O mais difícil de ter 19 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Lamine Bèye não precisou: 7.82, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Lamine Bèye esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel02/11/2026
Everton desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Tem 20 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
«Estamos muito longe um do outro, e fingir o contrário não ajuda ninguém.» Nada se moveu, e o calendário não joga a favor do clube.
Plantel02/11/2026
23 caras novas e o Caldas ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
Em resumo
Notas dos jogadoresPaulinho Campos passa por eles um de cada vez
1‑4 para o Lusitano Évora, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Caldas coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mauro Andrade está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Metade do calendário jogado, 8.º lugar, 8 pontos somados. Multiplicar por dois é a conta que todos os adeptos já fizeram e a única que ninguém no clube fará em voz alta.
Uma nota de 7.97, e ninguém no estádio a contestaria. Esteve em tudo o que importava e em quase tudo o que não.
O banco26/10/2026
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 1‑4, ditas por Ruben Sousa a uma sala que já as tinha ouvido.
Lamine Bèye e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e João Lourenço estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para João Lourenço, e o treinador deixou.
Acontece a todos e continua a ser o parágrafo mais difícil que um jornal local tem de escrever. 34 anos, 3 pontos abaixo do que era, e um corpo que começou a cobrar juros sobre uma carreira.
O banco19/10/2026
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 Ruben Sousa saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Aos 19 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Os clubes prometem constantemente e o jornal costuma só saber quando falham. Esta foi cumprida, e o balneário notou-o mais depressa do que qualquer adepto.
Lamine Bèye esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
100 jogos com esta camisola, através de treinadores, descidas e tudo o resto. Uma entrega assim está a desaparecer do futebol, e a bancada sabe o que está a ver.
Aos 20 anos foi melhor do que todos da sua idade na divisão durante quatro semanas seguidas, o que é mais difícil do que uma boa tarde. O Caldas vai tentar não fazer disso um caso.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
24 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Ruben Sousa sobre uma tarde de 1‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Mauro Andrade e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
A única versão de ficar de fora contra a qual um jogador não pode argumentar, e a que pior aceita. Outro tem estado melhor e a ficha de jogo di-lo, em público, todas as semanas até mudar.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Ruben Sousa depois do empate por 1‑1, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
Plantel28/09/2026
Santino Dudar, 19 anos, é o melhor jovem do fim de semana
Medido contra todos os outros miúdos da divisão, e o primeiro entre eles. O prémio de sénior é onde o Caldas gostava que isto fosse dar.
O Leiria segue em frente e o Caldas vai para casa, com um 1‑2 a decidir tudo. O balneário vai agora dizer que a prioridade é o campeonato, porque é isso que os balneários dizem.
João Lourenço esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Bruno Ventura, e o treinador deixou.
Dribles concretizados: 17. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” Ruben Sousa depois do 1‑2, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. João Lourenço está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
O Caldas perguntou e o Trujillanos disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Tem 20 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Caldas, mais uma semana sem a assinatura de Bruno Ventura.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Caldas joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
Em resumo
O bancoNeste momento há alguém melhor do que Pedro Vieira
O prazo passou e o plantel é o plantel. Chegaram 36, saíram 21, e tudo o resto que se imprimiu sobre este clube no último mês foi um rumor que ficou rumor.
Jonathan Silva esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
O Caldas perguntou e o Leixões disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Caldas, mais uma semana sem a assinatura de Tiago Simões.
24 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
Todos os desenhos têm posições e este não tem a dele. O Caldas vai mudar o desenho, mudar-lhe a função ou mudar-lhe o clube, e ele está à espera de saber qual.
O Caldas já telefonou ao Trujillanos. Sem verba, uma parte do salário, e uma camisola a mais na posição em que o plantel esteve mais curto a época inteira.
Quatro ou cinco jornadas de regularidade, medidas contra todos os da divisão que fazem o seu trabalho. Arnas Voitinovičius sai dessa comparação dentro da equipa, e o Caldas beneficiou de cada uma dessas tardes.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 6 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
O mais difícil de ter 19 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Lamine Bèye não precisou: 7.60, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
O valor aprovado não chegava. A direção foi consultada de novo e subiu a sua própria proposta para $25.3K — um clube que quer Konrad Nfanseu ao ponto de perguntar duas vezes.
Mauro Andrade e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
O Caldas ofereceu $26.0K; o Penafiel disse que nem perto. Ao treinador dirão que o dinheiro continua lá para o jogador certo, que é o que se diz aos treinadores.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Académico de Viseu fica com o seu homem, e o Caldas volta a uma lista com um nome riscado.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Caldas joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Everton agiu, no Caldas, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Isto não é profundidade de plantel e ninguém finge que seja. Pagaram-se $1.1M porque Issoufi Maïga é simplesmente melhor do que o que já cá estava, e o clube decidiu deixar de esperar.
O valor aprovado não chegava. A direção foi consultada de novo e subiu a sua própria proposta para $25.3K — um clube que quer Argyris Christodoulou ao ponto de perguntar duas vezes.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Caldas coisas que levam mais de uma semana a retirar.
O Caldas ofereceu $26.0K; o Famalicao disse que nem perto. Ao treinador dirão que o dinheiro continua lá para o jogador certo, que é o que se diz aos treinadores.
O Caldas foi ao Académico de Viseu com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
Os clubes tinham acordado e o jogador não. Uma nega, e pública: o Rio Ave fica com ele, e os adeptos daqui ficam a perguntar-se o que lhe terão dito sobre esta casa.
Mauro Andrade esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
A proposta seguiu esta semana para o Famalicao, e a resposta é deles. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Às direções dizem-lhes durante anos o que fazem mal e não ouvem nada nos dias em que acertam. Este é um desses dias: Lamine Bèye do Famalicao por $1.3M, e uma bilheteira a ter uma manhã excelente.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 21 anos que sente como seu. João Bom tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Tiago Simões consegue a transferência que sempre quis
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Tiago Simões acabou de assinar pelo Caldas e, por uma vez, a resposta importava.
Mauro Andrade e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Ricardo Machado está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Jose Almeida é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Jose Neves está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Ruben Sousa é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Em resumo
PlantelNão há lugar para Bruno Ventura no desenho novo
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O AVS fica com o seu homem, e o Caldas volta a uma lista com um nome riscado.
Duarte Almeida e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Uma sondagem ao Benfica para um empréstimo: cobertura, ou uma vista de olhos a alguém que o clube ainda não pode comprar. De qualquer maneira, a resposta chega dentro de uma semana.
Contrato liquidado, apertos de mão, nenhuma verba a mudar de mãos. Rui Silva deixa o Caldas pela porta discreta, e a folha salarial respira um pouco melhor.