Já são 10 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Tem 19 anos, média de 7.01, e os profissionais mais velhos começaram a dar-lhe a bola nos minutos difíceis. Essa última parte é o verdadeiro relatório de observação.
Valdir esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 20 anos que sente como seu. Otávio tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
A série sem derrotas chega aos 9 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Segue-se o Água Santa, e as duas equipas para que a divisão olha encontram-se. A quem ganhar dirão que nada está decidido no mesmo fôlego em que lhe dão os parabéns.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Weverson, e o treinador deixou.
O banco19/07/2027
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Rafael Martins escolheu a versão do copo meio cheio do 0‑0; os adeptos saíram com a outra.
A única versão de ficar de fora contra a qual um jogador não pode argumentar, e a que pior aceita. Outro tem estado melhor e a ficha de jogo di-lo, em público, todas as semanas até mudar.
Plantel19/07/2027
Um jovem do Ceilândia leva o prémio de melhor sub-21
Francisco tem 19 anos e, por um fim de semana, foi o melhor de todos os da sua idade na divisão. Ninguém devia construir uma carreira sobre isso, e toda a gente o faz em silêncio.
Noventa minutos concretos pediam outro tipo de jogador, e o treinador escolheu um. Não está em má forma e não está na equipa, e as duas coisas são verdade.
As bancadas esperaram por um golo que nunca chegou. O Pouso Alegre defendeu com muita gente e levou aquilo que veio buscar, e as duas equipas podiam ainda estar a jogar sem incomodar o marcador.
Dois golos e um 8.77 a acompanhar. Os avançados são julgados por tardes como esta e recordados por muito menos delas do que se imagina.
Notas dos jogadores12/07/2027
Otávio, 20 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.65
Um 7.65 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 20. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Ceilândia, e não vai ser retirado.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 19 anos que sente como seu. Francisco tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Gualberto, e o treinador deixou.
Posição 3, 24 pontos, e o resultado que todos procuram primeiro agora é o deles. A palavra continua a não se dizer à volta do estádio — e é assim que se sabe que todos a pensam.
A série sem derrotas chega aos 7 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Gualberto esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Jogo03/07/2027
Mais uma trazida de fora
3 seguidas na estrada para o Ceilândia. Os autocarros saem cedo, chegam de noite a estádios pouco simpáticos, e voltam sempre com três pontos.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Gabriel Souza, e o treinador deixou.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Edimar. 1‑0 sobre o Goianésia, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
14 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Ceilândia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Já são 6 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Todas as séries acabam numa tarde que alguém tinha dado como rotina. Esta durou 5 jogos, o suficiente para uma cidade ter deixado de contar, e pouco o suficiente para se lembrar exatamente de quem a parou.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Zayid Sultan e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
«Aqui ninguém está acima de levar um raspanete.» Não se disse nenhum nome, mas o balneário sabe contar, e quem estava a ouvir também.
O banco28/06/2027
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Rafael Martins não o escondia depois do 0‑0, e no balneário do Ceilândia também ninguém o escondia.
Em resumo
PlantelFrancisco é o melhor jovem do fim de semana
JogoPonto ganho ou dois perdidos para o Ceilândia?
47Edição
O Arauto de Ceilândia
21/06/2027
Do nosso correspondente de futebolTriunfo
Plantel21/06/2027
Benjamín Durán lesiona os ligamentos do joelho — 23 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 23 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
8 defesas, e um resultado a que os dez à frente dele não tinham direito. Nos guarda-redes só se repara nos dias maus; este foi dos outros.
Jogo19/06/2027
Ninguém quer jogar contra o Ceilândia neste momento
5 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Notas dos jogadores21/06/2027
Francisco, 19 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.88
Um 7.88 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 19. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Acontece a todos e continua a ser o parágrafo mais difícil que um jornal local tem de escrever. 39 anos, 3 pontos abaixo do que era, e um corpo que começou a cobrar juros sobre uma carreira.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 20 anos que sente como seu. Otávio tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
30 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 17 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Notas dos jogadores14/06/2027
Otávio, 20 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.85
Um 7.85 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 20. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Já são 4 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Exames médicos, uma assinatura, uma camisola levantada à frente de um painel de patrocinadores. O Ceilândia fez a parte difícil com o Santa Cruz, e a parte que falta é a única que os adeptos veem.
