Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 128 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 8 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
11 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Plantel17/08/2048
Elias Sahraoui tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Corinthians dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Elias Sahraoui. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Corinthians falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Leonardo Rangel, e o treinador deixou.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Marcel Trimmel acabou de assinar pelo Corinthians e, por uma vez, a resposta importava.
Jogo13/06/2048
Não se vê o fim da espera do Corinthians por uma vitória
Já são 4 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Corinthians tem de arrancar um resultado de algum lado.
As bancadas15/06/2048
O Corinthians gasta $14.5M na contratação que a cidade queria
É a sequência mais rara do futebol: os adeptos pedem uma coisa e o clube vai e fá-la. $14.5M por Marcel Trimmel, e durante uma semana ninguém se queixa de nada.
Sergio Reis ganha-o quando o apito já devia ter soado
Minuto 91. Sergio Reis encontrou a finalização num tempo que só existia por causa das paragens anteriores, e o Nautico passou do ponto ao nada num só movimento.
Aos 38 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 7.97 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” João Souza e o Corinthians acertam mais 4 anos.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 15 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 7 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.05 aos 35, e ninguém no campo esteve melhor.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Corinthians ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Ricardo Fonseca. 3‑1 sobre o Cruzeiro, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Fernando Oliveira. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Em resumo
Notas dos jogadoresSergio Reis encarou-os todo o jogo
1‑0 frente ao Deportivo La Guaira, e uma exibição que será descrita durante o resto da época a quem não esteve lá. Ricardo Fonseca está no centro dessa descrição.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 9 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Corinthians falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Aos 35 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.09 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Uma média de 7.04 numa idade em que quase todos os da sua geração ainda jogam nos juniores. O Corinthians sabe o que tem, e a esta altura já toda a gente sabe.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Ricardo Fonseca, e o treinador deixou.
A série sem derrotas chega aos 16 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Um prémio individual é coisa estranha num desporto de equipa, e os melhores não se discutem. Teve o tipo de ano que acaba com o seu nome lido em voz alta, e o Corinthians beneficiou disso.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» João Borne e o Corinthians acertam mais 2 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
A proposta do Vitória por Rafael Gomes foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Maestro será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Corinthians as despedidas começaram em silêncio.
Vai jogar aqui até ao verão e depois sair pela porta de graça, tendo já assinado noutro lado. Os adeptos aguentam a primeira parte desta frase; é com a segunda que vão ter dificuldade.
O prémio é pouca coisa com um significado pesado: durante quatro semanas ninguém neste escalão fez melhor o seu trabalho. Corinthians têm o troféu numa prateleira e o jogador na equipa.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 8 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
A proposta do Mirassol por Fernando Oliveira foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Jogo29/12/2046
O Corinthians torna a sua casa um sítio difícil de visitar
14 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
Já são 5 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Um prémio individual é coisa estranha num desporto de equipa, e os melhores não se discutem. Teve o tipo de ano que acaba com o seu nome lido em voz alta, e o Corinthians beneficiou disso.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 7.95 aos 37, e ninguém no campo esteve melhor.
Uma média de 7.26 na época, com 15 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
Aos 19 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.