Já são 23 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
27 golos em 23 jogos no Benevento — números que viajam para casa mais depressa do que ele. No AS Roma alguém atualiza uma folha de cálculo todas as segundas, e cada semana lê-se melhor.
O mais difícil de ter 19 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Rodrigo Mora não precisou: 8.18, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
13 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no AS Roma coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Em resumo
PlantelAs defesas já dobram a marcação a Paulo Dybala
Isto não é profundidade de plantel e ninguém finge que seja. Pagaram-se $28.1M porque Jhon Lucumí é simplesmente melhor do que o que já cá estava, e o clube decidiu deixar de esperar.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Jhon Lucumí agiu, no AS Roma, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
11 jogos sem perder, e depois o Juventus. No estádio ninguém fingia que ia durar para sempre; também ninguém esperava que acabasse aqui.
Direção01/02/2027
O AS Roma fecha o mercado com um plantel feito por si
2 entradas e 1 saídas, e nenhuma mudança durante meses. O treinador tem o que tem, os adeptos têm a sua opinião sobre isso, e a tabela terá a última palavra.
11 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
O AS Roma foi ao Juventus com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
O Torino queria mais do que $11.7M e a direção não foi por aí. Levantou-se da mesa, por agora, o que em pleno mercado quer dizer até alguém pestanejar.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do AS Roma, e não vai ser retirado.
Em resumo
Notas dos jogadoresRodrigo Mora, 19 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.64
Matías Soulé e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Rodrigo Mora está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
O Lazio segurou a vantagem 3 minutos, que não chega para a desfrutar. O AS Roma respondeu antes de o festejo terminar, e com isso mudou a forma da tarde.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
«Agradeço os jogos, mas não me fiz futebolista para ser a peça sobresselente de alguém.» Quer estar em AS Roma, e 3 jogos em 12 dizem que merece ser ouvido.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de AS Roma ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 22 anos que sente como seu. Santiago Castro tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Rodrigo Mora estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Em resumo
Notas dos jogadoresNoventa minutos de Santiago Castro no seu melhor
Matías Soulé esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Aos 20 anos faz esta época coisas que não conseguia fazer na época passada, e fá-las todas as semanas. A forma vai e vem; isto já ficou tempo suficiente para se lhe chamar outra coisa.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Rodrigo Mora estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
200 jogos com esta camisola, através de treinadores, descidas e tudo o resto. Uma entrega assim está a desaparecer do futebol, e a bancada sabe o que está a ver.
O banco12/10/2026
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Marco Marino não o escondia depois do 0‑0, e no balneário do AS Roma também ninguém o escondia.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O AS Roma sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Bryan Cristante: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o AS Roma a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
Paulo Dybala esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No AS Roma ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Plantel21/09/2026
Uma transferência que Júnior Tavares teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Júnior Tavares está a viver essa versão no AS Roma, e costuma notar-se no primeiro mês.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Rodrigo Mora estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Dribles concretizados: 16. Pelo minuto setenta aparece no rosto de um lateral um desespero muito próprio, e ali estava ele.
O banco21/09/2026
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 0‑1 Marco Marino saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Aqui não há queixa possível e todos os envolvidos sabem, o que não encurta o caminho até ao banco. A forma é a única moeda do futebol sobre a qual não se pode pedir emprestado.
Em resumo
O bancoO treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Kostas Tsimikas
Dribles concretizados: 46. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Verba acordada, salário acordado, e o Pineto à espera com uma camisola. No AS Roma ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
“Sei o que as pessoas vão dizer. Sei o que quero, e é aqui.” O Burgos tinha a verba acordada e a camisola pronta; não tinha o jogador, e agora não o vai ter.
O aperto de mão com o Juventus está dado; o do jogador ainda não. Seguem-se as condições pessoais, e é nas condições pessoais que morrem mais negócios do que alguém imprime.
Plantel31/08/2026
Rodrigo Insúa consegue a transferência que sempre quis
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Rodrigo Insúa acabou de assinar pelo AS Roma e, por uma vez, a resposta importava.
Marten de Roon e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
O AS Roma perguntou e o River Plate disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Antonio Arena, e o treinador deixou.
Plantel31/08/2026
Rodrigo Mora desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
A proposta do AC Milan por Matías Soulé foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
“Não era o certo para mim. Não vou explicar porquê a ninguém, a não ser às pessoas a quem devo uma explicação.” Um negócio acordado entre dois clubes, e um jogador que se recusou a fazer parte dele.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Odilon Kossounou acabou de assinar pelo AS Roma e, por uma vez, a resposta importava.
É a ambição mais legítima do desporto e a mais difícil de satisfazer para a maioria dos clubes. Santiago Castro quer futebol continental; se o AS Roma o consegue oferecer é uma pergunta sobre as próximas duas épocas, não sobre ele.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Manu Koné e o AS Roma acertam mais 5 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Matías Soulé e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Lucas Rodríguez acabou de assinar pelo AS Roma e, por uma vez, a resposta importava.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Rodrigo Mora estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Manu Koné treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Faltam 36 meses e lá de cima só silêncio — sem proposta, sem conversas, nada a que os representantes possam responder. Os clubes que deixam o calendário negociar por eles acabam quase sempre a negociar com o calendário.