Dribles concretizados: 21. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Matheus Salustiano estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
37 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Ceilândia falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Um 6‑4 sobre o Capital, conquistado e não oferecido, e o tipo de tarde que manda toda a gente para casa a falar da próxima semana em vez desta.
Jogo05/06/2027
Ninguém quer jogar contra o Ceilândia neste momento
3 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Defender era opcional e ninguém exerceu a opção. 10 golos entre o Ceilândia e o Capital, e nem um dos que pagaram bilhete vai pedir o dinheiro de volta.
45 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Ceilândia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Ceilândia falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
O mais difícil de ter 19 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Dieguinho não precisou: 8.30, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Aos 19 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
O banco31/05/2027
A vista do banco
“Controlámos o jogo. Houve períodos de que não gostei e vamos vê-los, mas o grupo mostrou-me alguma coisa.” Rafael Martins, sobre uma vitória por 1‑0 que já ia a desmontar a caminho da sala de imprensa.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 11 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
0‑5 frente ao Mirassol, e a estrada acaba aqui. As eliminações da taça são mortes rápidas — sem segunda mão, sem próxima semana, só o campeonato daqui até maio.
Não há forma mais cruel de perder um jogo. O Ceilândia marcou aos 90, o pontapé de saída mal chegou a acontecer, e a bancada visitante ainda estava de pé quando soou o apito.
Plantel24/05/2027
40 dias de fora para Léo Souza depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Ceilândia vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Acabou 0-5. Uma eliminação na taça é uma desilusão; isto foi um desmantelamento público, e a diferença mede-se em quantas pessoas ainda falarão nisso em agosto.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Matheus Salustiano estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 48 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
7 defesas, e um resultado a que os dez à frente dele não tinham direito. Nos guarda-redes só se repara nos dias maus; este foi dos outros.
Jogo15/05/2027
Não se vê o fim da espera do Ceilândia por uma vitória
Já são 4 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Ceilândia tem de arrancar um resultado de algum lado.
4 jogos sem golo. Os avançados deixam de levantar a cabeça, os médios dão o toque a mais, e cada remate que passa por cima é seguido de um lamento que se acumula desde o último golo.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Ceilândia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel17/05/2027
Palavras no treino do Ceilândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Matheus Salustiano está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Gualberto, e o treinador deixou.
O banco17/05/2027
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Rafael Martins não o escondia depois do 0‑0, e no balneário do Ceilândia também ninguém o escondia.
Em resumo
O bancoNeste momento há alguém melhor do que Rodrigo Negueba
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O Ceilândia pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Plantel10/05/2027
55 dias de fora para Léo Souza depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Ceilândia vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
3 jogos sem golo. Os avançados deixam de levantar a cabeça, os médios dão o toque a mais, e cada remate que passa por cima é seguido de um lamento que se acumula desde o último golo.
Derrota por 0‑1, e justa. O treinador foi curto nas palavras no final, o que provavelmente foi sensato.
O banco10/05/2027
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑1, ditas por Rafael Martins a uma sala que já as tinha ouvido.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Ceilândia coisas que levam mais de uma semana a retirar.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Ceilândia, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Em resumo
Notas dos jogadoresA única coisa que Otávio não conseguiu
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Ceilândia falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Dribles concretizados: 19. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” Rafael Martins depois do 0‑1, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
Um mês é longo o suficiente para ninguém entrar por acaso. Edimar está no melhor onze da divisão, o que é um elogio mais discreto do que um prémio e mais fiável.
Já são 13 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Ceilândia falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Plantel26/04/2027
Palavras no treino do Ceilândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Matheus Salustiano está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Dribles concretizados: 20. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
“Não é o fim do mundo e não chega. As duas coisas são verdade.” O treinador, depois de um empate por 0‑0, disse a coisa honesta e foi dizê-la outra vez lá dentro.
Aos 19 anos está a ser medido contra os restantes jovens da divisão e sai à frente. A versão sénior deste prémio é onde o clube gostaria que isto levasse.
A ficha de jogo di-lo em público todas as semanas até mudar. A única versão de ficar de fora que um futebolista não consegue contestar, e a que lhe custa mais.
O Luverdense vai querer esquecer isto depressa: 3‑0, todos os duelos perdidos e uma viagem longa para casa. O Ceilândia foi impiedoso como as boas equipas sabem ser.
