Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Kauê Rodrigues produziu-o, e o 8.22 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
O mais difícil de ter 21 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Gonçalo Sousa não precisou: 7.74, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Tem 21 anos, média de 7.10, e os profissionais mais velhos começaram a dar-lhe a bola nos minutos difíceis. Essa última parte é o verdadeiro relatório de observação.
Jogo26/12/2026
O Porto B torna a sua casa um sítio difícil de visitar
10 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 23 anos que sente como seu. Kauê Rodrigues tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
“O mérito é dos jogadores. Hoje o meu trabalho foi fácil.” Não foi, e toda a gente na sala o sabia; depois do 2‑0, Marco Simoes podia dar-se ao luxo de ser generoso.
O mais difícil de ter 18 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Mateus Mide não precisou: 7.76, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Tem 18 anos, média de 7.00, e os profissionais mais velhos começaram a dar-lhe a bola nos minutos difíceis. Essa última parte é o verdadeiro relatório de observação.
Não é uma queixa nem uma exigência: quer jogar futebol europeu, e deixou de o esconder. Se o Porto B lho pode dar é uma pergunta sobre o clube, não sobre ele.
Não é uma fase — é um salto a sério, mantido durante meses. Aos 21 anos faz a este nível coisas que não fazia no início da época, e a equipa técnica dir-lhe-á exatamente quais.
9 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Tem 23 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Marco Simoes sobre uma tarde de 1‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Em resumo
O bancoVasco Sousa tornou-se um homem de confiança do treinador
Notas dos jogadoresUma tarde de defesa para Martim Cunha
O Farense levou os pontos após um 0‑2 que será difícil de explicar nas bancadas.
O banco14/12/2026
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑2, ditas por Marco Simoes a uma sala que já as tinha ouvido.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Martim Cunha está nela.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Porto B sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 7 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Aos 21 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Jogo05/12/2026
O Porto B torna a sua casa um sítio difícil de visitar
8 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
Aos 20 anos foi melhor do que todos da sua idade na divisão durante quatro semanas seguidas, o que é mais difícil do que uma boa tarde. O Porto B vai tentar não fazer disso um caso.
Foi preciso Mateus Mide marcar para trazer alguma coisa para casa: 1‑1 com o Sporting CP B, e metade do balneário vai chamar-lhe um ponto ganho.
O banco07/12/2026
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Marco Simoes não o escondia depois do 1‑1, e no balneário do Porto B também ninguém o escondia.
Gonçalo Sousa, 20 anos, joga como se cá estivesse há anos — 8.55
Um 8.55 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 20. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 22 anos que sente como seu. Kauê Rodrigues tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Notas dos jogadores30/11/2026
Kauê Rodrigues jogou uma tarde diferente da de toda a gente
8.23. Há exibições que um adepto descreve a quem não esteve lá e não consegue transmitir; esta foi uma, e o número também não ajuda.
O jogo à volta do qual se organiza o calendário. A forma vai pela janela, a tabela não se consulta, e durante noventa minutos o Porto B será julgado por uma única coisa.
“O mérito é dos jogadores. Hoje o meu trabalho foi fácil.” Não foi, e toda a gente na sala o sabia; depois do 2‑1, Marco Simoes podia dar-se ao luxo de ser generoso.
O banco30/11/2026
Kauê Rodrigues tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Porto B dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
O mais difícil de ter 19 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Martim Cunha não precisou: 7.65, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Uma média de 7.01 numa equipa principal para a qual lhe sobram vários anos de juventude. Porto B têm alguma coisa, e a esta altura o escalão inteiro já reparou.
100 jogos com esta camisola, através de treinadores, descidas e tudo o resto. Uma entrega assim está a desaparecer do futebol, e a bancada sabe o que está a ver.
Oportunidades criadas: 11. Fora da ficha de jogo e nada discreto: um passe a passe que desmontou uma defesa sem deixar rasto na coluna que se lê.
O banco23/11/2026
Vasco Sousa tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Porto B dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Martim Cunha fez a conta e não gosta do resultado. Nada corrói um grupo mais depressa, e nenhum clube resolveu isto explicando a um futebolista a estrutura salarial.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Porto B sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
O mais difícil de ter 18 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Mateus Mide não precisou: 7.89, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Marco Simoes depois do empate por 1‑1, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Víctor García está nela.
Aos 20 anos foi o melhor de todos da sua idade na divisão durante um fim de semana. Ninguém devia construir uma carreira em cima disso, e toda a gente o faz sem dizer.
Os números não ficam secretos num balneário. Não está a pedir mais do que vale; está a perguntar porque é que alguém ao lado dele vale mais, e o Porto B não tem uma boa resposta.
O desenho queria outro perfil frente a este adversário, o que é uma resposta futebolística a sério e nenhum consolo para o visado. Não fez nada de errado e não jogou.
