A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Flora perdeu-o em tudo menos nos papéis.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Flora coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel02/08/2032
Denilson desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Preston fica com o seu homem, e o Flora volta a uma lista com um nome riscado.
Faz todos os sábados coisas a que ninguém à volta dele consegue responder. É lisonjeiro durante uma época e um problema a partir daí, e o Flora sabe em que fase está.
Verba acordada, salário acordado, e o Zalgiris à espera com uma camisola. No Flora ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Flora, e não vai ser retirado.
Luca Everink esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Alexsandro Faísca está a viver essa versão no Flora, e costuma notar-se no primeiro mês.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Denilson está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
O Flora perguntou e o Paide disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
O telefone voltou a tocar por causa de Daniel Dumbravanu, e desta vez do outro lado está o Skënderbeu Korçë. No Flora ouvem com educação e não prometem nada.
Já são 14 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Verba acordada, salário acordado, e o Zalgiris à espera com uma camisola. No Flora ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Jogo12/06/2032
Mais uma trazida de fora
7 seguidas na estrada para o Flora. Os autocarros saem cedo, chegam de noite a estádios pouco simpáticos, e voltam sempre com três pontos.
Os clubes tinham acordado e o jogador não. Uma nega, e pública: o Nomme Kalju fica com ele, e os adeptos daqui ficam a perguntar-se o que lhe terão dito sobre esta casa.
Luca Everink e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Uroš Račić está nela.
Treina a sério, diz o que há a dizer e volta para um apartamento vazio. No Flora ninguém fez nada de mal, e é justamente isso que torna tudo tão difícil de resolver.
Os números não ficam secretos num balneário. Não está a pedir mais do que vale; está a perguntar porque é que alguém ao lado dele vale mais, e o Flora não tem uma boa resposta.
Nada por escrito e nada em público: uma palavra sobre minutos, dada cara a cara no Flora. As fichas de jogo do próximo mês dirão se valia a pena tê-la.
Arthur Cabral esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel13/10/2031
Luca Everink consegue a transferência que sempre quis
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Luca Everink acabou de assinar pelo Flora e, por uma vez, a resposta importava.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Jackson está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Vejo todos os jogos do Flora daqui. Isso diz tudo sobre onde está a minha cabeça.” O empréstimo no Elva segue o seu curso, mas o coração nunca fez a viagem.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Daniel Dumbravanu e o Flora acertam mais 2 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Luca Nocerino, e o treinador deixou.
0‑1 frente ao Dender. O futebol continental não perdoa aquilo que uma liga interna deixa passar, e esta foi uma noite passada a descobrir quais dessas coisas o clube ainda arrasta.
Felipe Guimarães esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Daniel Dumbravanu está a viver essa versão no Flora, e costuma notar-se no primeiro mês.
Plantel06/10/2031
Ariel Gamarra desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No Flora ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
“Os adeptos têm todo o direito de estar zangados. Eu também estou. Vamos corrigir isto.” 0‑1, um treinador a dizer as coisas necessárias, e um balneário que ouviu outra versão delas.
O banco06/10/2031
Arthur Cabral tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Flora dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Um jogador que contava ser titular assistiu de fora. O treinador vai chamar-lhe uma decisão pela equipa; Raphaël Le Guen chama-lhe outra coisa em privado.