Plantel19/04/2027
77 dias de fora para Léo Souza depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Ceilândia vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Dieguinho produziu-o, e o 8.92 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
Ser difícil de bater não é o mesmo que ganhar, mas 12 jogos sem derrota são uma base que o Ceilândia não tinha no outono.
Notas dos jogadores19/04/2027
Otávio, 20 anos, joga como se cá estivesse há anos — 8.11
Um 8.11 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 20. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Dribles concretizados: 26. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Modesto esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Tem 20 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Plantel19/04/2027
7 caras novas e o Ceilândia ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
Em resumo
O bancoO veredicto do treinador
DireçãoO Ceilândia diz não ao dinheiro para o centro de treinos
Gualberto lesiona os ligamentos do joelho — 14 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 14 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Ceilândia falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Matheus Salustiano estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Gualberto lesiona os ligamentos do joelho — 22 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 22 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Plantel05/04/2027
93 dias de fora para Léo Souza depois de uma fratura
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Ceilândia vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
29 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Ceilândia falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Zayid Sultan esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
38 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Ceilândia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 107 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Em resumo
PlantelNo Ceilândia ainda são estranhos uns para os outros
46 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Ceilândia falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Zayid Sultan e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Rikelme tem 20 anos, e o Ceilândia contratou-o pelo jogador que virá a ser, não pelo que já é. A equipa principal pode esperar; o sentido de um negócio destes são os anos que compra.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
53 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Ceilândia falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Garraty e o Ceilândia acertam mais 4 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
61 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Otávio. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
68 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Ceilândia joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Luis Quintero. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
O que era uma notícia de última página virou cântico, e o cântico não é simpático. O Ceilândia preferia resolver isto em silêncio, e o silêncio acabou.
Uma cara nova na sua posição e, de repente, Edimar tem de reconquistar o que julgava seu. O Ceilândia não prometeu nada — nesta fase raramente promete.
75 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Ceilândia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Daniel Pino e o Ceilândia acertam mais 3 anos.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Ceilândia joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
Gualberto lesiona os ligamentos do joelho — 82 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 82 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Vinícius Lima é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
8 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
89 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Quando isto acontece nada se anuncia, e toda a gente sabe. É uma parte maior do plano do Ceilândia do que era há um mês, e o centro de treinos percebeu-o antes de a ficha de jogo o dizer.
96 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Ceilândia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Luis Quintero. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
O que era uma notícia de última página virou cântico, e o cântico não é simpático. O Ceilândia preferia resolver isto em silêncio, e o silêncio acabou.
Gualberto lesiona os ligamentos do joelho — 103 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 103 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Ceilândia, mais uma semana sem a assinatura de Valentino Felicetti.
110 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Rodrigo Negueba acabou de assinar pelo Ceilândia e, por uma vez, a resposta importava.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Fábio Farias está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
7 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Ceilândia joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
117 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Aos 39 anos, 3 pontos abaixo de onde esteve, e um corpo que começou a cobrar juros. Acontece a todos, e continua a ser o parágrafo mais difícil desta página.
O Ceilândia perguntou e o América de Natal disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Rafael Tavares esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Nenhum clube fica com muito do que ganha; a maior parte vai para os jogadores. Ficar quase sem nada é um arranjo diferente, e sempre que alguém o experimentou terminou da mesma forma.
MercadoO mercado fechou e Danilo Rocha continua cá
O bancoO treinador crava a sua bandeira em Dieguinho
22Edição
O Arauto de Ceilândia
28/12/2026
Do nosso correspondente de futebolEstável
Plantel28/12/2026
Gualberto lesiona os ligamentos do joelho — 124 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 124 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
O Criciúma aceitou o dinheiro. O que o Ceilândia ainda não tem é o homem, e entre aqui e a fotografia há uma conversa sobre salários que os dois lados temem.
O Ceilândia foi ao América Mineiro com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
Plantel28/12/2026
Palavras no treino do Ceilândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Matheus Salustiano está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Tem 20 anos, e os relatórios dos observadores concordam na única linha que importa: o teto. Contratações assim são bilhetes de lotaria preenchidos por profissionais.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Renato Porto e o Ceilândia acertam mais 3 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Dieguinho, e o treinador deixou.
