Jari Vlak lesiona os ligamentos do joelho — 107 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 107 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Valencia, e não vai ser retirado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Valencia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Marc Cucurella estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Os clubes prometem constantemente e o jornal costuma só saber quando falham. Esta foi cumprida, e o balneário notou-o mais depressa do que qualquer adepto.
O banco17/12/2029
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 1‑2, ditas por Interim Coach a uma sala que já as tinha ouvido.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para André Almeida, e o treinador deixou.
Marc Cucurella esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
As regras permitem-no e dói na mesma. Bruno Brígido acertou condições com o Real Sociedad para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Valencia ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Hugo Duro estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
«Aqui ninguém está acima de levar um raspanete.» Não se disse nenhum nome, mas o balneário sabe contar, e quem estava a ouvir também.
Plantel08/10/2029
5 caras novas e o Valencia ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
68 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Valencia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
O comunicado da direção tinha três frases e uma delas mencionava resultados. Interim Coach treina há tempo suficiente para traduzir: ganhar depressa, ou o próximo comunicado será mais curto.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Valencia, e não vai ser retirado.
A proposta do Betis por Juan Ignacio Barbieri foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Marc Cucurella e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Hugo Duro estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Uma mudança no banco não é uma história, são vinte e cinco. Esta é a de Marc Cucurella: era o jogador de alguém e agora tem de ser o de outra pessoa, a começar do zero.
130 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Valencia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Valencia perdeu-o em tudo menos nos papéis.
A verba é $39.1M, o contrato está assinado, e a discussão sobre se ele vale o preço pode começar. O Real Madrid negociou duro; o tempo dirá quem ganhou.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Valencia podem fingir não ter ouvido.
Plantel18/06/2029
Uma transferência que Jari Vlak teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Jari Vlak está a viver essa versão no Valencia, e costuma notar-se no primeiro mês.
Marc Cucurella esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
A verba é $400.0K, o contrato está assinado, e a discussão sobre se ele vale o preço pode começar. O Castellón negociou duro; o tempo dirá quem ganhou.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Levante fica com o seu homem, e o Valencia volta a uma lista com um nome riscado.
Em resumo
Alvos de mercadoNão há negócio por Lucas Sanseviero a esse preço
Hugo Duro lesiona os ligamentos do joelho — 105 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 105 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Valencia ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Cucho Hernández e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
É a ambição mais legítima do desporto e a mais difícil de satisfazer para a maioria dos clubes. Gonzalo Petit quer futebol continental; se o Valencia o consegue oferecer é uma pergunta sobre as próximas duas épocas, não sobre ele.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para André Almeida, e o treinador deixou.
Nada na semana que aí vem é normal. O Villarreal no sábado, uma cidade que já começou a falar disso, e um balneário a quem não é preciso explicar o que significa.
Plantel12/03/2029
Alexis Castro desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
39 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Valencia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Valencia, e não vai ser retirado.
Verba acordada, salário acordado, e o Getafe à espera com uma camisola. No Valencia ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Valencia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Hugo Duro estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
A versão geral desta queixa é que um jogador quer mais. A versão concreta dá-lhe nome: quer entrar sob os holofotes contra clubes de outros países, e deixou de fingir o contrário.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para André Almeida, e o treinador deixou.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Pablo Torre está nela.
Cucho Hernández e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Hugo Duro estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
O jogo à volta do qual se organiza o calendário. A forma vai pela janela, a tabela não se consulta, e durante noventa minutos o Valencia será julgado por uma única coisa.
Outro tem estado melhor, o treinador disse-o com uma ficha de jogo, e não há discussão possível. Vai recuperar a camisola da única maneira que ela se recupera.
O Granada queria mais do que $11.6M e a direção não foi por aí. Levantou-se da mesa, por agora, o que em pleno mercado quer dizer até alguém pestanejar.
A proposta seguiu esta semana para o Celta, e a resposta é deles. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Cucho Hernández esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
A versão geral desta queixa é que um jogador quer mais. A versão concreta dá-lhe nome: quer entrar sob os holofotes contra clubes de outros países, e deixou de fingir o contrário.
Aos 23 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Aos 26 a evolução devia ter acabado. Não acabou: 3 pontos acima da marca do início do ano, o que acontece aos jogadores que levam a sério as partes aborrecidas do ofício.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Valencia perdeu-o em tudo menos nos papéis.
O negócio mais incómodo que um clube faz é contratar a resposta de amanhã enquanto a de hoje ainda está no edifício. Álex Calvo vem do Andorra exatamente para isso, e da passagem de testemunho ninguém falará em público.
Arnau Martínez e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
$180.0K era o máximo que o clube pagaria, e o Getafe pedia mais. Negócios destes ressuscitam na última semana do mercado mais ou menos metade das vezes, e todos os envolvidos o sabem.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Hugo Duro estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Arnau Martínez e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
14 dias com a cadeira livre, uma lista de nomes que cresce e encolhe todos os dias, e nem uma assinatura. Cada semana que passa retira dela os melhores candidatos.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Hugo Duro estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
«Aqui ninguém está acima de levar um raspanete.» Não se disse nenhum nome, mas o balneário sabe contar, e quem estava a ouvir também.
Plantel15/05/2028
7 caras novas e o Valencia ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No Valencia ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Dani Vivian assinar alguma coisa — um contrato no Valencia ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Arnaut Danjuma treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Não dá grande título e é a razão por que os jogadores acreditam na promessa seguinte. O Valencia disse a Alessandro Pellegrino que algo iria acontecer e aconteceu, o que nesta indústria já passa por notável.
Lá em cima ninguém disse nada, que é a coisa mais barulhenta que podiam fazer. Os resultados compram silêncio neste ofício; a conta do Valencia está a esgotar-se.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 29 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de Valencia ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
Luis Rioja e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
A papelada fica pronta muito antes do jogador. Jorge Cardona acertou vir quando o contrato atual terminar, o que significa que o Valencia substituiu um orçamento de verão por um telefonema.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Hugo Duro estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 81 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Cucho Hernández esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Mattia Ciancaglini acabou de assinar pelo Valencia e, por uma vez, a resposta importava.
O Espanyol vai continuar a utilizá-lo até junho e não receberá nada por ele depois. Tomás Lingua pré-acordou a mudança para o Valencia, e os únicos que perdem nesse arranjo são os que deixaram o contrato correr.
Plantel21/02/2028
Hugo Duro desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Qualquer balneário sabe ler uma contratação destas. Mattia Ciancaglini não veio esperar indefinidamente, e o homem cujo lugar ele foi comprado para ocupar sabe-o melhor do que ninguém.
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Valencia vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 6 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
27 ações defensivas e uma baliza a zero no fim delas. A tarde de um defesa só se pode contar pelo que não aconteceu, e é por isso que ninguém faz um resumo com ela e qualquer treinador da divisão a assinava.
O negócio mais incómodo que um clube faz é contratar a resposta de amanhã enquanto a de hoje ainda está no edifício. Ibrahima Koné vem do Almería exatamente para isso, e da passagem de testemunho ninguém falará em público.
Cucho Hernández esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
$760.0K era o máximo que o clube pagaria, e o Elche pedia mais. Negócios destes ressuscitam na última semana do mercado mais ou menos metade das vezes, e todos os envolvidos o sabem.
Já são 7 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.