinador — e é esse o problema: também já não dizem nada a favor.
Plantel27/05/2047
Kacper Boratyński desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 7 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Aos 38 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.54 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Christian Freuler. 5‑3 sobre o Pisa, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
8 golos. Os dois bancos passaram a segunda parte a olhar um para o outro mais do que para o relvado. Os puristas vão queixar-se do Mantova e do Pisa por igual; os restantes divertiram-se imenso.
Em resumo
PlantelJason Mertens vive a melhor forma da carreira
PlantelKacper Boratyński desentende-se com um colega por causa das exigências
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 6 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. David Miller está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.