Há um nível em que um futebolista deixa de ser posto à prova e passa apenas a ser contido, e ele chegou lá há algum tempo. No Ceilândia sabem-no, e também todos os que o veem.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Luis Quintero. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
131 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Ceilândia perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
O aperto de mão com o Ituano está dado; o do jogador ainda não. Seguem-se as condições pessoais, e é nas condições pessoais que morrem mais negócios do que alguém imprime.
Aos 18 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Manauara fica com o seu homem, e o Ceilândia volta a uma lista com um nome riscado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Matheus Salustiano estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Ceilândia, mais uma semana sem a assinatura de Valdir.
Os melhores negócios são aqueles em que os contabilistas nem reparam. Valdir chega ao Ceilândia com o ordenado como único custo e algo a provar como única cláusula.
Gualberto esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
O Ceilândia perguntou e o Nova Iguaçu disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Maximiliano Planté e o Ceilândia acertam mais 1 anos.
Direção07/12/2026
Os salários engolem 104% das receitas do Ceilândia
Nenhum clube fica com muito do que ganha; a maior parte vai para os jogadores. Ficar quase sem nada é um arranjo diferente, e sempre que alguém o experimentou terminou da mesma forma.
O Ceilândia já telefonou ao Nova Iguaçu. Sem verba, uma parte do salário, e uma camisola a mais na posição em que o plantel esteve mais curto a época inteira.
Quatro ou cinco jornadas de regularidade, medidas contra todos os da divisão que fazem o seu trabalho. Flavio Henrique sai dessa comparação dentro da equipa, e o Ceilândia beneficiou de cada uma dessas tardes.
Direção07/12/2026
Aberto para negócios: o Ceilândia entra no mercado
O período de inscrições está aberto e o telefone já começou. Daqui até ao fecho, este clube vai ser associado a quarenta jogadores e contratar três, que é a proporção do costume.
Ser difícil de bater não é o mesmo que ganhar, mas 11 jogos sem derrota são uma base que o Ceilândia não tinha no outono.
Plantel30/11/2026
Palavras no treino do Ceilândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Sérgio Mota está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Metade do calendário jogado, 7.º lugar, 24 pontos somados. Multiplicar por dois é a conta que todos os adeptos já fizeram e a única que ninguém no clube fará em voz alta.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Léo Souza e o Ceilândia acertam mais 1 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Avaliado com 7.69. Pergunte a qualquer pessoa à saída do estádio o que decidiu aquilo e receberá um nome, que é o único prémio que alguma vez contou a sério.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Rafael Martins depois do empate por 0‑0, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Pedro Nogueira, e o treinador deixou.
Ser difícil de bater não é o mesmo que ganhar, mas 10 jogos sem derrota são uma base que o Ceilândia não tinha no outono.
Plantel23/11/2026
Sérgio Mota desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Márcio Porto e o Ceilândia acertam mais 3 anos.
O banco23/11/2026
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Rafael Martins escolheu a versão do copo meio cheio do 0‑0; os adeptos saíram com a outra.
Noventa minutos, zero golos, e a discussão começou antes de o parque de estacionamento esvaziar: um ponto somado ou dois deitados fora contra o Pouso Alegre? Na quinta-feira ainda vai haver quem discuta.
Dos campos da formação para uma ficha de jogo da equipa principal aos 14 anos. A estreia é a parte fácil; o segundo jogo é o que todos os jovens têm de merecer.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Ceilândia, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
O encolher de ombros desapareceu, a língua vai chegando, e discute nos treinos como alguém que conta estar aqui no próximo ano. Metade do valor de um reforço é isto, e nada disso aparece na verba.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Flavio Henrique produziu-o, e o 8.29 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
Já são 9 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 7.85 aos 37, e ninguém no campo esteve melhor.
Defender era opcional e ninguém exerceu a opção. 7 golos entre o Ceilândia e o Porto Vitória, e nem um dos que pagaram bilhete vai pedir o dinheiro de volta.
Plantel09/11/2026
Palavras no treino do Ceilândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Sérgio Mota está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Márcio Porto está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Rafão está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Ser difícil de bater não é o mesmo que ganhar, mas 8 jogos sem derrota são uma base que o Ceilândia não tinha no outono.
