70 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Mallorca perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 50 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Mallorca, e não vai ser retirado.
0‑1 para o Zaragoza, e nenhuma queixa que valha a pena imprimir. A exibição não pediu mais do que aquilo que recebeu.
O banco10/04/2028
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 Rubén Cano saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Mallorca, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Dribles concretizados: 13. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Mallorca, mais uma semana sem a assinatura de Javi Llabrés.
95 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Mallorca perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 77 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Jogo18/03/2028
Não se vê o fim da espera do Mallorca por uma vitória
Já são 5 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Mallorca tem de arrancar um resultado de algum lado.
Não acontece nada durante meses e depois ele simplesmente chega, a custo zero, tendo assinado um pré-contrato enquanto ainda jogava por outro. É a forma menos dramática de contratar um futebolista e muitas vezes a mais esperta.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Mallorca coisas que levam mais de uma semana a retirar.
O golo que pôs o Málaga na frente ainda passava nos ecrãs do corredor quando o Mallorca empatou, 4 minutos depois. Uma vantagem vale o que se fizer com ela.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” Rubén Cano depois do 1‑2, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
120 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Mallorca perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Plantel28/02/2028
102 dias de fora para Antonio Raíllo depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Mallorca vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 7 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Javi Llabrés e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
O banco28/02/2028
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 Rubén Cano saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
O Real Madrid queria mais do que $13.9M e a direção não foi por aí. Levantou-se da mesa, por agora, o que em pleno mercado quer dizer até alguém pestanejar.
Verba acordada, salário acordado, e o Marbella à espera com uma camisola. No Cádiz ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
David Gil e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
O Mallorca pagou $29.0K e o Cádiz aceitou, o que é a história toda numa frase. A versão longa fala do orçamento salarial e vai ser contada a época inteira.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Olympique Lyonnais fica com o seu homem, e o Cádiz volta a uma lista com um nome riscado.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Verba acordada, salário acordado, e o Cacereño à espera com uma camisola. No Cádiz ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
O Cádiz foi ao Real Madrid com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
Exames médicos, uma assinatura, uma camisola levantada à frente de um painel de patrocinadores. O Cádiz fez a parte difícil com o Cremonese, e a parte que falta é a única que os adeptos veem.
Plantel10/01/2028
Javi Ontiveros desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Urko Izeta, e o treinador deixou.
Metade do calendário jogado, 13.º lugar, 19 pontos somados. Multiplicar por dois é a conta que todos os adeptos já fizeram e a única que ninguém no clube fará em voz alta.
159 dias de fora para Antonio Raíllo depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Mallorca vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Mallorca, e não vai ser retirado.
A proposta do Antequera por Cyle Larin foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
O Mallorca e o Cádiz acertaram em $29.0K. O resto pertence ao jogador e ao empresário, e um adepto que já viu uma destas sabe que ainda não é altura de comprar a camisola.
As condições foram oferecidas e recusadas. Se foi o salário, a função ou a cidade, no River Plate ninguém diz, e no Mallorca ninguém gosta de estar a adivinhar.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Deportivo La Coruña fica com o seu homem, e o Mallorca volta a uma lista com um nome riscado.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Cyle Larin, e o treinador deixou.
Os jogos da taça esperam que alguém os agarre, e Jerónimo Domina agarrou este contra o Almería. 1‑0 no fim, e no sorteio da próxima ronda está o nome do Cádiz.
O painel já tinha subido, os protestos já tinham começado, e então a bola entrou ao minuto 97. O Almería vai rever cada segundo do tempo extra durante uma semana.
Urko Izeta esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Tem 22 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Aos 36 anos, 3 pontos abaixo de onde esteve, e um corpo que começou a cobrar juros. Acontece a todos, e continua a ser o parágrafo mais difícil desta página.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Jerónimo Domina estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.