A série sem derrotas chega aos 14 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O VfB Stuttgart pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 23 anos que sente como seu. Bilal El Khannouss tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
«Disseram-mo com clareza, e prefiro assim.» O treinador de VfB Stuttgart foi explícito quanto à situação de Lorenz Assignon, o que é mais do que muitos recebem.
Colete de aquecimento, noventa minutos a ver, e um aperto de mão no fim que não enganou ninguém. Os jogos grandes dizem em quem o treinador confia; este disse-o a Atakan Karazor.
Uma nota de 7.50, e ninguém no estádio a contestaria. Esteve em tudo o que importava e em quase tudo o que não.
O banco10/05/2027
Angelo Stiller tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no VfB Stuttgart dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
15 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O VfB Stuttgart pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Adama Soumaoro e o VfB Stuttgart acertam mais 1 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Uma média de 7.27 na época, com 6 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
O Heidenheim vai querer esquecer isto depressa: 3‑0, todos os duelos perdidos e uma viagem longa para casa. O VfB Stuttgart foi impiedoso como as boas equipas sabem ser.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do VfB Stuttgart, e não vai ser retirado.
Jogo17/04/2027
Ninguém quer jogar contra o VfB Stuttgart neste momento
3 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No VfB Stuttgart ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
Dribles concretizados: 20. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
50 pontos somados e um lugar no grupo da frente. No estádio ainda ninguém diz a palavra em voz alta.
Jogo20/03/2027
O VfB Stuttgart torna a sua casa um sítio difícil de visitar
13 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O VfB Stuttgart pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Jogo20/03/2027
Não se vê o fim da espera do VfB Stuttgart por uma vitória
Já são 5 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no VfB Stuttgart tem de arrancar um resultado de algum lado.
7 convocatórias são um elogio ao plantel e uma dor de cabeça para quem o dirige. Vai recebê-los de volta daqui a quinze dias, cansados e em vários estados de conservação.
A única versão de ficar de fora contra a qual um jogador não pode argumentar, e a que pior aceita. Outro tem estado melhor e a ficha de jogo di-lo, em público, todas as semanas até mudar.
“Não é o fim do mundo e não chega. As duas coisas são verdade.” O treinador, depois de um empate por 0‑0, disse a coisa honesta e foi dizê-la outra vez lá dentro.
12 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Já são 6 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No VfB Stuttgart ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
Empate aos 96 minutos, depois de uma tarde que o VfB Stuttgart tinha praticamente arrumada. O Hamburger SV vai chamar-lhe um ponto ganho; o balneário da casa vai chamar-lhe dois oferecidos, e ambos têm razão.
Colete de aquecimento, noventa minutos a ver, e um aperto de mão no fim que não enganou ninguém. Os jogos grandes dizem em quem o treinador confia; este disse-o a Lorenz Assignon.
Plantel08/03/2027
No VfB Stuttgart ainda são estranhos uns para os outros
6 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
Posição 2, 46 pontos, e o resultado que todos procuram primeiro agora é o deles. A palavra continua a não se dizer à volta do estádio — e é assim que se sabe que todos a pensam.
Dribles concretizados: 20. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Tem 21 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
A única versão de ficar de fora contra a qual um jogador não pode argumentar, e a que pior aceita. Outro tem estado melhor e a ficha de jogo di-lo, em público, todas as semanas até mudar.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Christoph Schwarz depois do empate por 1‑1, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
93 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O VfB Stuttgart perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no VfB Stuttgart a ouviu como outra coisa.
“Vejo todos os jogos do VfB Stuttgart daqui. Isso diz tudo sobre onde está a minha cabeça.” O empréstimo no Borussia Dortmund segue o seu curso, mas o coração nunca fez a viagem.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Deniz Undav. 1‑0 sobre o Borussia Dortmund, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Dribles concretizados: 47. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
111 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O VfB Stuttgart perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O VfB Stuttgart pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Um desempate por grandes penalidades fica na memória pelo fim, e este acaba em Fabian Bredlow: 1 travadas, e uma bancada que vai descrever cada uma delas nos próximos vinte anos.
A série sem derrotas chega aos 7 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
119 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O VfB Stuttgart perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Jeff Chabot: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o VfB Stuttgart a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
“Fiz tudo o que me pediram nos treinos e ao sábado não mudou nada.” A queixa mais conhecida do futebol, e uma a que o VfB Stuttgart terá de responder com minutos ou com uma transferência.
127 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O VfB Stuttgart perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no VfB Stuttgart a ouviu como outra coisa.
Aos 22 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Com 6 jogadores ao serviço das seleções, os treinos são pequenos e o treinador até consegue ouvir-se. É a única pausa da época, e nunca sabe bem a uma.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Aqui não há queixa possível e todos os envolvidos sabem, o que não encurta o caminho até ao banco. A forma é a única moeda do futebol sobre a qual não se pode pedir emprestado.
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 63 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Lorenz Assignon e o VfB Stuttgart acertam mais 4 anos.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Deniz Undav. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Segue-se o FC Augsburg, e há um homem no balneário do VfB Stuttgart que conhece o centro de treinos deles melhor do que o seu. A receção vai dizer-lhe o que pensavam dele.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Chris Führich apontou a data.
Os números não ficam secretos num balneário. Não está a pedir mais do que vale; está a perguntar porque é que alguém ao lado dele vale mais, e o VfB Stuttgart não tem uma boa resposta.