Plantel02/11/2026
Palavras no treino do Ceilândia sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Sérgio Mota está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Aos 23 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Avaliado com 7.83. Pergunte a qualquer pessoa à saída do estádio o que decidiu aquilo e receberá um nome, que é o único prémio que alguma vez contou a sério.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Rafael Martins sobre uma tarde de 1‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 12 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
A série sem derrotas chega aos 7 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Garraty estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Há coisas de que gostei e coisas que vamos repetir na terça-feira até saírem bem.” 0‑0, e um treinador que já tinha decidido como seria a terça-feira.
Plantel26/10/2026
Otávio, 19 anos, é o melhor jovem do fim de semana
Medido contra todos os outros miúdos da divisão, e o primeiro entre eles. O prémio de sénior é onde o Ceilândia gostava que isto fosse dar.
Cabeceamentos, cortes, desarmes, interceções: 13 no total, e nem um golo às suas costas. Daquelas exibições que nunca entram nos melhores momentos e ganham jogos.
Toda a gente o viu antes de alguém o dizer. Aos 37 anos, os números dizem 3 pontos abaixo do que foi, e a pergunta para o Ceilândia é como lidar com um homem a quem deve muito.
A série sem derrotas chega aos 6 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Sérgio Mota estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Tem 19 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Foi preciso Otávio marcar para trazer alguma coisa para casa: 2‑2 com o Portuguesa, e metade do balneário vai chamar-lhe um ponto ganho.
O banco19/10/2026
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Rafael Martins escolheu a versão do copo meio cheio do 2‑2; os adeptos saíram com a outra.
Segue-se a equipa do topo da tabela, e a medida honesta de onde esta equipa realmente está. Qualquer um ganha ao clube que tem abaixo; a pergunta é o que acontece contra o Boavista.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Ceilândia, e não vai ser retirado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Sérgio Mota estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Vinícius Freitas está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Acontece a todos e continua a ser o parágrafo mais difícil que um jornal local tem de escrever. 38 anos, 3 pontos abaixo do que era, e um corpo que começou a cobrar juros sobre uma carreira.
Plantel12/10/2026
13 caras novas e o Ceilândia ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
Em resumo
MercadoMateus Assis está livre para procurar outro sítio
Dribles concretizados: 25. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Não é uma fase — é um salto a sério, mantido durante meses. Aos 18 anos faz a este nível coisas que não fazia no início da época, e a equipa técnica dir-lhe-á exatamente quais.
Toda a gente no Ceilândia viu antes de alguém o dizer, que é como isto vai sempre. Aos 38 o declínio é real e mensurável — 3 pontos — e só falta saber como o clube trata alguém a quem deve muitíssimo.
Um mês é longo o suficiente para ninguém entrar por acaso. Sérgio Mota está no melhor onze da divisão, o que é um elogio mais discreto do que um prémio e mais fiável.
“Não é o fim do mundo e não chega. As duas coisas são verdade.” O treinador, depois de um empate por 0‑0, disse a coisa honesta e foi dizê-la outra vez lá dentro.
Noventa minutos, zero golos, e a discussão começou antes de o parque de estacionamento esvaziar: um ponto somado ou dois deitados fora contra o Aparecidense? Na quinta-feira ainda vai haver quem discuta.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Ceilândia podem fingir não ter ouvido.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Sérgio Mota estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Faz todos os sábados coisas a que ninguém à volta dele consegue responder. É lisonjeiro durante uma época e um problema a partir daí, e o Ceilândia sabe em que fase está.
Avaliado com 7.87. Pergunte a qualquer pessoa à saída do estádio o que decidiu aquilo e receberá um nome, que é o único prémio que alguma vez contou a sério.
Sérgio Mota desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Nota 7.72 numa tarde que correu do primeiro ao último apito. Falhasse o que falhasse ao Ceilândia, o melhor em campo era deles.
O banco21/09/2026
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Rafael Martins foi breve depois da vitória por 2‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
Aos 18 anos foi o melhor de todos da sua idade na divisão durante um fim de semana. Ninguém devia construir uma carreira em cima disso, e toda a gente o faz sem dizer.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
O banco21/09/2026
Neste momento há alguém melhor do que Mateus Assis
A ficha de jogo di-lo em público todas as semanas até mudar. A única versão de ficar de fora que um futebolista não consegue contestar, e a que lhe custa mais.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Sérgio Mota produziu-o, e o 8.27 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
Aos 19 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Leozao está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
2 golos antes de o estádio acabar de chegar. O Porto Velho passou o resto da tarde a jogar um jogo já decidido, e toda a gente nas bancadas sabia disso.
