Dribles concretizados: 21. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Vitão estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Joaquín Piquerez está nela.
O Palmeiras vai querer esquecer isto depressa: 3‑0, todos os duelos perdidos e uma viagem longa para casa. O Bahia foi impiedoso como as boas equipas sabem ser.
Erick e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Damion Lowe está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Everton Ribeiro lesiona os ligamentos do joelho — 33 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 33 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Román Gómez estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
O banco25/10/2027
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 1‑3, ditas por Felipe Barbosa a uma sala que já as tinha ouvido.
Ninguém no Bahia dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
O desenho queria outro perfil frente a este adversário, o que é uma resposta futebolística a sério e nenhum consolo para o visado. Não fez nada de errado e não jogou.
153 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Bahia perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Verba acordada, salário acordado, e o Cruzeiro à espera com uma camisola. No Bahia ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
“Sei o que as pessoas vão dizer. Sei o que quero, e é aqui.” O CSA tinha a verba acordada e a camisola pronta; não tinha o jogador, e agora não o vai ter.
Algumas transferências precisam de uma campanha de imprensa. Esta precisava de uma camisola com o número antigo. Ronaldo volta a ser jogador do Bahia, e a cidade tem a sua história do verão.
As regras permitem-no e dói na mesma. João Lucas acertou condições com o Amazonas para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Internacional já se começa a dizer o nome dele no passado.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Náutico fica com o seu homem, e o Internacional volta a uma lista com um nome riscado.
O valor aprovado não chegava. A direção foi consultada de novo e subiu a sua própria proposta para $1.1M — um clube que quer Hugo Leonardo ao ponto de perguntar duas vezes.
Vai jogar aqui até ao verão e depois sair pela porta de graça, tendo já assinado noutro lado. Os adeptos aguentam a primeira parte desta frase; é com a segunda que vão ter dificuldade.
O Paysandu aceitou o dinheiro. O que o Internacional ainda não tem é o homem, e entre aqui e a fotografia há uma conversa sobre salários que os dois lados temem.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Internacional já se começa a dizer o nome dele no passado.
A perseguição a Matheusinho terminou com $3.1M a mudar de mãos e o Atlético Goianiense sem razões para dizer que não. Os adeptos julgarão o valor da única maneira que conta: aos sábados.
Notas dos jogadores14/06/2027
Alan Patrick, 36 anos, faz recuar o relógio — 8.10
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.10 aos 36, e ninguém no campo esteve melhor.
$2.0M era o máximo que o clube pagaria, e o Ferroviária pedia mais. Negócios destes ressuscitam na última semana do mercado mais ou menos metade das vezes, e todos os envolvidos o sabem.
Plantel14/06/2027
Márcio Júnior consegue a transferência que sempre quis
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Márcio Júnior acabou de assinar pelo Internacional e, por uma vez, a resposta importava.
Não é uma fase — é um salto a sério, mantido durante meses. Aos 21 anos faz a este nível coisas que não fazia no início da época, e a equipa técnica dir-lhe-á exatamente quais.
97 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Internacional perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
O negócio que levaria Thiago Maia para o Botafogo caiu na fase final e ele reapresenta-se no Internacional com um verão para esquecer e uma época inteira para jogar. Ninguém diz quem se levantou da mesa.
O Internacional ofereceu $2.7M; o Vasco da Gama disse que nem perto. Ao treinador dirão que o dinheiro continua lá para o jogador certo, que é o que se diz aos treinadores.
O Internacional perguntou e o Água Santa disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Internacional coisas que levam mais de uma semana a retirar.
A forma vai e vem; esta não foi. Rodriguinho tem 21 anos, e a versão que treina agora não teria entrado na equipa em que estava há um ano.
Plantel11/01/2027
Palavras no treino do Internacional sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Gabriel Mercado está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Calebe está nela.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 78 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Os jogos da taça esperam que alguém os agarre, e Ronaldo agarrou este contra o Náutico. 1‑0 no fim, e no sorteio da próxima ronda está o nome do Internacional.
«Dei tudo aqui e preciso de um desafio novo.» O pedido é formal, e a relação nunca mais vai ser exatamente a mesma.
Notas dos jogadores14/09/2026
Gustavo Prado, 21 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.60
Um 7.60 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 21. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Os centrais têm licença para subir duas vezes por época e são julgados pelo que fazem quando lá chegam. Ronaldo marcou, foi avaliado com 7.89 e voltou antes de alguém dar pela falta.
Dribles concretizados: 23. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Internacional ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
O mais difícil de ter 21 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Gustavo Prado não precisou: 8.12, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
7.95, 1 na ficha e a comédia muito própria de um jogador da linha defensiva a festejar como quem faz isto todas as semanas. Não faz, e é exatamente por isso que o estádio reagiu como reagiu.
Não há pior forma de perder um futebolista. Jhonatan Almeida pré-acordou a saída, o que significa que cada jogo daqui até junho é feito por um homem que o clube já não pode vender, e alguém lá em cima vai ter de explicar como se chegou aqui.
Alexandro Bernabei esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Entre clubes está tudo fechado e o que falta são papéis e uma fotografia. Em Internacional já falam dele no passado.
Plantel17/08/2026
Palavras no treino do Internacional sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Guillermo Maripán está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Tem 21 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.