Anísio Cabral, 18 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.83
Um 7.83 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 18. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Dimitris Diamantakos e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Tem 18 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Dribles concretizados: 15. Cada vez que recebia, alguém tinha de decidir, e todas as vezes a decisão foi a errada.
O banco23/11/2026
A vista do banco
“Controlámos o jogo. Houve períodos de que não gostei e vamos vê-los, mas o grupo mostrou-me alguma coisa.” Nicholas Alexandrou, sobre uma vitória por 2‑1 que já ia a desmontar a caminho da sala de imprensa.
Aos 18 anos foi o melhor de todos da sua idade na divisão durante um fim de semana. Ninguém devia construir uma carreira em cima disso, e toda a gente o faz sem dizer.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Ángel García: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o APOEL a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Franko Kovačević produziu-o, e o 9.34 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
6 golos. Os dois bancos passaram a segunda parte a olhar um para o outro mais do que para o relvado. Os puristas vão queixar-se do APOEL e do Ermis por igual; os restantes divertiram-se imenso.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Oliver Zelenika, e o treinador deixou.
Notas dos jogadores26/10/2026
Dálcio jogou uma tarde diferente da de toda a gente
8.45. Há exibições que um adepto descreve a quem não esteve lá e não consegue transmitir; esta foi uma, e o número também não ajuda.
O banco26/10/2026
O treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Max Meyer
Em público está ultrapassado para toda a gente. Não está para quem faz a equipa, e o único sítio onde isso se vê é uma ficha de jogo. Vai ter outra oportunidade: vai tê-la num jogo que importe menos.
1 erro, um golo e uma noite à frente dos mesmos três segundos. Vai vê-lo hoje, amanhã e provavelmente em fevereiro, e quem já jogou sabe em que fotograma ele para.
Em resumo
O bancoA vista do banco
PlantelO melhor da divisão no último fim de semana foi um jogador do APOEL
O negócio que levaria Kostas Stafylidis para o Anorthosis caiu na fase final e ele reapresenta-se no APOEL com um verão para esquecer e uma época inteira para jogar. Ninguém diz quem se levantou da mesa.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
O banco14/09/2026
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 1‑4 Nicholas Alexandrou saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
O banco14/09/2026
Neste momento há alguém melhor do que Ángel García
A ficha de jogo di-lo em público todas as semanas até mudar. A única versão de ficar de fora que um futebolista não consegue contestar, e a que lhe custa mais.
“Fiz tudo o que me pediram nos treinos e ao sábado não mudou nada.” A queixa mais conhecida do futebol, e uma a que o APOEL terá de responder com minutos ou com uma transferência.