11 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
Gualberto e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel07/09/2026
Sérgio Mota desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Os clubes tinham acordado e o jogador não. Uma nega, e pública: o outro clube fica com ele, e os adeptos daqui ficam a perguntar-se o que lhe terão dito sobre esta casa.
Dribles concretizados: 21. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Faz o seu trabalho e não se está a instalar. O Ceilândia devia ser um passo em frente nas contas dele, e as contas dele foram revistas desde que chegou.
Avaliado com 7.35. Pergunte a qualquer pessoa à saída do estádio o que decidiu aquilo e receberá um nome, que é o único prémio que alguma vez contou a sério.
Otávio tem 19 anos, e o Ceilândia contratou-o pelo jogador que virá a ser, não pelo que já é. A equipa principal pode esperar; o sentido de um negócio destes são os anos que compra.
Francisco tem 18 anos, e o Ceilândia contratou-o pelo jogador que virá a ser, não pelo que já é. A equipa principal pode esperar; o sentido de um negócio destes são os anos que compra.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Rafael Martins depois do empate por 0‑0, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
Em resumo
JogoPonto ganho ou dois perdidos para o Ceilândia?
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Weverson agiu, no Ceilândia, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 7.96 aos 37, e ninguém no campo esteve melhor.
Há um nível em que um futebolista deixa de ser posto à prova e passa apenas a ser contido, e ele chegou lá há algum tempo. No Ceilândia sabem-no, e também todos os que o veem.
Qualquer adepto nas bancadas saberia apontar o buraco desta equipa, e a maioria fê-lo, em voz alta, durante meses. Luis Quintero foi contratado para o fechar.
Qualquer adepto nas bancadas saberia apontar o buraco desta equipa, e a maioria fê-lo, em voz alta, durante meses. Weverson foi contratado para o fechar.
O banco24/08/2026
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 1‑2 Rafael Martins saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Em resumo
Notas dos jogadoresNinguém conseguiu chegar a Garraty
Os centrais têm licença para subir duas vezes por época e são julgados pelo que fazem quando lá chegam. Edimar marcou, foi avaliado com 7.45 e voltou antes de alguém dar pela falta.
Aos 16 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Faz aos sábados coisas a que ninguém à sua volta consegue responder: durante uma temporada é lisonjeiro e depois é um problema. O Ceilândia não o segura a fingir o contrário.
Mercado17/08/2026
Garraty assina pelo Ceilândia para resolver a falha que todos viam
Há um alívio muito próprio quando um clube trata exatamente daquilo por que a sua própria bancada anda a gritar. Garraty chega precisamente para esse trabalho, e agora tem de o fazer.
6 contratações em três meses. Cada uma pode ser uma melhoria e a equipa pode ser pior durante um tempo na mesma, que é a parte de uma reconstrução que nunca aparece nos balanços de mercado.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Rafael Martins sobre uma tarde de 1‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Em resumo
PlantelPalavras no treino do Ceilândia sobre quem trabalha
MercadoExperiência a entrar pela porta do Ceilândia
Notas dos jogadoresA única coisa que Sérgio Mota não conseguiu
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Guilherme Moreira é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Não há verba, não há apresentação, não há empresário na escadaria. Pedro Nogueira está neste clube desde miúdo e faz agora parte, formalmente, do plantel principal — o que, para um leitor local, vale mais do que qualquer contratação.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Mateus Assis é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
Os clubes gastam fortunas à procura de jogadores e de vez em quando encontram um ao fundo do corredor. Pedro Alves é isso, e a receção na sua primeira aparição será de outra natureza que a de qualquer reforço.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” Rafael Martins depois do 0‑3, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
1‑4 para o Luverdense, e foi exatamente tão mau como o número sugere. Há derrotas que se discutem e derrotas pelas quais se pede desculpa; esta foi do segundo tipo.
Contrato liquidado, apertos de mão, nenhuma verba a mudar de mãos. Édson Reis deixa o Ceilândia pela porta discreta, e a folha salarial respira um pouco melhor.