Aos 18 anos conquistou um lugar em vez de o receber, e outro tem de arranjar alguma coisa para dizer sobre isso. O Porto B tem uma decisão que se tomou sozinha.
Em resumo
Notas dos jogadoresAnhá Candé passa por eles um de cada vez
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Cardoso Varela e o Porto B acertam mais 5 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Aos 22 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
O prémio de melhor jovem do mês vai para um jogador de 20 anos do Porto B que pareceu um produto acabado durante quatro jornadas seguidas. As quatro seguintes é que decidem se é.
Um mês é longo o suficiente para ninguém entrar por acaso. Gonçalo Sousa está no melhor onze da divisão, o que é um elogio mais discreto do que um prémio e mais fiável.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Marco Simoes sobre uma tarde de 3‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Em resumo
O bancoKauê Rodrigues tornou-se um homem de confiança do treinador
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Anhá Candé, e o treinador deixou.
Um médio mede-se por saber se a equipa funciona quando ele está em campo, algo quase impossível de ver e completamente óbvio em retrospetiva. 11 ações, 6.68, e um treinador que não o vai substituir tão cedo.
Todas as séries acabam numa tarde que alguém tinha dado como rotina. Esta durou 4 jogos, o suficiente para uma cidade ter deixado de contar, e pouco o suficiente para se lembrar exatamente de quem a parou.
14 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
O banco26/10/2026
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑1, ditas por Marco Simoes a uma sala que já as tinha ouvido.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Porto B, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
O mais difícil de ter 18 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Mateus Mide não precisou: 7.84, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
Aos 19 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Aos 19 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
“É isto que quero todas as semanas. Não o resultado, a maneira como o fizeram.” O treinador, depois do 1‑0, já a falar do próximo.
O banco19/10/2026
Martim Cunha tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Porto B dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
A forma vai e vem; esta não foi. Kauê Rodrigues tem 22 anos, e a versão que treina agora não teria entrado na equipa em que estava há um ano.
O banco12/10/2026
Víctor García tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Porto B dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Aos 20 anos foi o melhor de todos da sua idade na divisão durante um fim de semana. Ninguém devia construir uma carreira em cima disso, e toda a gente o faz sem dizer.
“Fiz tudo o que me pediram nos treinos e ao sábado não mudou nada.” A queixa mais conhecida do futebol, e uma a que o Porto B terá de responder com minutos ou com uma transferência.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Gonçalo Silva treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Agora parece alguém que vive aqui e não alguém que vem trabalhar aqui. Levou quase uma temporada inteira, e no Porto B a diferença vê-se da última fila.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Gonçalo Sousa produziu-o, e o 8.60 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
Aos 20 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 20 anos que sente como seu. Gonçalo Sousa tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Um mês é longo o suficiente para ninguém entrar por acaso. Diogo Fernandes está no melhor onze da divisão, o que é um elogio mais discreto do que um prémio e mais fiável.
O banco05/10/2026
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Marco Simoes foi breve depois da vitória por 2‑0, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Kauê Rodrigues está nela.
2‑0 frente ao Benfica B, e os cânticos continuaram muito depois do apito. As classificações vêm e vão; dias assim contam-se aos jantares de família durante anos.
Marcar a qualquer outro é um golo. Marcar-lhes a eles é uma história que leva o nome de quem marcou durante uma década, e os adeptos do Porto B já começaram a contá-la.
Já são 6 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Aos 22 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Plantel28/09/2026
14 caras novas e o Porto B ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Marco Simoes sobre uma tarde de 2‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Vasco Sousa está nela.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Tem 23 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
O jogo à volta do qual se organiza o calendário. A forma vai pela janela, a tabela não se consulta, e durante noventa minutos o Porto B será julgado por uma única coisa.
“Merecemos. Pedi-lhes uma reação e tive-a, e agora quero o mesmo outra vez no sábado.” Marco Simoes sobre uma tarde de 1‑0 que lhe agradou mais do que estava disposto a mostrar.
Dribles concretizados: 11. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Cabeceamentos, cortes, desarmes, interceções: 11 no total, e nem um golo às suas costas. Daquelas exibições que nunca entram nos melhores momentos e ganham jogos.
Aos 18 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Dribles concretizados: 14. Havia sempre um defesa à frente dele, e nunca houve um defesa à frente dele por muito tempo.
O banco14/09/2026
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Marco Simoes escolheu a versão do copo meio cheio do 0‑0; os adeptos saíram com a outra.
As bancadas esperaram por um golo que nunca chegou. O Pacos de Ferreira defendeu com muita gente e levou aquilo que veio buscar, e as duas equipas podiam ainda estar a jogar sem incomodar o marcador.
Segue-se o Leiria, e há um homem no balneário do Porto B que conhece o centro de treinos deles melhor do que o seu. A receção vai dizer-lhe o que pensavam dele.
Cabeceamentos, cortes, desarmes, interceções: 10 no total, e nem um golo às suas costas. Daquelas exibições que nunca entram nos melhores momentos e ganham jogos.
O desenho queria outro perfil frente a este adversário, o que é uma resposta futebolística a sério e nenhum consolo para o visado. Não fez nada de errado e não jogou.
“Não peço a ninguém que seja melhor do que é. Peço a todos que sejam tão bons como são, todas as semanas.” Dito em voz alta, à frente de todos, e o balneário do Porto B ficou diferente depois.
Não é uma fase — é um salto a sério, mantido durante meses. Aos 20 anos faz a este nível coisas que não fazia no início da época, e a equipa técnica dir-lhe-á exatamente quais.
O treinador reorganizou as ideias e Tiago Ferreira saiu delas mais abaixo. Vão dizer-lhe que é temporário, e os jogadores que já ouviram isso antes vão desviar o olhar.
Quatro ou cinco jornadas de regularidade, medidas contra todos os da divisão que fazem o seu trabalho. Víctor García sai dessa comparação dentro da equipa, e o Porto B beneficiou de cada uma dessas tardes.
Vestiu a outra camisola. No sábado joga contra o Pacos de Ferreira com esta, e tudo o que disser esta semana sobre ser um jogo como os outros será mentira.
Pergunte a qualquer um à saída o que separou as equipas e ouvirá um nome: Kauê Rodrigues. 2‑1 sobre o Académico de Viseu, e os aplausos no apito final foram sobretudo para ele.
Aos 22 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
Plantel31/08/2026
14 caras novas e o Porto B ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
O banco31/08/2026
O veredicto do treinador
“Não me vou entusiasmar, e também não os deixo entusiasmar a eles. Foi um bom dia. Virão outros mais difíceis.” Marco Simoes foi breve depois da vitória por 2‑1, que é o que os treinadores fazem quando estão contentes.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Bernardo Lima, e o treinador deixou.
O desenho queria outro perfil frente a este adversário, o que é uma resposta futebolística a sério e nenhum consolo para o visado. Não fez nada de errado e não jogou.
“Um ponto é um ponto e fico com ele, mas devíamos ter levado os três.” Marco Simoes depois do empate por 0‑0, e a frase que todos os treinadores do país disseram a certa altura deste fim de semana.
7 tentativas, nenhuma lá dentro. Esteve nos sítios certos a tarde toda, que é a parte difícil, e fez mal a parte fácil: com isso um treinador consegue viver.
Uma cara nova na posição dele e uma camisola que julgava sua de repente em discussão. O Porto B não prometeu nada, que é o que os clubes prometem nesta fase.
Noventa minutos concretos pediam outro tipo de jogador, e o treinador escolheu um. Não está em má forma e não está na equipa, e as duas coisas são verdade.
“Não peço a ninguém que seja melhor do que é. Peço a todos que sejam tão bons como são, todas as semanas.” Dito em voz alta, à frente de todos, e o balneário do Porto B ficou diferente depois.
Um defesa no marcador, coisa rara o suficiente para que toda a gente no estádio se lembre de quem marcou o canto. 1 para ele e uma nota de 7.95 para o resto.
Aos 23 anos é cantado por pessoas com o dobro da idade, um carinho que um reforço demora anos a merecer e que um miúdo da casa recebe por aparecer. É também a coisa mais difícil de corresponder no futebol.
“Não é o fim do mundo e não chega. As duas coisas são verdade.” O treinador, depois de um empate por 1‑1, disse a coisa honesta e foi dizê-la outra vez lá dentro.
Ninguém no Porto B sugere que esteja em má fase. O treinador quis simplesmente outras qualidades para noventa minutos concretos, e contra isso um jogador não pode treinar nada.
5 remates, uma contagem que parece uma boa tarde até se olhar para a outra coluna. Os avançados sobrevivem a semanas destas partindo do princípio de que as ocasiões continuam; o dia em que param torna-se um problema.
Uma cara nova na sua posição e, de repente, Felipe Silva tem de reconquistar o que julgava seu. O Porto B não prometeu nada — nesta fase raramente promete.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Felipe Silva e o Porto B acertam mais 3 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Porto B, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Os números não ficam secretos num balneário. Não está a pedir mais do que vale; está a perguntar porque é que alguém ao lado dele vale mais, e o Porto B não tem uma boa resposta.
«Não vim para aqui aquecer à frente das pessoas.» O contrato acaba um dia, sabe contar as semanas, e o Porto B terá de lhe dar um motivo para ficar ou uma saída.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Tiago Ferreira e o Porto B acertam mais 2 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Mais um nome na lista: o Estrela da Amadora fez a pergunta que todo o futebol anda a fazer sobre Dominik Prpić. A resposta do Porto B não mudou — para já.
16 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Porto B, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.